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Cresce combate à homofobia no futebol brasileiro

13 jan 2020
11h06
atualizado às 11h08
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Parecia soar estranho para o meio do futebol o conteúdo da cartilha elaborada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) para a Copa América de 2007, na Venezuela. Naquele documento, a entidade pedia o fim das manifestações homofóbicas nos estádios de futebol. Treze anos depois, pelo menos no Brasil, há indícios cada vez mais fortes de que o problema tem solução. Bastam algumas ações.

Lance da partida entre Cruzeiro (MG) e Sport (PE) pela segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2020, na Arena Barueri
Lance da partida entre Cruzeiro (MG) e Sport (PE) pela segunda fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2020, na Arena Barueri
Foto: ANTÔNIO CÍCERO/PHOTOPRESS / Estadão Conteúdo

Com base em decisão de 2019 do Supremo Tribunal Federal (STF), que passou a considerar a homofobia como crime, os tribunais esportivos do País resolveram agir. Em junho do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu que passaria a punir clubes de futebol por cantos homofóbicos, com aplicação de multa e até perda de pontos.

Isso também afetou a relação direta das entidades com seus respectivos filiados. Não foi por acaso que o árbitro de Audax-SP x Sport, disputado em 9 de janeiro, pela Copa São Paulo de Futebol Junior, em Osasco, interrompeu a partida em razão de manifestações de torcedores do time paulista contra o goleiro Túlio, da equipe de Pernambuco.

Toda vez que cobrava tiro de meta, Túlio ouvia o grito ritmado de ‘bicha’ de parte da torcida adversária. Por isso, Thiago Luís Scarascati paralisou o jogo, por duas vezes, chamou os capitães dos dois times e até acionou o policiamento do estádio. O árbitro cumpriu protocolo estabelecido pela Confederação Brasileira de Futebol em agosto de 2019.

Sua atitude ainda é rara, pois é recente a primeira iniciativa idêntica no futebol brasileiro. Data exatamente de 25 de agosto do ano passado, quando o árbitro Anderson Daronco parou o jogo entre Vasco e São Paulo, pela 16ª rodada do Brasileiro, em São Januário. Isso porque ele ouviu de torcedores cariocas o grito “time de viado”, voltado para a equipe visitante, como relatou na súmula.

Na oportunidade, Daronco reportou o caso aos treinadores dos dois clubes, o que levou o então técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo, a fazer um apelo à torcida para que parasse de entoar o cântico preconceituoso.

Não foi à toa também que o diretor de futebol do Corinthians, Duílio Monteiro Alves, publicou um vídeo em redes sociais, na sexta-feira (dia 10), desculpando-se de uma declaração dada horas antes, quando o clube apresentava oficialmente seu novo contratado, o colombiano Victor Cantillo.

O jogador atuava pelo Junior Barranquilla com a camisa 24. Ao falar sobre isso, Duílio quis ser engraçado, sem se dar conta de que reforçava um preconceito ainda enraizado no futebol do Brasil. “24 aqui não”. O número 24 no Brasil é associado muitas vezes ao jogo do bicho, onde o numeral representa o animal veado.

Mais recentemente, a Fifa definiu que as eliminatórias da Copa do Mundo de 2022, que começam este ano, vão ser mais rigorosas no combate ao racismo e à homofobia nos estádios. Dependendo da situação, o árbitro até poderá cancelar a partida em andamento.

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Fonte: Silvio Alves Barsetti
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