Vozinha no Colo-Colo: relembre goleiros veteranos que surgiram em Copas no século
Destaque de Cabo Verde na edição de 2026 jogará no futebol sul-americano e seguirá caminho que outros colegas de posição trilharam no mercado da bola
Depois de entrar no 11 ideal da Fifa na Copa do Mundo de 2026 e se tornar um 'popstar' em Cabo Verde e no planeta, o goleiro Vozinha, que estava sem contrato, acertou com o Colo-Colo e chegou ao maior clube do currículo aos 40 anos. No século XXI, o torneio se provou ser uma verdadeira vitrine da posição, pois quase todas as edições teve veterano dando um salto em sua carreira.
Alguns deles chegaram a gigantes europeus, como Rustu Recber, da Turquia, que enfrentou o Brasil duas vezes em 2002 e foi contratado pelo Barcelona. E o clube catalão ainda levou outro que jogou contra a seleção: Claudio Bravo, do Chile, em 2014. Até mesmo o astro de Marrocos, Yassine Bono, pode ser incluído nessa categoria de 'guinadas'.
Vozinha não tinha clube para jogar até o início da Copa do Mundo de 2026, já que não teve seu contrato continuado no GD Chaves, de Portugal, o mesmo que Hugo Souza jogou antes de vir ao Corinthians. E ao longo de sua trajetória, atuou em ligas médias ou pequenas.
Antes do time português, ele passou duas temporadas no AS Trencin, da Eslováquia, cinco no AEL Limassol, do Chipre, três no Progresso Sambizanga, da Angola, e três no Batuque, de Cabo Verde, onde foi revelado. E de 2015 a 2017, passou por três clubes diferentes: Mindelense, FC Zimbru e Gil Vicente.
Apesar do Colo-Colo não vencer uma Libertadores desde 1991 e não ter no continente a mesma força dos anos 90, foi campeão chileno duas vezes na década e é consideravelmente maior do que todos pelos quais Vozinha havia passado.
Vários goleiros que tinham mais de 30 anos na época de Copa do Mundo passaram pela mesma experiência. Alguns, se consolidaram no futebol; outros, somente '15 minutos de fama'. O Estadão relembra em detalhes cada caso.
Rustu Recber - Goleiro da Turquia na Copa de 2002, primeiro 'precursor' de Vozinha no século
O torcedor brasileiro que presenciou o penta em 2002 lembra bem de Rustu Recber, goleiro titular da surpreendente Turquia de 2002. Aquela seleção enfrentou a equipe de Felipão duas vezes - uma na fase de grupos e outra nas semifinais, e ele foi um dos destaques junto a outros nomes como Hakan Sukur e Tugay Kerimoglu.
À época, ele tinha 29 anos, mas vale 'arredondar' para 30 para ele entrar na lista pelo excelente desempenho no torneio da Coréia do Sul e Japão. Titular em todos os jogos da melhor campanha turca na história da competição, ele foi considerado um dos destaques da posição e disputou o prêmio de melhor com Oliver Kahn, da Alemanha.
Quando chegou à Copa, Rustu estava desde 1993 no Fenerbahçe, de seu país, e foi contratado pelo Barcelona em 2003, um ano depois do Mundial. No Camp Nou, não conseguiu se destacar, mas pode ser orgulhar de ter a passagem pela Espanha no currículo.
Pascal Zuberbühler - Goleiro da Suíça na Copa de 2006
Aos 35 anos, Pascal Zuberbühler fazia sua última Copa do Mundo com a Suíça na edição da Alemanha. A vida toda, ele havia atuado no futebol local, com exceção a um empréstimo curto ao Bayer Leverkusen de 2000 a 2001, mas eram 15 anos de atuações no país.
Titular e parte do 'ferrolho suíço' no Mundial de 2006, ele teve ótimas atuações na fase de grupos, em que parou até o ataque da França, e chegou às oitavas de final para enfrentar a Ucrânia. A equipe caiu ali, mas não por culpa dele.
Depois de um empate em 0 a 0 no tempo regulamentar, as seleções foram para a disputa de pênaltis e Zuberbühler defendeu a cobrança de ninguém menos que Andriy Shevchenko, o melhor jogador da Ucrânia na época. A Suíça, porém, desperdiçou todas suas penalidades e foi eliminada.
