Por que há 'vazios' nos estádios da Copa do Mundo? Fifa nega baixo público e explica imagens
Preço dos ingressos varia conforme demanda de cada partida, ponto de críticas dos torcedores; entidade aponta para ingressos escaneados
HOUSTON - A vitória sul-coreana sobre a República Tcheca pela Copa do Mundo chamou atenção para a arquibancada do Estádio Akron, em Zapopan, no México. Em diferentes pontos, era possível ver "vazios" de cadeiras desocupadas. A cena se repetiu na estreia do Canadá, contra a Bósnia, em Toronto. A Fifa, contudo, divulgou uma ocupação de 98% do local.
O público informado foi de 44.895 em Zapopan. A capacidade, anunciada pela Fifa poucos dias antes de a Copa iniciar, é de 45.664. A entidade diz que os vazios foram vistos em momentos nos quais os torcedores estavam nos corredores do estádio e que considera os ingressos escaneados para informar o público.
"As figuras oficiais de comparecimento refletem o número de ingressos escaneados e de espectadores presentes dentro da área do estádio, em vez de avaliações visuais da ocupação dos assentos em qualquer momento dado durante a partida", disse em nota.
"Durante a partida (Coreia do Sul x República Tcheca), vários torcedores com ingressos puderam ser vistos em pé nos corredores em vez de permanecerem em seus assentos designados durante toda a partida", justificou.
A política de preços de ingressos foi criticada por torcedores nesta Copa do Mundo. Os valores variavam conforme a demanda de cada partida. Um ticket para a final, por exemplo, pode custar até R$ 170 mil. Revendas já foram encontradas ao custo de R$ 10 milhões.
Na partida citada pela Fifa, as entradas mais baratas eram de US$ 400 (R$ 2.032), segundo registrou o The Athletic. Elas davam acesso à lateral do anel superior. Já na altura do campo, o valor mais em conta foi de US$ 500 (R$ 2.541).
Os vazios foram mais vistos em áreas mais caras, onde o ingresso poderia superar US$ 5.000 (R$ 25.410).
As imagens contrastam também com o que disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, na coletiva de imprensa antes da abertura da Copa. "Até hoje, vendemos seis milhões de ingressos. A demanda é sem precedentes, não por pouca coisa, mas em uma potência de 10 ou mais", disse.
Além dos preços, outros fatores têm sido apontados como problemas nesta Copa do Mundo. O alto custo de transporte e problemas com emissão de vistos poderiam ajudar a entender estádios vazios, ainda que não haja uma comprovação de causalidade clara.
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