Após tropeço na estreia, Espanha goleia Arábia Saudita e mostra seu verdadeiro potencial na Copa
Com atuação dominante do início ao fim, a Fúria venceu por 4 a 0 e reforçou por que segue entre as principais candidatas ao título mundial
A Espanha finalmente mostrou a versão que o mundo esperava ver nesta Copa do Mundo. Depois de uma estreia frustrante no empate sem gols contra Cabo Verde, a equipe comandada por Luis de la Fuente respondeu com autoridade ao golear a Arábia Saudita por 4 a 0 e recolocar seu nome entre os protagonistas do torneio.
Mais do que o placar elástico, chamou atenção a forma como os espanhóis construíram a vitória. Diferentemente do que aconteceu na primeira rodada, quando a posse de bola pouco se transformou em oportunidades reais, a seleção foi muito mais incisiva, vertical e objetiva. O domínio territorial existiu novamente, mas desta vez acompanhado de agressividade ofensiva e capacidade para transformar superioridade em gols.
A impressão deixada em Atlanta foi simples: bastou uma atuação um pouco mais inspirada de Lamine Yamal, desta vez titular, aliado a um sistema defensivo adversário menos eficiente do que o apresentado por Cabo Verde, para que a Espanha mostrasse com clareza o motivo de ser apontada por tantos como uma das favoritas ao título.
O jogo que a Espanha precisava fazer
Desde os primeiros minutos, a equipe espanhola controlou completamente o confronto. A pressão na saída de bola funcionou, a circulação de passes foi rápida e a Arábia Saudita raramente conseguiu respirar fora de seu campo defensivo.
Mesmo quando os sauditas encontraram alguns espaços em contra-ataques, principalmente na segunda etapa, a Espanha demonstrou um controle defensivo muito superior ao exibido na estreia. Houve equilíbrio entre os setores e poucas situações de real perigo para a meta espanhola.
O primeiro gol de Lamine Yamal em Copas do Mundo acabou simbolizando essa mudança de postura. O jovem participou ativamente da construção ofensiva e confirmou aquilo que já era esperado: dificilmente este será seu único gol em Mundiais.
Espanha não depende apenas de Yamal
No entanto, talvez a melhor notícia para os espanhóis nem tenha sido a atuação de sua principal estrela. Se Yamal voltou a ser decisivo, a grande demonstração de força coletiva veio através de Mikel Oyarzabal. Autor de dois gols, o jogador basco aproveitou os espaços oferecidos pela defesa saudita e foi fundamental para transformar a superioridade espanhola em uma vantagem confortável ainda no primeiro tempo.
A atuação do camisa 21 reforça uma característica importante desta seleção: o talento de jovens promessas como Yamal potencializa o time, mas não é o único motor do sistema ofensivo. A Espanha possui diferentes mecanismos para criar oportunidades.
Quando o jovem do Barcelona atrai marcações, surgem espaços para jogadores como Oyarzabal, Pedri, Dani Olmo ou qualquer outro atleta que ocupe os corredores ofensivos, além de boas chances a serem criadas em finalizações perigosas de fora da área. Essa variedade ofensiva é justamente um dos fatores que fazem a equipe permanecer entre as candidatas ao título, mesmo após o tropeço diante de Cabo Verde na decepcionante estreia.
Outro ponto positivo foi ver novamente Nico Williams ganhar minutos no fim do segundo tempo. Ainda sem o ritmo ideal, o atacante mostrou que pode agregar muito ao setor ofensivo ao longo da competição. Se recuperar plenamente a condição física durante o torneio, a Espanha poderá contar com uma das duplas mais explosivas e mortais da Copa: a combinação entre a velocidade de Williams e a criatividade de Yamal tem potencial para se transformar em um dos grandes diferenciais da competição mesmo que durante o mata-mata.
Uma Arábia Saudita que não faz jus à sua liga nacional
Se a Espanha sai fortalecida, a Arábia Saudita deixa a partida acumulando preocupações que vão além do resultado. A derrota escancarou uma limitação que já vem sendo observada há algum tempo em alguns países que apostam fortemente no crescimento de suas ligas nacionais através da contratação de estrelas estrangeiras.
Assim como ocorre com o Catar, por exemplo, o investimento financeiro elevou a visibilidade do campeonato local, mas não necessariamente produziu uma geração capaz de competir em alto nível internacional, diferente dos Estados Unidos, por exemplo, que parece ter montado um time minimamente competitivo para o Mundial em sua casa.
Nesses casos, a presença frequente em Copas do Mundo tende a aumentar com a expansão para 48 seleções. No entanto, a simples participação não significa evolução esportiva. O desenvolvimento de uma seleção competitiva passa, sobretudo, pela formação de atletas locais, pelo fortalecimento das categorias de base e pela criação de um ecossistema capaz de produzir e, principalmente, fortalecer talentos regularmente.
Contra a Espanha, a Arábia Saudita demonstrou organização em alguns momentos, mas esteve muito distante do nível exigido para competir contra seleções de primeira linha. Quando enfrentou uma equipe que acelerou o jogo e transformou posse de bola em profundidade, acabou se tornando uma presa relativamente fácil.
Enquanto a Espanha saiu de campo reafirmando seu potencial para sonhar alto na Copa, os sauditas deixaram Atlanta com a sensação de que investimentos milionários, sozinhos, não são suficientes para reduzir a distância que ainda separa algumas seleções da elite do futebol mundial.
Os liderados de De La Fuente voltma a campo na próxima sexta-feira (26), para o último e mais aguardado confronto da frase de grupos contra o Uruguai. Já a Arábia Saudita enfrenta Cabo Verde no mesmo dia, sonhando com uma classificação heroica para o mata-mata da Copa do Mundo.
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