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Campeonato Gaúcho

Amigo de Márcio Chagas, ex-palmeirense relata racismo no RS

23 mar 2014 - 07h47
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Em campo no último dia 5 de março, quando relatou ter sido alvo de racismo em Bento Gonçalves, o árbitro Márcio Chagas da Silva encontrou conforto na solidariedade do amigo Adriano Chuva, jogador do Esportivo que estava em campo contra o Veranópolis.

Adriano Chuva em ação pelo Palmeiras, em 2005: racismo foi sentido pelo atacante no interior gaúcho
Adriano Chuva em ação pelo Palmeiras, em 2005: racismo foi sentido pelo atacante no interior gaúcho
Foto: Marcelo Ferrelli / Gazeta Press

Com passagens por Canoas-RS e Juventude-RS no passado, além do Palmeiras, Adriano se forjou atleta no futebol gaúcho e conviveu muitas vezes com o preconceito a seu redor. Por isso, ofereceu auxílio ao amigo Márcio, de quem recebeu agradecimentos públicos nos últimos dias. 

"Ele conhece a minha família. Somos gaúchos, ele é um árbitro que tem carisma e tratamos sobre o que aconteceu assim que acabou o jogo. Me dirigi ao refeitório e depois nos encontramos. Como cidadão, da mesma cor, ficamos chateados. Muita coisa passa pela cabeça da gente, (...) e comentei que situações como aquelas ocorrem nas Serras Gaúchas", explica Adriano Chuva ao Terra

Os episódios que realmente marcaram o atacante, entretanto, não ocorreram em Bento Gonçalves, mas sim em Caxias do Sul, onde começou a carreira. "Cheguei em 96 para jogar no Juventude e na época não tinham muitos negros. Então tinha um certo constrangimento, mas as pessoas não manifestavam. Você sentia (racismo), mas são coisas que tem que esquecer. O sentimento ruim não leva a nada. Passei situações constrangedoras, mas não dentro de campo", conta. 

Esportivo de Bento Gonçalves pediu "Racismo não" após episódio com árbitro
Esportivo de Bento Gonçalves pediu "Racismo não" após episódio com árbitro
Foto: Divulgação

Adriano Chuva também cita que os anos 90 em Caxias eram mais difíceis em relação aos dias de hoje e que sentiu o preconceito muitas vezes no ar. "Meu caráter como jogador foi formado na Serra, com os (descendentes de) alemães, que foram duros. Havia muita diferença social, você é tratado diferente por não ter um carro bom ou não estar bem vestido. Às vezes não tem nada a ver com a cor. Hoje já mudou um pouco"

Situações que ocorreram nas quatro linhas, mas não diretamente com Adriano, também seguem em sua memória. "Houve o episódio com o zagueiro Antônio Carlos no jogo contra o Grêmio", recorda sobre gesto racista de Antônio contra o gremista Jeovânio em 2006. "Trabalhando no Juventude, já vi a torcida xingando (em tom racista) jogador do nosso time, pelo nome. Mas dentro de campo não pode ser radical. O mais grave é fora do campo", acredita. 

A menção é sobre o que houve com Márcio Chagas. Além de ser hostilizado durante o jogo, o árbitro encontrou seu carro danificado por torcedores que também atiraram bananas. Recentemente, o Esportivo foi absolvido, e Márcio afirmou que iria à Justiça Comum para tentar uma punição. 

Aos 33 anos e com certa rodagem, Adriano Chuva tenta amenizar os casos para levar a vida de maneira mais tranquila. "Não pode se achar que tudo é racismo. O negro tem que passar pros filhos que vai viver isso. Saber quando é até um carinho, uma brincadeira de amigo, para não deixar prejudicar. É preciso ter essa base". 

Márcio Chagas da Silva foi vítima de racismo no Campeonato Gaúcho
Márcio Chagas da Silva foi vítima de racismo no Campeonato Gaúcho
Foto: Getty Images

Fonte: Terra
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