Presidente cobra investigação após eliminação na Copa e detona técnico
A eliminação da Coreia do Sul na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 desencadeou uma crise política no país.
A eliminação da Coreia do Sul na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 desencadeou uma crise que ultrapassou os limites do futebol. O presidente do país, Lee Jae-Myung, criticou publicamente a Associação de Futebol da Coreia (KFA) e o técnico Hong Myung-Bo, classificando sua escolha como um exemplo de "incompetência" e sugerindo favorecimento nos bastidores da seleção.
Em publicação nas redes sociais, o chefe de Estado afirmou que pretende solicitar ao Ministério dos Esportes uma auditoria para apurar a condução da equipe e a utilização de recursos públicos durante a campanha no Mundial. A seleção sul-coreana terminou a primeira fase com três pontos e saldo negativo, ficando fora da lista dos melhores terceiros colocados e sendo eliminada da competição.
Lee Jae-Myung justificou a medida destacando que a participação da seleção envolve investimentos públicos e, por isso, deve haver prestação de contas à população.
"Se se valoriza mais os aliados do que a competência e se seleciona uma pessoa incompetente como comandante, o resultado é óbvio. O fato de ser possível uma escolha descuidada que prioriza o interesse pessoal se deve à dificuldade de fiscalizar os detentores do poder", afirmou o presidente.
O mandatário também defendeu uma investigação detalhada sobre o planejamento da equipe.
"Dado que uma grande quantidade de impostos dos cidadãos são investidos na participação na Copa do Mundo, peço que o ministério cuide meticulosamente da situação exata deste incidente, com uma análise das causas e medidas para prevenção de recorrência", acrescentou.
Hong Myung-Bo já enfrentava pressão
As críticas ao treinador não começaram após a eliminação. Hong Myung-Bo assumiu a seleção em 2024 cercado por questionamentos da imprensa local, que contestava o processo de sua escolha e apontava possível favorecimento dentro da federação.
O desgaste aumentou ao longo da campanha na Copa. Segundo a imprensa sul-coreana, a rejeição ao técnico chegou a um ponto incomum: a emissora pública KBS chegou a borrar seu rosto durante uma reportagem que analisava o desempenho da equipe no torneio.
A campanha sul-coreana terminou com apenas uma vitória e duas derrotas, desempenho insuficiente para avançar ao mata-mata pelo novo sistema de classificação dos melhores terceiros colocados.
Governo pode criar conflito com a Fifa
A decisão do presidente de pedir uma auditoria também levanta um debate sobre uma possível interferência política no futebol. A Fifa proíbe ingerência governamental nas federações nacionais e, em casos extremos, pode aplicar sanções que vão desde advertências até a suspensão da entidade responsável pelo futebol do país.
Caso a investigação avance diretamente sobre a gestão da KFA, a entidade internacional poderá acompanhar o caso de perto para avaliar se houve violação das normas que garantem a autonomia das federações.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.