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Tragédia no Ninho do Urubu completa um ano com dor e divergências

8 fev 2020
08h25
atualizado às 08h25
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O capítulo mais triste da história do Flamengo completa um ano neste sábado. No dia 8 de fevereiro de 2019, dez jovens promessas da equipe perderam suas vidas em um incêndio no CT Ninho do Urubu, levando o mundo do futebol à comoção.

Naquele dia, jogadores da base rubro-negra, que tinham entre 14 e 16 anos, estavam dormindo em um dos contêineres utilizados para o alojamento dos garotos, quando um curto-circuito em um ar-condicionado provocou um incêndio no local. Dos 23 que estavam lá, dez tiveram suas vidas interrompidas pelas chamas.

São eles: Athila Paixão, Arthur Vinícius, Bernardo Pisseta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo Santos, Pablo Henrique, Rykelmo Viana, Samuel Thomas e Vitor Isaías. O incêndio ainda deixou feridos Cauan Emanuel Gomes Nunes, Francisco Diogo Bento Alves e Jhonatan Cruz Ventura, mas todos se recuperaram.

Desde o ocorrido, as famílias das vítimas tentam entrar em acordo com o Flamengo em meio à dor pela perda de seus entes queridos, mas as conversas estão longe de um desfecho. Os culpados não foram apontados, os dirigentes dialogam pouco sobre o assunto e apenas três famílias se acertaram com o time rubro-negro (os parentes de Athila Paixão, Gedson Santos e Vitor Isaías, além de José Lopes Viana, pai de Rykelmo).

"Eu entreguei meu filho são e recebi ele em um caixão lacrado. Nem pude ver o rosto dele. Eu não estaria lutando por nada se o Flamengo colocasse meu filho no avião, dispensasse e o mandasse para casa", afirmou Rosana Souza, mãe de Rykelmo, em entrevista à TV Gazeta.

Em vídeo divulgado pelo clube, o presidente Rodolfo Landim se pronunciou sobre o incêndio. "Essa foi a maior tragédia da história do Flamengo. Vamos conviver com isso ainda por muito tempo em nossa memória, de todos aqueles que trabalham e os torcedores também. Por mais que vá sendo curado com o tempo, vão ficar as cicatrizes".

Neste ano, o Flamengo dispensou cinco atletas que estavam presentes no incêndio: Caike Duarte, Felipe Cardoso, João Victor Gasparín, Naydjel Calleb e Wendel Alves. Landim declarou que a ação "foi simplesmente um critério técnico da comissão do clube e que não cabia a ele intervir na decisão". Em seu Instagram, Felipe fez uma publicação com uma foto toda preta, destacando os mortos na tragédia como irmãos, informando que foi dispensado por telefone e escrevendo que "após refletir muito, cheguei à conclusão que somos apenas números para muitos".

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Gostaria de iniciar agradecendo a Deus por minha vida!!! Começo falando de SONHOS e sua dura busca em alcançá-los. Desde os meus primeiros passos iniciei minha trajetória de ir atrás de um que deve ser o maior sonho de 10 entre 10 meninos no Brasil, ser jogador de futebol, cheguei ao Santos Futebol Clube aos 9 anos de idade e lá fiquei até início de 2019, aprendi muito e sempre serei grato por tudo e todos que lá estavam e me ajudaram. Em 04/02/2019 cheguei ao Clube de Regatas Flamengo, continuava vivendo um sonho e buscando o que muitos ou milhares como eu vivem dia a dia, não é fácil deixar família, amigos, seu lar, seu conforto mesmo que seja pouco, para seguir firme e forte em busca do tão sonhado desejo de se tornar jogador de futebol. Porém no dia 08/02/2019 está busca acabou para alguns que estavam ao meu lado 😢 graças ao bom Deus eu e alguns colegas conseguimos nos salvar, me pergunto todo dia o porque daquela tragédia, rezo, choro e oro para os que não conseguiram se salvar pedindo que estejam bem ao lado de Deus, onde imagino que sonhos são mais fáceis de ser realizados. Penso em seus familiares, pai, mãe, irmãos, amigos que não terão mais abraços, ligações, contato e continuaram por toda vida pensando como seria se eles ainda estivessem aqui correndo atrás do que naquele terrível dia estávamos. Volto a agradecer a Deus pela minha vida e as demais que aqui ainda estão podendo continuar seguindo o nosso maior objetivo! Aprendi mais uma dura lição da vida em busca deste sonho ao ser liberado pelo Flamengo, no dia 13/01/2020 por telefone, não entendi e chorei, gritei, culpei tudo e todos, não quis falar com ninguém por um período, a dor foi gigante em meu peito. Conversei muito com Deus e enxerguei que teria que seguir não só por mim mas por todos que se foram naquela tragédia, meus eternos irmãos Athila, Arthur, Bernardo, Christian, Gedson, Jorge, Pablo, Rykelmo, Samuel, Vitor, nossos familiares e amigos 😢. Algumas portas foram se abrindo graças a Deus, mas a dor e busca em entender tudo que está acontecendo na minha vida em menos de um ano continua maior. Após refletir muito cheguei a conclusão que somos apenas números para muitos.(continua)…

Uma publicação compartilhada por Felipe Cardoso (@felipecardoso10) em

Depois de um ano, as famílias ainda tentam juntar os cacos e seguir em frente, mas a dor deixada pela catástrofe jamais será esquecida. "Quando lembro do jeito dele, da alegria de viver que ele tinha, dói meu coração. A gente tenta seguir, mas sabemos que a felicidade nunca mais será completa", declarou à TV Gazeta Marília Barros, mãe de Arthur Vinícius, que recebe apenas uma pensão mensal do clube.

"Toda vez que esse dinheiro entra, meu coração dói. Eu não queria dinheiro nenhum se pudesse ter meu filho aqui", concluiu Marília.

Apesar dos problemas judiciais, os parentes seguem unidos na tentativa de reconstruir a vida e superar a tragédia. O fogo pode ter interrompido a vida dos jovens garotos que corriam atrás de seus sonhos, mas eles sempre viverão dentro dos corações de suas famílias.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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