Ex-atacante do Flamengo revela arrependimento de ter deixado o clube para jogar no exterior
O ex-atacante Hernane Brocador abriu o coração em uma entrevista ao portal Coluna do Fla, e revelou um forte arrependimento por ter aceitado deixar o Flamengo em agosto de 2014. Herói da conquista da Copa do Brasil de 2013 e um dos ídolos recentes da torcida rubro-negra, o centroavante de 40 anos expôs os bastidores pesados e as graves frustrações que enfrentou no Al Nassr, da Arábia Saudita.
Olhando para o passado, Hernane admitiu que já sabia da fama de "enrolado" do clube do Oriente Médio, tendo sido alertado inclusive por Matheus, filho do ex-jogador Bebeto. No entanto, a realidade local superou os limites financeiros e atingiu o âmbito pessoal do atleta, incluindo restrições severas de liberdade.
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"Sim, me arrependo, porque fui para um clube que, para falar a verdade, eu já sabia como era. (…) Eu fiquei quatro meses sem receber. Os treinos já eram muito ruins. Se eu parasse de treinar, seria pior ainda. O nível dos treinamentos era muito abaixo. Eles prenderam meu passaporte. Fiquei mais de 30 dias com o passaporte retido. Foi por isso que me arrependi de ter saído do Flamengo naquele momento", desabafou o artilheiro.
Segundo o Brocador, os atrasos de pagamento não ocorriam por falta de dinheiro, mas "de sacanagem" por parte dos dirigentes, que detinham muito poder. Ele relatou que um lateral-direito saudita de sua equipe chegou a ficar oito ou nove meses sem receber salários, mas não podia reclamar para não ser "queimado" pelo príncipe local, o que o impediria de transferir-se para outro clube. Além disso, a instabilidade interna era constante: se a diretoria não gostasse da cara do jogador, ele era simplesmente afastado e substituído.
"Lá, se o dirigente olha para a sua cara e não gosta de você, esquece. Te tira do time, traz outro e tchau. É assim. Se estiverem te devendo, mandam você reclamar na FIFA. Eles têm dinheiro e têm poder. Os caras lá são complicados. Os sauditas que jogavam comigo na época, tinha um lateral direito que era o que mais conversava comigo. Ele estava há oito ou nove meses sem receber salário", disse.
A frustração na Ásia interrompeu uma trajetória de enorme sucesso na Gávea, onde Hernane atuou entre 2012 e 2014, somando 45 gols em 87 jogos, uma média de quase um gol a cada duas partidas, além de faturar uma Copa do Brasil e um Campeonato Carioca.
Ainda durante a entrevista, revisitando sua marca histórica de 36 gols em 58 partidas oficiais no ano de 2013, o atacante demonstrou uma confiança impressionante ao projetar o seu espaço no atual elenco do Flamengo em 2026. Ele garantiu que, se a análise fosse puramente baseada em números e desempenho técnico, seria titular incontestável, mesmo concorrendo com nomes de peso como Pedro, Bruno Henrique e Gonzalo Plata.
"Eu seria titular com os meus números, titular absoluto. Eu creio que sim. Se a gente for olhar os números, quantos jogos eu tenho pelo Flamengo? São 85, 87 jogos. Tenho 45 gols, uma média de praticamente um gol a cada dois jogos. Então, se futebol for números, eu tenho. Isso é matemática, entendeu?", cravou.
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