Atlético-MG tem volume, mas falta decisão; Grêmio agradece
Eduardo Domínguez errou nas substituições, enquanto o Grêmio fez o que o adversário não conseguiu: aproveitar a chance decisiva
Apesar de dominar a partida e criar várias chances na Arena MRV, o Atlético-MG pecou na finalização, sofreu com a expulsão de Vitão e mexidas ruins do técnico, sendo eliminado da Copa do Brasil. Eficiente e cirúrgico na defesa e no ataque, o Grêmio aproveitou a chance com Carlos Vinícius para marcar e avançar. A partida evidenciou que o volume do Galo não superou a precisão tática e decisiva do Tricolor gaúcho, provando que ter a posse de bola não garante a vitória.
O Atlético-MG teve a bola, ocupou o campo adversário e empilhou iniciativas ofensivas. Faltou o principal: saber o que fazer com tudo isso. Na Arena MRV, o Galo dominou boa parte do confronto, especialmente no primeiro tempo, mas terminou eliminado.
O Grêmio não precisou jogar mais. Precisou fazer melhor o que realmente decide uma partida: marcar gols.
É uma diferença que parece óbvia, mas que ainda custa caro ao Atlético. O time de Barba teve volume, pressionou, criou dificuldades e chegou a dar a impressão de que poderia construir a classificação.
Só que futebol não premia intenção, nem distribui vaga por quantidade de ataques. O Tricolor gaúcho se fechou melhor na etapa final, encontrou o espaço necessário e foi cirúrgico.
Carlos Vinícius, mais uma vez, mostrou que centroavante não precisa de dez oportunidades para justificar sua presença. Basta saber decidir.
Seria injusto, entretanto, colocar todos os atleticanos no mesmo pacote de críticas. Nathanael e Alan Franco fizeram boas partidas, justamente dois jogadores que costumam receber cobranças da arquibancada.
É curioso como, em determinados momentos, a avaliação da torcida parece ter vida própria: alguns entram em campo já condenados, independentemente do que entreguem. Nesta noite, os dois responderam jogando.
Vitão também merece uma análise sem conveniência. A expulsão foi justa. Não há necessidade de procurar uma conspiração para explicar uma decisão que, no meu entendimento, foi correta. Isso não absolve a arbitragem de uma atuação marcada por critérios incoerentes.
Houve marcações difíceis de compreender e uma condução que contribuiu para aumentar a tensão. O problema é que reclamar do árbitro não transforma uma eliminação em injustiça.
Eduardo Domónguez, por sua vez, precisa olhar para o próprio banco. As substituições não ajudaram.
Dudu e Gustavo Scarpa não pareciam oferecer aquilo de que o Atlético precisava naquele momento. Mateo Cassierra e Fred demoraram a entrar. É verdade que não conhecemos as condições físicas dos dois, e seria irresponsável ignorar essa possibilidade.
Mas a dúvida sobre a condição dos jogadores não elimina a pergunta sobre o momento das alterações.
O Grêmio foi eficiente. O Galo precisa ser honesto
Não há motivo para terra arrasada em Belo Horizonte, mas também não há espaço para transformar a eliminação em uma derrota honrosa. O Atlético-MG teve condições de buscar algo maior e não conseguiu.
Errou na execução, desperdiçou o próprio domínio e teve decisões questionáveis à beira do campo.
O Grêmio merece o reconhecimento pela classificação, mas não deveria sair da Arena MRV acreditando que encontrou a fórmula para resolver todos os seus problemas.
A equipe foi eficiente na Copa do Brasil, mas ainda tem muito a corrigir se pretende permanecer na primeira divisão e conquistar o torneio.
No fim, fica a lição mais incômoda para o Galo: jogar mais não significa jogar melhor.
O Atlético-MG teve volume.
O Grêmio teve decisão.
E, no futebol, é o segundo que levanta a vaga.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.