Infantino se desculpa, mas segue pressionado por dirigentes da Fifa
Presidente admite falha por não apresentar projeto comercial ao Conselho, mas não convence lideranças que cobram documentos e explicações
Gianni Infantino, presidente da Fifa, foi pressionado pelo Conselho da entidade após tentar transferir direitos comerciais a um fundo privado. Apesar de ter pedido desculpas na reunião em Zurique, dirigentes como Debbie Hewitt (Inglaterra) e Bernd Neuendorf (Alemanha) cobraram acesso a documentos e questionaram sua liderança, citando também polêmicas com Donald Trump. Às vésperas da eleição para seu terceiro mandato, Infantino enfrenta apelos por reformas profundas e oposição ao seu comando.
Gianni Infantino enfrenta cobranças dentro da própria Fifa após a tentativa de transferir parte dos direitos comerciais da entidade para uma empresa de investimentos privados. Em reunião realizada nesta quinta-feira (15), em Zurique, o presidente pediu desculpas ao Conselho, mas não conseguiu encerrar as dúvidas sobre o caso. Integrantes do órgão exigiram acesso aos documentos e respostas sobre decisões recentes da gestão, colocando em questão sua capacidade de continuar à frente da entidade.
A reunião durou três horas e meia e foi a primeira do Conselho desde que veio à tona o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), que acabou cancelado por Infantino poucos dias depois de ser concebido. Além da proposta comercial, os conselheiros discutiram a reversão da suspensão do atacante norte-americano Folarin Balogun, após um pedido de revisão feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a entrega do Prêmio da Paz da Fifa ao líder norte-americano e o financiamento das federações nacionais.
Debbie Hewitt, presidente da Federação Inglesa de Futebol (FA) e vice-presidente da Fifa, afirmou que várias questões importantes continuam sem resposta. Apesar disso, classificou o encontro como "a reunião do Conselho mais robusta, franca e aberta" de que já participou.
A dirigente britânica destacou que pediu diversas vezes acesso aos documentos relacionados aos casos discutidos, mas não recebeu o material.
"Pedi repetidamente para que os documentos fossem compartilhados. Não os recebi e, apesar do pedido de hoje, continuo sem recebê-los. Trata-se da fundamentação para a forma como a FFE aconteceu, o caso de Balogun, o Prêmio da Paz. As respostas a essas perguntas determinarão, do meu ponto de vista pessoal, se Gianni é ou não o candidato certo. Será a partir desse momento que poderemos dizer se qualquer pessoa envolvida na FFE é de confiança ou não", declarou.
Infantino demonstrou "algum arrependimento"
Hewitt reconheceu que Infantino demonstrou "algum arrependimento", mas questionou o alcance do pedido de desculpas. Segundo ela, o presidente lamentou principalmente não ter apresentado o projeto ao Conselho, e não a iniciativa em si.
"Se o arrependimento é tão profundo, que compartilhe conosco. Da minha perspectiva, nada mudou. Não tenho nenhuma informação nova que me faça pensar de forma diferente, além do fato de termos um presidente que pediu desculpa", afirmou.
A Fifa realizará eleições em março do próximo ano, e Infantino pretende disputar um terceiro mandato. O prazo para o registro de candidaturas termina em 18 de novembro. Para Hewitt, é importante que haja alternativas na disputa pela presidência.
"É importante para o Gianni ter alguém com um manifesto diferente e bom para a Fifa ter essa escolha. Estamos numa democracia. Devemos lembrar-nos de que existem 211 federações e é essencial que todas tenham a oportunidade de votar conforme aquilo que sentem. Tem de ser alguém que coloque o futebol em primeiro lugar, que una o mundo e tenha a coragem de implementar reformas", disse.
Bernd Neuendorf, presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB) e integrante do Conselho da Fifa, também criticou a gestão de Infantino. Para ele, a entidade precisa passar por mudanças profundas, que não seriam possíveis com o atual dirigente no comando.
"Toda a administração necessita de uma reforma, mas é bastante claro que tal não será possível com o Gianni à frente da Fifa. Precisamos de um reinício político completo. É verdade que ele pediu desculpa, mas não senti que o tenha feito por causa do projeto, mas sim por não o ter divulgado ao Conselho", afirmou.
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