Futebol: Fifa responde a ameaças legais da UEFA
Em conflito aberto com a UEFA, a Fifa contra-atacou nesta terça-feira (29) diante da oposição da entidade máxima do futebol europeu ao projeto, posteriormente abandonado, de Gianni Infantino de abrir a Fifa a investidores privados. A organização acusa a confederação europeia de conduzir "uma campanha de desinformação" com o objetivo de "influenciar" a eleição presidencial da Fifa em 2027.
A Fifa pediu à Justiça da Flórida a rejeição de uma ação da UEFA que exige acesso a documentos de um antigo projeto comercial de Gianni Infantino. A entidade máxima do futebol alega que o processo visa apenas assediá-la e interferir na eleição presidencial de 2027. O embate reflete a crise política entre Infantino, único candidato à reeleição, e confederações opositoras que demandam reformas de governança e a redistribuição de reservas financeiras da instituição às federações.
Enquanto a UEFA apresentou um pedido a um tribunal da Flórida para obter acesso a documentos relacionados ao projeto de Infantino, a entidade máxima do futebol mundial respondeu com uma carta contundente de 26 páginas, solicitando que a Justiça da Flórida rejeite o pedido, considerado por ela "claramente excessivo". Segundo a Fifa, a verdadeira intenção da UEFA é influenciar a eleição presidencial marcada para 18 de março de 2027. Até o momento, Gianni Infantino é o único candidato à própria sucessão.
"A UEFA está agindo com o objetivo de assediar, e não por qualquer necessidade legítima de produção de provas", acusa a Fifa, que também afirma que a entidade europeia age "de má-fé".
No fim de agosto, a UEFA, cujo presidente, Aleksander Ceferin, lidera a oposição a Infantino, abriu caminho para uma ação por "gestão desleal" contra o presidente da Fifa. A infração pode resultar em até cinco anos de prisão e exige a comprovação de que ele prejudicou deliberadamente os interesses da entidade.
Para isso, a poderosa confederação europeia acionou a Justiça da Flórida para obrigar as subsidiárias americanas da Fifa a entregar uma série de documentos relacionados ao projeto Fifa Forward Enterprise (FFE). A proposta do dirigente ítalo-suíço, abandonada após fortes críticas, previa transferir as receitas da Copa do Mundo para uma empresa aberta a investidores privados.
Acusações 'falsas e enganosas'
Em seu pedido de 60 páginas, consultado anteriormente pela AFP, a UEFA afirmou que a documentação serviria para embasar "um processo no exterior", a ser posteriormente apresentado à Justiça suíça contra Gianni Infantino e, possivelmente, outros dirigentes e conselheiros da Fifa.
Segundo a Fifa, "o processo da UEFA contém diversas alegações falsas ou enganosas sobre a Fifa e sobre Infantino". A entidade acrescenta que, "sem qualquer fundamento, a UEFA sugere que Infantino tentou obter vantagens pessoais" ao propor a abertura da Copa do Mundo a investidores privados.
"A Fifa teria falhado em seu dever se não tivesse avaliado um projeto como o FFE, especialmente considerando a ampla presença de estruturas semelhantes nos mercados de esportes e entretenimento", argumenta a entidade, rejeitando qualquer acusação de má gestão.
A Fifa sustenta ainda que o projeto de venda de direitos relacionados à Copa do Mundo dependia da aprovação tanto das 211 federações filiadas quanto do Conselho da Fifa. Por isso, considera que "as insinuações da UEFA de que Infantino teria violado alguma lei ou princípio ético são completamente infundadas".
Procurada pela AFP, a UEFA preferiu não comentar.
Redistribuição de recursos
A resposta da Fifa representa mais um capítulo da crise que, desde meados deste ano, opõe a entidade à UEFA e a outras confederações, como a Concacaf (América do Norte, América Central e Caribe) e a AFC (Ásia). Essas organizações pedem uma reforma da governança da Fifa, e algumas delas chegaram a defender a renúncia de Infantino.
Há dez dias, Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, e Victor Montagliani, presidente da Concacaf e apontado como possível candidato à eleição presidencial, solicitaram que a Fifa distribuísse "pelo menos US$ 10 milhões (cerca de R$ 52 milhões)" para cada uma das 211 federações filiadas. A proposta previa o uso das reservas da entidade, estimadas por eles em "cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 31 bilhões)".
Na noite de segunda-feira (28), Gianni Infantino também respondeu a essa demanda. Em carta enviada aos presidentes das seis confederações e consultada pela AFP, ele afirmou estar aberto a discutir uma distribuição mais ampla dos recursos da Fifa, mas sem se comprometer antecipadamente com qualquer valor específico.
Além disso, o presidente da Fifa, cuja gestão vem sendo alvo de fortes críticas e até de pedidos de afastamento, propôs na semana passada uma consulta às federações filiadas para discutir mudanças no funcionamento da entidade. Ele prometeu analisar as sugestões na próxima reunião do Conselho da Fifa, marcada para 15 de outubro.
Enquanto isso, o dirigente ítalo-suíço continua sendo o único candidato à presidência da instituição. O prazo para a apresentação de candidaturas termina em 18 de novembro.
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