"Parça" de Trump e pai condenado: conheça o homem que pode comprar a Copa
Joshua Kushner tem laços familiares com presidente dos EUA e histórico de escândalos da família, o que amplia a pressão sobre Gianni Infantino
O plano da Fifa de vender uma participação comercial da Copa do Mundo para investidores privados ganhou um novo foco de críticas ao colocar Joshua Kushner no centro da operação. Bilionário e fundador da gestora Thrive Capital, o empresário lidera o grupo que negocia a compra de uma fatia da nova empresa criada por Gianni Infantino para administrar os direitos comerciais do Mundial. A proposta, entretanto, vai muito além do aspecto financeiro e reacendeu o debate sobre a aproximação da entidade com a família de Donald Trump.
Embora Joshua Kushner tenha construído carreira própria no mercado de tecnologia e investimentos, seu sobrenome está diretamente ligado a uma das famílias mais influentes e controversas da política americana. Ele é irmão de Jared Kushner, marido de Ivanka Trump e um dos principais conselheiros do presidente dos Estados Unidos durante seu primeiro mandato. Segundo o jornal britânico The Times, pessoas envolvidas nas negociações afirmam que Jared também atua nos bastidores do projeto, mesmo sem aparecer oficialmente entre os investidores.
Elos fortes com o poder
As ligações da família Kushner acumulam episódios polêmicos. O patriarca, Charles Kushner, foi condenado por crimes como fraude fiscal, contribuições ilegais para campanhas eleitorais e manipulação de testemunhas. Um dos casos de maior repercussão envolveu a contratação de uma prostituta para comprometer o próprio cunhado em uma tentativa de impedir seu depoimento na Justiça. Charles cumpriu pena de prisão e acabou recebendo perdão presidencial concedido por Donald Trump em 2020. Foi nomeado embaixador dos EUA na França e em Mônaco no ano passado.
Joshua costuma se apresentar como uma exceção dentro da família. Casado com a modelo Karlie Kloss, da famosa agência Victoria Secret, ele afirma ser democrata e mantém distância pública das posições políticas de Trump. Ainda assim, sua participação na operação não reduziu os questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse. Justamente porque o projeto da Fifa surge em meio à relação cada vez mais estreita entre Infantino e Trump durante a Copa.
Projeto enfrenta rejeição de federações
A Thrive Capital administra cerca de 18,6 bilhões de libras (R$ 127,1 bilhões) em ativos e reúne investimentos em algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo. Agora, a gestora aparece como favorita para liderar um aporte bilionário na subsidiária comercial que a Fifa pretende criar. Pelo plano apresentado às 211 federações nacionais, investidores privados comprariam cerca de 20% da empresa, enquanto a entidade manteria o controle acionário e distribuiria incentivos financeiros às associações que aprovarem a proposta.
O projeto, porém, enfrenta forte resistência. Uefa, Concacaf e a Confederação Asiática criticaram a falta de transparência nas negociações. Inclusive, acusam a Fifa de tentar transformar a Copa do Mundo em um ativo financeiro permanente para fundos privados. Nos EUA, parlamentares democratas anunciaram uma investigação sobre as conexões entre Infantino, Trump e o grupo de investidores liderado por Joshua Kushner. A medida ampliou a pressão sobre o dirigente às vésperas da votação que decidirá o futuro comercial da principal competição do futebol mundial.
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