Presidente da Ferj rebate descontentes: "mudem para SP"
Desde 2006 à frente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj), Rubens Lopes foi eleito na no início da tarde desta terça-feira, para mais um mandato - 2015 a 2018. Logo após a sessão ser encerrada oficialmente, Rubinho, como é conhecido, pediu a palavra: em vez de usar os minutos finais para discursar ele preferiu se defender das acusações emitidas em comunicado divulgado por Flamengo, Fluminense e Vasco, na noite da última segunda-feira.
Transcorrendo item por item, o presidente reeleito levou cerca de uma hora para rebater todas as cobranças da nota oficial. Sobre as taxas cobradas pela Ferj, que é de 10% da renda bruta das partidas, o dobro da cobrada pela Federação Paulista, Rubinho foi bastante enfático e até usou de ironia, mandando os clubes “insatisfeitos” se mudarem para o estado vizinho.
"Eles estão reclamando das taxas daqui? Deveriam se mudar para São Paulo e disputar o Campeonato Paulista. Esse valor foi aprovado por unanimidade, essa taxa é estatuária. As taxas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul também são de 10%, a de Pernambuco, 8%. Este documento está cheio de equívocos. O Vasco nos deve R$ 1,2 milhão. O que nós arrecadamos com taxas é para superar a inadimplência deste clube. Nesse campeonato até o momento a Federação ganhou R$ 780 mil. Além disso, pediram jogos em estádios com refletores à noite e gramado chancelado pela CBF. Passei na Gávea, não tem. Nas Laranjeiras também não. Em São Januário até tem. Então eu fico pensando: é complicado. E o presidente do Fluminense quer mais debates, mas a única vez que ele esteve aqui em um arbitral foi em 2011", disparou o presidente reeleito, que mandou ainda os clubes grandes pararem de “olharem para seus próprios umbigos”.
“Espero que esses clubes revejam suas posições, apareçam, apresentem projetos, sem o egoísmo de se focar somente no próprio umbigo. Vamos olhar o conjunto e aí sim vamos dar passos consideráveis. O público não está indo, mas jogo quarta à noite, com time reserva, chovendo, interessa a quem? Ingressos caros, fora da realidade do torcedor, jogo quarta e domingo com ingressos nesses preços. São preços perversos, elitistas. Já acabou a geral, acabou a arquibancada, e estamos tirando o torcedor dos estádios. Pelos preços, pelos horários desajustados, talvez também pela forma do campeonato. Não somos impermeáveis às mudanças, mas é preciso que sejam feitas com fundamento e não só pelos interesses de quem quer um paredão de fuzilamento”, completou.
Dos três clubes que marcaram oposição, a que mais chamou a atenção e causou surpresa do presidente da Ferj, foi a adesão do Vasco da Gama. Segundo o presidente reeleito, os cruzmaltinos têm uma dívida em torno de R$ 1,2 milhão com a entidade, além de terem assinado e referendado seu apoio a chapa de Lopes - “União do Rio de Janeiro”.
“O documento subscrito por Flamengo, Fluminense e Vasco, em relação a esse último, bastante surpreso com a posição do Vasco. Uma vez que o presidente (Roberto Dinamite) assinou e referendou a candidatura dessa chapa de livre e espontânea vontade. Na véspera da eleição, nós nos vemos diante de um problema eminentemente político, cujo foco eu não posso dizer que seja a melhoria do futebol do Rio".
Ainda sobre o documento dos descontentes, Rubens Lopes, afirmou que a atitude dos três clubes era “tirar marmita de morador de rua” ao citar clubes menores. “Não se pode aceitar atitudes de quem quer tirar marmita de morador de rua. Estamos satisfeitos com o Carioca? Não, é evidente. Mas o foro para discutir isso não é na mídia. É no arbitral”, completou.
Ao final da sessão, o presidente do Madureira leu uma carta de repúdio dos demais clubes à nota oficial de Flamengo, Fluminense e Vasco. O documento declara que o comunicado é “recheado de delírios, leviandades e maledicências, que pisoteia os princípios da dignidade, ao veicular o que de nenhuma forma traduz o comportamento e a condução da Diretoria da Ferj”, e foi assinado pelos representantes dos clubes que jogam a Série A do Estadual.
O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, disse o motivo de não ter se juntado à tentativa de racha dos outros grandes clubes do Rio.
“Em nenhum momento fui convidado a participar de reunião nenhuma. Os presidentes têm meus telefones pessoais e não há desculpa nenhuma para eu não ter sido convidado. Mas se tivesse sido, não aceitaria. Quando você vai para uma batalha escolhe muito bem o seu lado da trincheira, seus aliados. Eles não me chamaram porque sabiam que eu não assinaria o documento. O Botafogo hoje sabe com quem pode ou não contar. O Botafogo tem problemas sérios hoje com alguns desses clubes”, falou Assumpção, sem revelar quem era os seus “inimigos”.