Lucas Paquetá também precisa responder pelo fracasso do Flamengo
Contratação mais cara da história do clube, meia desperdiçou pênalti na eliminação da Libertadores e precisa transformar investimento em resultado
Contratado pelo Flamengo por R$ 315,7 milhões para ser o protagonista nos momentos decisivos, Lucas Paquetá falhou ao desperdiçar sua cobrança de pênalti contra o Estudiantes, resultando na eliminação da Libertadores. Embora o fracasso tenha sido coletivo, o meia não pode ter sua responsabilidade diluída devido ao alto investimento feito pelo clube, que torna legítima a cobrança por um retorno esportivo proporcional em jogos de grande pressão.
R$ 315,7 milhões. Foi quanto o Flamengo investiu para repatriar Lucas Paquetá. Na hora em que a Copa Libertadores da América exigiu sangue-frio, porém, o jogador mais caro da história rubro-negra desperdiçou sua cobrança de pênalti diante do Estudiantes, e a equipe caiu por 3 a 2 na disputa, depois de dois empates sem gols.
A cifra não erra pênaltis, evidentemente. Mas tampouco pode servir de escudo para quem foi contratado justamente para fazer a diferença nos grandes momentos. A eliminação não tem um único culpado.
O Flamengo falhou coletivamente, encontrou dificuldades para transformar sua superioridade numérica em gols e desperdiçou outras cobranças. Ainda assim, diluir a responsabilidade de Lucas Paquetá no fracasso geral seria conveniente demais.
Ele participou diretamente do desfecho e precisa responder pelo lance, como qualquer jogador submetido à pressão de uma decisão continental. A contratação foi apresentada como um salto de qualidade.
O Flamengo não pagou uma fortuna apenas para recuperar um rosto conhecido ou alimentar a nostalgia da torcida. Esperava um jogador capaz de elevar o nível técnico da equipe, assumir o protagonismo e decidir partidas em que a margem para erro é mínima. Contra o Estudiantes, a oportunidade apareceu, e Lucas Paquetá não converteu.
Um pênalti perdido não define uma carreira, muito menos transforma sozinho uma contratação em fracasso. Mas o contexto importa. Quando um clube compromete uma quantia extraordinária para reforçar seu elenco, é legítimo cobrar retorno esportivo proporcional à aposta. O currículo internacional e a qualidade técnica justificam a expectativa; não garantem que ela será atendida.
O investimento cobra respostas
A avaliação de Lucas Paquetá precisa ir além de um lance, mas não pode ignorá-lo. Desempenho, participação nos jogos decisivos e contribuição para os resultados devem pesar mais do que reputação ou preço de mercado.
A discussão sobre a dança e as comemorações pode alimentar as redes sociais, mas não prova descompromisso. O dado concreto é mais simples: na disputa que eliminou o Flamengo, o meia perdeu sua cobrança.
A responsabilidade pela queda é coletiva, mas isso não absolve os protagonistas. Por R$ 315,7 milhões, o Flamengo apostou em um jogador capaz de decidir. Contra o Estudiantes, quando teve a oportunidade, Lucas Paquetá falhou. É um fato, não uma sentença definitiva sobre sua passagem pelo clube. E é justamente por isso que a cobrança deve continuar dentro de campo.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
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