A humilhação do Remo vai muito além do placar
Goleado por 6 a 1 pelo Palmeiras, time paraense expõe erros de planejamento, falta de competitividade e ausência de reação na luta contra o rebaixamento
A humilhante goleada de 6 a 1 sofrida diante do Palmeiras escancarou a total incapacidade do Remo de competir na Série A. Muito além da fragilidade técnica, o time demonstra desorganização crônica, passividade e ausência de reação dentro de campo, contrariando o discurso de permanência da diretoria. Embora a queda ainda não esteja matematicamente selada, a falta de competitividade e de planejamento indica um rebaixamento moral iminente, que caminha para selar um desfecho frustrante na temporada.
O Remo não foi apenas goleado por 6 a 1 pelo Palmeiras. Foi exposto como uma equipe sem capacidade de competir na Série A do Campeonato Brasileiro.
Longe de Belém, o time apresentou um futebol constrangedor. Faltaram organização, resistência e, principalmente, qualquer sinal consistente de reação.
Uma goleada pode acontecer no futebol. O que não pode ser tratado como acidente é a repetição de atuações que revelam uma equipe despreparada para enfrentar as exigências da elite.
O Palmeiras encontrou espaços, impôs seu ritmo e transformou as fragilidades azulinas em um placar que poderia ter sido ainda mais elástico.
O problema do Remo não está somente na diferença técnica em relação aos adversários. Está na ausência de respostas dentro de campo.
Quando sofre um gol, não consegue se reorganizar. Quando precisa mudar a postura, não encontra alternativas. Quando o jogo exige personalidade, entrega um desempenho que parece anunciar a própria desistência.
A Série A cobra planejamento, elenco qualificado e competência para atravessar momentos difíceis. O Remo, até aqui, tem apresentado justamente o contrário.
A distância entre o discurso de permanência e o futebol demonstrado cresce a cada rodada. E não há mobilização da torcida capaz de compensar indefinidamente os erros de quem tem a responsabilidade de conduzir o clube.
O torcedor não merece ser submetido a esse tipo de espetáculo. Apoiar não significa aceitar passivamente a falta de competitividade, muito menos tratar derrotas humilhantes como episódios sem consequências.
O rebaixamento começa antes da matemática
Ainda que a tabela não tenha decretado matematicamente a queda, existe um rebaixamento que se manifesta antes da confirmação oficial: o moral.
É quando uma equipe deixa de transmitir confiança, não apresenta sinais de reação e passa a entrar em campo sem demonstrar acreditar na própria capacidade de superar as dificuldades.
É nesse estágio que o Remo parece estar. A goleada diante do Palmeiras não criou o problema. Apenas escancarou uma realidade construída por atuações muito abaixo do necessário para permanecer na elite.
O Leão ainda pode lutar contra o destino imposto pela tabela. Mas precisará abandonar a condição de figurante e apresentar respostas imediatas.
Permanecer na Série A exige muito mais do que esperança e declarações de confiança. Exige futebol, responsabilidade e respeito à torcida.
Do jeito que está, a Série B de 2027 deixou de ser apenas uma ameaça distante. O Remo está moralmente rebaixado. E a goleada por 6 a 1 é mais um retrato de uma temporada que caminha para terminar em frustração.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.
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