Na volta do Brasileirão, Corinthians reencontra rival de noite dramática e adeus de técnico que ficou seis dias
Contra o Remo, oponente inédito no Brasileirão por pontos corridos, Corinthians obteve classificação emocionante na Copa do Brasil em 2023.
Na próxima quinta-feira (23), o Corinthians voltará a campo em uma partida oficial após um hiato de 54 dias devido à pausa para a Copa do Mundo. O último compromisso alvinegro foi a vitória por 3 a 1 sobre o Grêmio, em Porto Alegre, pelo Brasileirão. E o duelo contra o Remo, na Neo Química Arena, pela 19ª rodada do competição nacional, não é só um reencontro da equipe com a Fiel. Afinal, ele também promove o despertar de um memória recente de jogo que teve detalhes memoráveis.
Há pouco mais de três anos, em 26 de abril de 2023, o Corinthians fez seu último duelo contra a equipe paraense. Diante de quase 40 mil torcedores em Itaquera, a equipe conquistou uma dramática classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil. Ela ocorreu com um gol nos acréscimos e triunfo nos pênaltis. Ademais, a partida ficou célebre não só pelo resultado com enredo emocionante em campo. Após o apito final, o então treinador corintiano anunciou sua saída do comando com apenas dois jogos no cargo e seis dias de trabalho.
"Eu saio neste momento, mas não é pelo o que eu queria. Espera-se uma vida inteira para estar aqui. Mas é um pedido da minha família. 'Pai, vem, estamos precisando'. Amanhã estou em casa, vou cuidar de vocês", explicou Cuca, hoje no Santos, com recado a seus familiares ao anunciar o pedido de demissão com menos de uma semana no clube.
À época, Cuca resolveu desistir repentinamente do emprego após seguidos protestos de torcedores e de representantes do futebol feminino do clube. Além disso, houve repercussão negativa na imprensa durante os seus poucos dias na função. A razão para o ambiente hostil ao treinador foi uma condenação ocorrida na Suíça, em 1989, que posteriormente seria anulada, por coação e ato sexual com uma adolescente de 13 anos.
O fato ocorreu em 1987 em Berna, a capital do país alpino, quando Cuca atuava como jogador do Grêmio em uma excursão do clube gaúcho à Europa. Em janeiro de 2024, o Tribunal Regional de Berna-Mitteland anulou a condenação ao reconhecer que o julgamento ocorreu à revelia. Ou seja, sem que o réu ou seus advogados estivessem presentes. No entanto, vale ressaltar que a justiça local não discutiu o mérito do caso. Portanto, não houve um parecer sobre culpa ou inocência do brasileiro.
Tema voltou à tona em rival
Ao ser apresentado no Santos, em 20 de março deste ano, Cuca voltou a tocar no assunto ao ser questionado sobre as novas manifestações de desagrado de parte de torcedores nas redes sociais, desta vez santistas.
"Quando fui ao Corinthians, teve aquela enxurrada, tudo aquilo que aconteceu. Me reuni com minha família, minhas filhas, minha mulher, e falei: vamos resolver. Fomos atrás do problema no exterior, fizemos tudo que um ser humano pode fazer para reabrir o processo e não conseguimos mais do que tudo que foi feito, que foi a anulação, que foi paga uma indenização - que não precisava também -, que foi trazer para casa a dignidade de um homem, que, no caso, naquele Corinthians, me machucou bastante", declarou.
O treinador emendou explicando que levou muito tempo para compreender a gravidade do fato e ressaltou que atualmente está engajado no combate à violência contra a mulher.
"Eu entendo as pessoas que ficam decepcionadas, elas vivem das notícias, mas, assim, eu peço que elas me entendam também. Eu fiz tudo o que podia dentro da condição ideal. O importante hoje não é o Cuca, é a causa, e eu já falei o que faço pela causa e vou continuar fazendo. Minha jornada não acabou, tem muito caminho pela frente", completou.
Em campo, um pequeno épico e recorde de Cássio
Naquela noite de abril, contra o clube paraense, a torcida corintiana viveu mais um capítulo de sua experiência autodeclarada "sofredora". A equipe havia perdido o jogo de ida para o Remo 14 dias antes por 2 a 0, no Mangueirão, sob o comando de Fernando Lázaro. Por isso, precisava vencer por dois gols de diferença para forçar a disputa por pênaltis ou, no mínimo, por três para avançar diretamente.
O Timão conseguiu devolver os 2 a 0, com gols de Adson e Róger Guedes. A equipe abriu o placar com apenas um minuto, dando a falsa impressão de que a classificação viria com folga. Entretanto, foi só no acréscimos do segundo tempo, aos 48 minutos, que o então camisa 10 alvinegro fez o segundo.
Nos pênaltis, Cássio defendeu a cobrança de Leonan e o Corinthians venceu por 5 a 4 após o próprio Róger Guedes converter a quinta penalidade. A defesa fez o goleiro tornar-se o recordista em pênaltis defendidos pelo clube, ultrapassando outro ídolo da posição, Ronaldo Giovaneli. Em 2024, Cássio transferiu-se para o Cruzeiro com a impressionante marca de 32 defesas em cobranças de pênalti pelo clube paulista.
Na Copa do Brasil de 2023, o Corinthians ainda iria superar duas equipes mineiros, Atlético e América, até cair nas semifinais para o rival São Paulo, campeão daquela edição.
Duelo inédito nos pontos corridos
Além de reacender as lembranças de uma noite ainda fresca na memória e marcar o retorno do Corinthians às competições oficiais, a partida da próxima quinta-feira será o primeiro confronto contra o Remo no Campeonato Brasileiro em mais de quatro décadas. As equipes nunca se encontraram na era dos pontos corridos, que vigora desde 2003.
O último jogo entre os clubes na principal competição nacional, aliás, foi no longínquo ano de 1980, mais precisamente em um 19 de março. Para ser ter uma ideia da distância temporal, o Corinthians teve em campo nessa partida ídolos como Basílio, Sócrates e Wladimir.
Como mandante, o último duelo do Corinthians contra o Remo ocorreu na década de 1970. Em 1976, o Timão fez 3 a 0 nos paraenses, no Pacaembu, estádio municipal que desde 2020 é administrado por regime de concessão e foi, até a inauguração da Neo Química Arena, o principal palco dos jogos corintianos.
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