Brasileiro virou ídolo no futebol japonês após convite de Zico, foi garoto-propaganda de peruca e agora dá o caminho para Seleção avançar no mata-mata
Ex-atacante Alcindo atuou no Kashima Antlers, Verdy Kawasaki e Consadole Sapporo
A Seleção Brasileira vai enfrentar o Japão no mata-mata da Copa do Mundo 2026, que acontece na segunda-feira, 29, às 14h (de Brasília), em Houston, nos Estados Unidos. E o ex-atacante brasileiro Alcindo, hoje com 58 anos, que começou a carreira no Flamengo, passou pelo Corinthians, São Paulo, Grêmio e Fluminense, conhece bem o futebol praticado na Terra do Sol Nascente.
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Em 1993, Alcindo aceitou o convite de Zico para defender o Kashima Antlers, onde ficou por dois anos antes de ser vendido para o Verdy Kawasaki. Ele ainda defendeu o Consadole Sapporo. O ex-atacante ficou no futebol japonês entre 1993 e 1997.
O brasileiro fez tanto sucesso no futebol japonês que teve seu nome eternizado na cidade de Kashima. “Lá tem meu pé está na Calçada da Fama do clube e também estou no museu e eu sou muito grato por isso. É o reconhecimento do trabalho que eu fiz. Me sinto lisonjeado e feliz com essa homenagem”, contou em entrevista ao Terra.
Além do sucesso dentro de campo, Alcindo também conseguiu uma grana extra como garoto-propaganda de peruca no Japão. “Na época uma empresa que fabrica perucas me procurou, fiz propaganda e tudo mais. Foram três anos de contrato e até deu pra faturar um pouco mais”, relembra o ex-jogador, que tinha entradas e era mais calvo.
Apesar do carinho pelo povo japonês, Alcindo aconselha a Seleção Brasileira e dá a letra de como passar pelo rival no mata-mata nos Estados Unidos.
“O Japão sempre teve a dificuldade na bola aérea, porque os jogadores sempre foram mais baixos, pela estatura. É um ponto vulnerável e o jogador brasileiro tem essa qualidade e pode aproveitar essa diferença no individual. Esse pode ser o caminho.”
Apesar de ser favorito diante dos japoneses, o ex-atacante não acredita que os comandados do técnico Carlo Ancelotti possam golear os rivais. “Não vai sair goleada de nenhum lado, esquece, acabou aquele tempo”, comentou. “Vai ser um jogo difícil para o Brasil, porque a seleção japonesa evoluiu muito nesses anos. Nunca mais ficou fora da Copa do Mundo, depois que classificou a primeira vez. O trabalho desenvolvido é sempre muito bem feito.”
“O Japão vem jogando muito bem nessa Copa, fez dois bons jogos nas duas primeiras rodadas e ficou no empate contra a Suécia porque o rival lutou muito para não ser eliminado. E ainda marcou um golaço.”
Para Alcindo, o Japão é uma equipe bem disciplinada em campo. “O time japonês é um muito forte no conjunto. Não tem um destaque individual. Os jogadores japoneses cresceram muito, já que vários estão atuando na Europa e pegaram muita experiência.”
E devido aos bons atributos à seleção japonesa, Alcindo não afasta a possibilidade de o Brasil ser eliminado na competição. “Tem essa possibilidade, é lógico. O futebol é decidido dentro das quatro linhas. Tem vários exemplos nesse mundial como Cabo Verde que empatou com a Espanha, o Equador ganhou da Alemanha. O futebol hoje está muito equilibrado”, destacou.
Apesar do sucesso que fez no futebol japonês, o ex-jogador acredita no hexacampeonato, mas faz um alerta. “Tem que jogar muito mais. Vejo que o Brasil está evoluindo e crescendo durante a Copa do Mundo e isso é muito bom. Claro que a nossa torcida pelo hexa não vai faltar.”
E para conquistar o título, Alcindo aponta um jogador que vem desequilibrando nesta Copa do Mundo 2026: “Nós temos uma carta na manga muito forte, que é o Vinícius Júnior que está jogando bem demais.”
Apesar de a Seleção Brasileira ter sido derrotada por 3 a 2, de virada, Alcindo acredita que isso não pode atrapalhar em nada na Copa do Mundo, uma vez que foi um amistoso. “Aquilo é passado e não tem nada a ver. Lá teve o problema do fuso horário, falha individual”.
Presente como Agricultor
Desde que voltou do Japão, em 1997, Alcindo fixou residência em São Miguel do Iguaçu, no Paraná, próximo a Foz do Iguaçu e largou do futebol. “Hoje, eu tenho uma fazenda de soja e milho. Trabalho com agricultura para sobreviver”.
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