Opinião: contra o Japão, foi. Mas Brasil precisa de mais coragem para buscar o hexa
Carlo Ancelotti vai precisar de muito mais agressividade e ousadia nos quatro jogos que faltam, caso chegue à final
Não seria barbada, quem acompanha futebol sabe. Mas não precisava de tanto sofrimento. A classificação do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo, com 2 a 1 de virada, nos acréscimos, contra o Japão confirmou o equilíbrio do futebol atual. Mas para lutar pelo hexacampeonato, a Seleção de Carlo Ancelotti vai precisar de muito mais agressividade e ousadia nos quatro jogos que faltam, caso chegue à final.
Os japoneses fizeram no primeiro tempo exatamente o que deles se esperava: um ferrolho bem armado para jogar nos contra-ataques. Foi assim que saiu o gol que ajudou a desestabilizar o perdido e pouco criativo time brasileiro antes do intervalo. A posse de bola ampla não reverteu em gols. No campo, os brasileiros não sabiam o que fazer para furar a defesa japonesa, e o meio-campo parecia pouco combativo. Foi um excesso de respeito.
Tudo – ou quase tudo – mudou quando Ancelotti resolveu apostar. Criticado no começo da Copa por insistir com quatro atacantes, entendeu que contra o ferrolho nipônico hoje só com artilharia pesada e organização. Ainda que o meio ficasse desguarnecido e corresse mais riscos.
Com Endrick pelo meio e um Rayan muito mais agudo do que na primeira etapa, e depois com Martinelli no lugar de Matheus Cunha, até mesmo o jogo de Vini Jr. cresceu. O camisa 7 não conseguiu manter a média de fazer gols em todos os jogos nos Estados Unidos – apesar daquela bola que caprichosamente parou na trave -, mas entendeu que precisaria de ajuda hoje para brilhar, fazendo uma partida mais solidária do que decisiva.
O gol do empate veio com Casemiro, que amarelado e pesado no primeiro tempo, seguiu no jogo e subiu mais do que a defesa para cabecear para dentro da rede. Ancelotti, aqui, teve mais sorte do que juízo. Viu seu camisa 5, que quase entregou o jogo, fazer o gol que manteve o Brasil. Poderia ter colocado Fabinho antes. Mas hipótese não ganha jogo, então vamos considerar o gol e pronto.
A virada, com gol de Martinelli que também beijou a trave, nos acréscimos, foi uma catarse no estádio de Houston. Esse é o sofrimento que o torcedor diz que gosta. Mas que sabe que não precisa.
Aceitar a marcação japonesa, como fez no primeiro tempo, não pode ser atitude de pentacampeão que quer encerrar jejum de 24 anos. O respeito ao adversário, para fugir do salto alto, não pode virar apatia. Camisa tem peso sim, e está na hora de aceitar que um pouco de soberba não faz mal a ninguém.
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