Roberto Assaf: Del Valle massacrou, mas Flamengo vai à semi da Liberta
Este 1 a 1 no Maracanã com o Del Valle foi o pior jogo do Fla em 2026. Que sirva de lição. La Plata vem aí. Com essa postura, não vai adiante
Apesar de uma péssima atuação, o Flamengo garantiu vaga na semifinal da Libertadores ao empatar em 1 a 1 com o Independiente del Valle, favorecido pela vitória na ida. O time equatoriano dominou a partida, abriu o placar com Djorkaeff após falha de Rossi e viu o Rubro-Negro se complicar com a expulsão de Jorginho. No entanto, aos 38 do segundo tempo, Arrascaeta aproveitou uma falha do goleiro adversário para igualar o marcador e evitar uma eliminação dramática.
Acabou 1 a 1 o jogo Flamengo x Del Valle. Sabe-se lá como. Uma passagem quase inacreditável, tal a fragilidade do futebol do Rubro-Negro, que fez a sua pior partida em 2026. Afinal, errou em todos os sentidos. Um eco das muitas opiniões que já consideravam o clube classificado após a vitória de 2 a 0 sobre o Independiente del Valle em Quito. Em dado momento, eram 11 contra nove, pois Jorginho foi expulso e Samuel Lino - definitivamente - não existe.
O Flamengo perdeu a Taça Guanabara para o Fluminense, a Recopa Sul-Americana para a Lanús, a Supercopa do Brasil para o Corinthians, foi eliminado pelo Vitória na Copa do Brasil, e agora quase larga a Libertadores para um rival do Equador. Em futebol, não há nada ganho na véspera. Que sirva de lição. La Plata vem aí. Com essa postura, não vai adiante.
Del Valle, superior, sai na frente
Em tremenda desvantagem, o Valle armou um esquema ofensivo, para buscar o milagre. O time do Equador começou com a posse da bola, e o Flamengo, tímido e bem marcado, não conseguia ameaçar, deixando o tempo correr. Na única chance, Bruno Henrique desperdiçou livre, chutando em cima de Aldair Quintana. Um gol ali e praticamente liquidaria o confronto.
Aos 21, graças à estratégia traçada, o Valle teve ótima oportunidade, em conclusão na pequena área, para fora. Na realidade, a equipe visitante jogava melhor, e o Rubro-Negro corria risco, pois o futebol dos cariocas não animava. Era necessário jogar mais para não tomar sustos. Com meia hora, Perelló ganhou de Ayrton Lucas na corrida, cruzou, Rossi soltou bisonhamente e Djorkaeff aproveitou para fazer 1 a 0. Placar merecido até ali.
E a reação passou a ser obrigatória. O time do Equador pareceu tranqüilo, observando os muitos erros do Flamengo, que davam ao adversário a possibilidade de acreditar, até porque a diferença entre os times era flagrante. A zaga rubro-negra vacilava, o meio não articulava, e o ataque não mostrava agressividade. O Rubro-Negro não viu a cor da bola no primeiro tempo.
Drama do Flamengo no segundo tempo
Léo Jardim manteve o time para a etapa complementar. O Valle também. Mas era preciso no mínimo modificar a postura. E a equipe equatoriana começou a mastigar a partida, parando propositadamente, e ao contrário do que deveria ocorrer, e por incrível pareça, o desespero era do Flamengo. Carabajal caiu duas vezes seguidas para gastar o tempo.
Mas é fato que o visitante não reage. Samuel Lino, que andou enganando, era o desastre de sempre. E o técnico não mexia. Promessa de drama. Aos 13, entraram Arrascaeta e Plata nas vagas respectivamente de Paquetá e Carrascal.
O Flamengo, porém, não conseguia acertar, jogo nem o gol. Aos 19, Joginho levou o segundo cartão amarelo, após falta em Alcivar, e foi expulso. Situação terrível. Lembra a tragédia de 2008, perante o América, do México. O time carioca recuou, para segurar o resultado, e o segundo gol do Valle virou questão de tempo. Não retinha a bola. Aos 32, a equipe equatoriana marca, mas Carabajal estava em situação irregular.
Valle insistia em atacar, e o receio de levar outra na rede era óbvia, dentro e fora do estádio, pois o Flamengo devolvia a bola de graça. Aos 38, Rossi mandou um chutão para frente, Aldair Quintana - deu uma de Alex Muralha - falhou, ao tentar fazer a defesa, e Arrascaeta apanhou a sobra, de cabeça, para empatar: 1 a 1. Joaquín fez mudanças, e o Valle continuava jogando mais, forçando o segundo gol. Por ora, a maior tragédia de 2026, embora tenha garantido a vaga.
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