Fifa acusa Uefa de promover "campanha de difamação" contra Infantino
Entidade reage a pedido de documentos feito pelos europeus e defende projeto comercial de 4,2 bilhões de dólares que foi abandonado
A Fifa acusou a Uefa de difamação contra seu presidente, Gianni Infantino, após o fracasso de um projeto de investimento privado na estrutura comercial da Copa do Mundo. A crise aumentou após a entidade europeia acionar a Justiça dos EUA para exigir documentos da Fifa sob alegações de gestão danosa e subavaliação de ativos. Em resposta, a Fifa pediu a rejeição do pedido, sustentando que a ação carece de base legal e visa frear o ganho financeiro de federações menores.
A Fifa acusou a Uefa de promover uma "campanha de difamação" contra a entidade e seu presidente, Gianni Infantino, após o fracasso do projeto que previa a entrada de investidores privados em uma nova estrutura comercial ligada à Copa do Mundo.
A disputa ganhou força na última semana, quando a Uefa recorreu a um tribunal nos Estados Unidos para tentar obter documentos e provas da Fifa. O pedido faz parte de uma iniciativa relacionada a possíveis queixas criminais na Suíça. O órgão europeu acusa Infantino de "gestão danosa" e afirma que o projeto Fifa Forward Enterprise (FFE) previa uma avaliação abaixo do valor de mercado para beneficiar seus envolvidos. A iniciativa acabou sendo abandonada em julho.
Em documentos apresentados à Justiça americana e revelados pela BBC nesta quinta-feira (3), a Fifa pediu que o tribunal rejeite o pedido da Uefa até o fim do mês. Dessa forma, a entidade afirma que a argumentação apresentada pelos europeus possui "um defeito fundamental" e apresenta "deficiências legais".
"A Uefa procura obter provas para um processo-crime no estrangeiro que não existe e que a Uefa admite não ter autoridade para iniciar. Apesar desse problema liminar, a Uefa pede a este tribunal que autorize uma investigação abrangente sobre o FFE", afirmou a Fifa no documento.
Fifa sai em defesa do projeto
A entidade também reforçou que o FFE nunca passou de uma proposta e que sua implementação dependeria do apoio da maioria das federações filiadas, além das aprovações necessárias do Conselho da Fifa. Na avaliação da organização, a Uefa deveria ter participado desse processo em vez de tornar pública sua oposição.
"Em vez de participar desse processo democrático, a Uefa emitiu um comunicado de imprensa - o início de uma campanha de difamação de semanas contra a Fifa e a sua liderança", acusou a entidade máxima do futebol mundial.
Outro ponto levantado pela Fifa é o suposto interesse econômico da Uefa em impedir o fortalecimento financeiro de federações menores. Dessa maneira, a entidade argumenta que uma maior distribuição de recursos aos países em desenvolvimento aumentaria o nível de competitividade no futebol internacional e, consequentemente, reduziria o poder de mercado da organização europeia.
Oposição da Fifa
A Uefa não quis comentar as acusações. Fontes ouvidas pela BBC Sport, porém, avaliam que, se a Fifa não tem nada a esconder, deveria entregar os documentos solicitados para acelerar o processo judicial. A entidade europeia é uma das principais opositoras de Infantino, que atualmente enfrenta pedidos de renúncia de três confederações.
Além da Fifa, a Uefa também tenta obter informações sobre pessoas envolvidas diretamente no projeto. Dessa maneira, o órgão pediu a um tribunal de Nova York acesso a documentos e depoimentos do investidor Joshua Kushner, da empresa Thrive Eternal, e do empresário Greg Maffei. Kushner, que é cunhado de Jared Kushner, genro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, era apontado como principal investidor do FFE. Maffei atuava como um dos principais conselheiros do negócio.
A Thrive Eternal negociava com Infantino um investimento de 4,2 bilhões de dólares, equivalente a cerca de 3,1 bilhões de libras, por uma participação de 20% em uma nova subsidiária comercial da Fifa. O plano foi abandonado em julho após forte reação negativa.
Na época, a Fifa defendia que o projeto permitiria ampliar os recursos destinados às federações nacionais. A previsão era que os repasses subissem de 5,9 milhões de libras para 14,7 milhões de libras por federação no ciclo entre 2027 e 2030.
No último domingo (30), Kushner lamentou o fim das negociações e admitiu que os envolvidos não esperavam a dimensão que a disputa política tomaria.
"Embora defendamos as motivações do FFE, não conseguimos avaliar a dinâmica política do futebol mundial e até onde alguns iriam… se soubéssemos no que isto se transformaria, não nos teríamos envolvido", declarou.
Outra queixa da Uefa
A Uefa também sustenta que o projeto envolvia uma subavaliação de aproximadamente 15 bilhões de libras relacionada à Copa do Mundo. De acordo com os advogados da entidade, esse valor não foi definido por meio de um processo aberto e competitivo. Além disso, também não passou pela avaliação de um especialista independente.
Por fim, os europeus alegam ainda que Infantino não teria consultado adequadamente a estrutura interna da Fifa antes de avançar com o projeto.
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