Apesar do revés, a performance na Copa rendeu ao goleiro uma vaga no West Bromwich para disputar a Championship, a segunda divisão do futebol inglês e, depois, ao Fulham, da Premier League, onde encerrou sua carreira.
Claudio Bravo - Goleiro do Chile na Copa de 2014
Outro que traz lembranças aos torcedores do Brasil é Claudio Bravo, arqueiro do Chile na Copa do Mundo de 2014, última edição que a seleção sul-americana disputou. Graças a ele, a equipe canarinho quase foi eliminada nas oitavas de final.
Era sua segunda Copa do Mundo e ele, já conhecido na Europa por jogar na Real Sociedad, ajudou sua equipe a passar de fase em um grupo com Holanda e Espanha - a campeã de 2010 que foi superada pelos chilenos em pleno Maracanã.
Na primeira partida do mata-mata, Brasil e Chile empataram em 1 a 1 com a bola rolando e foram para o desempate por pênaltis. Na quarta cobrança, Hulk foi vencido por Claudio Bravo, que manteve sua equipe viva até Gonzalo Jara chutar na trave.
Com duas Copas no currículo e a atuação de destaque em 2014, com 31 anos, o goleiro foi contratado pelo Barcelona na mesma temporada, em que foi titular na conquista de duas La Ligas, o Campeonato Espanhol. Depois de fazer 75 jogos pelo clube, transferiu-se ao Manchester City, onde atuou 61 vezes.
Yassine Bono - Goleiro do Marrocos na Copa de 2022
Se praticamente todo o mundo do futebol conhece Yassine Bono, muito se deu pelo desempenho histórico dele e de Marrocos na Copa do Mundo de 2022, a melhor performance de uma seleção africana na história do torneio.
Já com carreira consolidada na Europa e a titularidade no Sevilla, ele chegou ao torneio no Catar com 31 anos e ganhou destaque no confronto contra a Espanha nas oitavas de final. A vaga foi decidida nas penalidades e ele defendeu as cobranças de Carlos Soler e Sergio Busquets.
E Bono repetiu a dose em 2026, novamente contra uma representante do velho continente: a Holanda. Em jogo da segunda fase, surpreendeu ao defender, de pé, uma 'bomba' no alto de Crys Summerville.
Em 2023, após a Copa de 2002, ele foi contratado pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita, e se tornou um dos goleiros mais bem pagos do mundo com salário anual de 10 milhões de euros (cerca de R$ 58,31 milhões). O 'salto' por clubes não foi tão marcante, já que o Sevilla já era um dos grandes da Europa, mas o financeiro, nem se fala.
Yann Sommer - Goleiro da Suíça na Copa de 2022
A Copa do Catar em 2022 foi a terceira de Yann Sommer, aos 34 anos e com um total 77 jogos pela Suíça até o começo daquela edição, mas já com 'portfólio'. Ele foi titular também em 2018, quando alcançou as oitavas, e se destacou na Eurocopa de 2020.
Sua seleção alcançou as quartas de final do torneio no velho continente por conta dele ter defendido cobrança de ninguém menos que Kylian Mbappé na disputa por pênaltis das oitavas. Na fase seguinte, ainda superou Rodri no desempate com a Espanha, mas a Suíça perdeu.
Sommer teve atuação segura na Copa do Mundo de 2022 até o primeiro jogo do mata-mata contra Portugal, em que levou seis gols. Apesar da dura derrota, o Bayern de Munique o contratou em 2023 e, depois, a Internazionale, pela qual foi vice-campeão da Champions League com direito a atuação de gala contra o Barcelona nas semifinais.
Menção honrosa: Michel Preud'homme - Goleiro da Bélgica na Copa de 1994
O último da lista foge à 'regra' de goleiros que disputaram uma Copa do Mundo no século XXI, mas é difícil deixá-lo de fora: Michel Preud'homme. Com 35 anos, ele ganhou a Luva de Ouro da edição de 1994, em que sua seleção, a Bélgica, chegou às oitavas de final.
Até então, ele havia atuado somente em clubes do país e fazia parte do modesto KV Mechelen, quatro vezes campeão da liga nacional - muito menos do que gigantes como o Anderlecht (34) e o Brugge (20). Após a luva de ouro, foi contratado pelo Benfica, onde fez 198 jogos e encerrou sua carreira.
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