Vasco avança por venda da SAF a Marcos Lamacchia
Proposta que prevê 90% da SAF para empresário chega aos conselhos; operação ainda depende de aprovação interna
A diretoria do Vasco encaminhou a órgãos internos a proposta da Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, para a compra de 90% da SAF por cerca de R$ 3 bilhões. A oferta exige uma reforma estatutária para reduzir a fatia mínima do clube associativo de 20% para 10%. O investidor já adiantou R$ 150 milhões via empréstimo DIP na recuperação judicial. A concretização da venda ainda depende do aval do Conselho Deliberativo e da aprovação final dos sócios em Assembleia Geral.
O Vasco deu mais um passo para transformar a venda de sua SAF em realidade. A diretoria encaminhou aos principais órgãos políticos do clube a proposta da Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia, vencedora do leilão judicial para aquisição do controle da SAF.
A Agência RTI Esporte apurou que o presidente do Vasco, Pedro Paulo de Oliveira, pediu nova sessão extraordinária do Conselho Deliberativo para 6 de outubro. A reunião analisará os termos da operação e os próximos passos para concluir o negócio.
A documentação foi enviada aos presidentes do Conselho Deliberativo, Conselho de Beneméritos, Conselho Fiscal e Assembleia Geral. O movimento abre uma nova etapa no processo, que ainda depende da aprovação dos órgãos competentes do clube.
Reforma estatutária entra no processo
A proposta de Marcos Lamacchia prevê que a Almirante Participações fique com 90% do capital social e do poder de voto da Vasco SAF. O clube associativo permaneceria com participação mínima de 10%. O percentual, porém, não está de acordo com a regra atual do Estatuto Social.
O documento estabelece participação mínima de 20% para o Vasco associativo. Por isso, Pedrinho também apresentou uma proposta de reforma estatutária para adequar as normas internas aos termos do negócio.
Mudança altera estrutura de controle
A alteração é necessária para que o modelo previsto na proposta vencedora possa ser implementado. Na prática, a aprovação reduziria a participação mínima obrigatória do clube e permitiria que o novo investidor assumisse 90% da SAF.
A operação prevê cerca de R$ 3 bilhões, incluindo um aporte de R$ 500 milhões para o futebol. A transferência do controle, porém, ainda depende da aprovação dos órgãos políticos e estatutários do Vasco.
Marcos Lamacchia já colocou dinheiro no Vasco
A relação entre o empresário e o clube começou antes da conclusão da venda. No início de setembro, Marcos Lamacchia realizou um empréstimo DIP de R$ 150 milhões ao Vasco, operação vinculada ao processo de recuperação judicial.
Desse montante, R$ 65 milhões foram utilizados pelo clube para quitar premiações do elenco e compromissos relacionados à recuperação judicial. Os outros R$ 85 milhões ainda não têm previsão de depósito.
O movimento ampliou a participação financeira de Marcos Lamacchia na reestruturação do Vasco antes da conclusão da compra da SAF. Na prática, o aporte antecipou sua presença no processo que pode levá-lo ao controle da sociedade.
O que falta para a venda ser concluída?
A Almirante Participações foi incluída no edital como stalking horse bidder, mecanismo que lhe assegurava prioridade na apresentação da oferta e o direito de igualar eventual proposta superior no processo.
Com a vitória no leilão, a empresa passou a ter o caminho definido para assumir o controle da SAF. Ainda assim, a operação não está concluída. O Conselho Deliberativo terá de examinar a documentação e os contratos.
Depois dessa etapa, será necessária uma nova reunião para deliberar sobre os termos do negócio. Se houver aprovação, o processo seguirá para a Assembleia Geral. Caberá aos sócios estatutários votar, em sessão única, pela aprovação ou rejeição da operação.
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