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Terra na Copa

Justiça dos EUA aponta R$ 19 mi em propina pagos para Marin

Alexander Hassenstein - FIFA / Getty Images

"Já está na hora de recebermos alguma coisa. Verdade ou não?", teria perguntado Marin

27 mai 2015
17h56
atualizado às 19h53
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A extensão das denúncias relacionadas ao ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi revelada em um dos relatórios divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Com 164 páginas, o documento detalha as acusações feitas ao brasileiro e outros seis dirigentes vinculados à Fifa, presos em Zurique, na Suíça, nesta quarta-feira.

Inicialmente, o nome de Marin foi citado em investigações de propina relacionada às próximas quatro edições da Copa América - dentre elas, a Copa América Centenária, a ser realizada em próprio território norte-americano, em 2016, como celebração dos 100 anos da competição. A empresa Datisa contribuiria com cerca de US$ 110 milhões (aproximadamente R$ 340 milhões, pela cotação atual) em suborno que lhe garantiria direitos sobre o torneio até 2023. Segundo o relatório, US$ 40 milhões já teriam sido pagos e divididos entre os dirigentes indiciados.

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Deste modo, os presidentes da CBF, da Conmebol e da AFA (Federação Argentina de Futebol) receberiam cerca de US$ 3 milhões cada (R$ 9,6 milhões), por edição. Já os mandatários das demais federações embolsariam US$ 1,5 milhão cada (R$ 4,7 milhões). Por fim, um investigado ainda não identificado ficaria com os US$  500 mil restantes (R$ 1,6 milhão).

A edição histórica de 2016, nos Estados Unidos, renderia ainda mais propina: US$ 30 milhões (R$ 96 milhões) que seriam divididos novamente, sob a mesma proporção. Dessa quantia, o FBI acredita que Marin já tenha recebido US$ 6 milhões (R$ 19 milhões).

É importante notar que o documento não cita os nomes dos personagens, tratando-os apenas como "Co-conspirator" (co-conspirador) e um número de identificação. Dentre eles, apenas os números 1 e 2 podem ser reconhecidos: o ex-secretário geral da Concacaf, Chuck Blazer, e o dono da Traffic, José Hawilla.

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Segundo a investigação, uma rede bancária dos Estados Unidos foi utilizada nas transações em âmbito doméstico e internacional. Ainda há um diálogo entre Marin e o suposto Co-conspirador #2, no qual o ex-presidente da CBF questionou se ainda havia necessidade de manter os pagamentos ao seu antecessor no cargo da entidade (Ricardo Teixeira, não citado nominalmente).

"Já está na hora de recebermos alguma coisa. Verdade ou não?", teria perguntado Marin. "Claro, claro, claro. Esse dinheiro tinha que ser dado a você", respondeu o Co-conspirador #2. De acordo com o documento, o diálogo teria ocorrido em Miami, durante um evento de anúncio da Copa América Centenário de 2016. Dessa forma, o ex-presidente da CBF repartiria cerca de R$ 2 milhões com outros dois cartolas a cada ano de contrato com a empresa na Copa do Brasil - o vínculo seria válido até 2022, totalizando R$ 20 milhões a serem divididos.

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O relatório também apresenta um capítulo relacionado à Copa do Brasil, no qual a investigação aponta uma disputa entre duas empresas de marketing esportivo pelos direitos sobre o torneio a partir de 2013. O entrevero, no entanto, teria sido resolvido em um acordo em agosto de 2012. A concorrente da Traffic não teve o nome citado, tratada apenas como Co-conspirador #6. Porém, é sabido que a empresa que competiu com a empresa de Hawilla na época foi a Klefer, do ex-presidente do Flamengo, Kleber Leite.

Indicado por Ricardo Teixeira, Kleber foi derrotado por Fábio Koff nas eleições para comandar o extinto Clube dos 13, em 2010, por 12 votos a 8. Os seguintes clubes votaram a favor de Koff: Atlético-MG, Atlético-PR, Bahia, Flamengo, Fluminense, Grêmio (clube que viria a ser presidido por Koff), Guarani, Inter, Palmeiras, Portuguesa, São Paulo e Sport. Do outro lado, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Santos, Vasco e Vitória apoiaram Kleber Leite.

O documento ainda trata das negociações com a fornecedora de material esportivo Nike, identificada apenas como "empresa de material esportivo norte-americana". De acordo com o relatório, o primeiro contato com a CBF foi realizado após a conquista da Copa do Mundo de 1994, vencida justamente nos Estados Unidos pela Seleção Brasileira. Na ocasião, a entidade tinha acordo com a britânica Umbro, encerrado em 1996 com uma compensação financeira paga pela própria Nike.

Foto: AFP
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