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De rajadas de 35 nós à calmaria: Santos-Rio tem travessia difícil e sete desistências

Crioula 52 conquistou a Fita Azul, mas precisou de quatro horas para percorrer as três milhas finais; prova abriu o Brasileiro de Oceano.

28 out 2026 - 08h27
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Resumo
A 76ª Regata Santos-Rio desafiou 35 barcos com rajadas de até 35 nós, mar contra e forte calmaria na chegada, causando sete desistências por avarias. O veleiro Crioula 52 superou as adversidades e garantiu a Fita Azul ao cruzar primeiro a linha na Ilha Rasa na madrugada de sábado, após demorar quatro horas nas últimas três milhas. Vento sudoeste liberou o avanço dos demais competidores na prova que abriu o Brasileiro de Oceano, com disputas previstas até domingo.
Regata
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Foto: On Board 360º | Divulgação / Esporte News Mundo

A 76ª Regata Santos-Rio submeteu as tripulações a dois desafios opostos durante aproximadamente 200 milhas náuticas de travessia: mais de 24 horas de vento e mar contra, com rajadas relatadas de até 35 nós, e uma redução acentuada da intensidade do vento na aproximação ao Rio de Janeiro. Até o início da tarde de sábado (24), sete barcos haviam abandonado a prova, enquanto o Crioula 52, de Eduardo Plass, conquistava a Fita Azul ao chegar primeiro à Ilha Rasa.

O veleiro completou a regata à 1h33min27s de sábado, depois de largar de Santos na quinta-feira (22). A prova reuniu 35 embarcações e marcou o início do Campeonato Brasileiro de Oceano de 2026.

Segundo Ricardo Baggio, conhecido como Kadu, diretor de vela do Iate Clube do Rio de Janeiro, os ventos de leste e nordeste mantiveram a flotilha em contravento durante boa parte do percurso, obrigando as tripulações a enfrentar ondas de proa e maior exigência sobre os equipamentos.

"Foram mais de 24 horas de vento e mar contra, o que exige muito do barco, dos equipamentos e das tripulações", explicou.

Avarias provocam retiradas

Das sete desistências registradas até o início da tarde de sábado, quatro foram de embarcações da RGS-Cruiser, duas da ORC e uma da Bra-RGS.

De acordo com Kadu, a maioria esteve relacionada a quebras de equipamentos ou avarias, com maior concentração na RGS-Cruiser.

A intensidade do vento atingiu níveis elevados durante a travessia. Bayard Neto, comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), que participou da regata a bordo do Inaê Soto40 Transbrasa, relatou rajadas de até 35 nós.

"Sabíamos que seria uma regata bastante dura, bastante intensa, e uma boa estratégia seria necessária", disse.

Da força do vento à dificuldade de avançar

A partir da segunda parte do percurso, a intensidade do vento diminuiu gradualmente. Na aproximação à Ilha Rasa, algumas embarcações passaram a enfrentar dificuldades para manter a velocidade.

O Crioula 52, que liderava a travessia, demorou quatro horas para percorrer as últimas três milhas náuticas.

"Foi um desafio enorme também lidar com essa frustração de ficar quatro horas para navegar as últimas três milhas finais da regata. Mas nos superamos e, além de ser Fita Azul, a gente tem grandes chances de ganhar a regata no tempo corrigido. Isso é um grande início para o Campeonato Brasileiro da próxima semana", avaliou Samuel Albrecht, tático da equipe.

No início da regata, o Crioula também havia tomado uma decisão de rota para administrar o desgaste da embarcação e da tripulação.

"Optamos por fazer uma passagem por dentro de Ilhabela esse ano, procurando preservar o barco e dar melhores condições para a equipe descansar e se reorganizar a bordo. Eu acho que foi uma decisão bem acertada, tivemos uma boa passagem pelo canal de São Sebastião", contou Albrecht.

Sudoeste permite sequência de chegadas

A entrada do vento sudoeste no meio da manhã de sábado voltou a impulsionar parte dos competidores.

O Bravo Soto40, de Jorge Berdasco, foi o segundo colocado na ordem de chegada, às 11h40min20s. O Onda Phytoervas apareceu cinco minutos e seis segundos depois, às 11h45min26s, seguido pelo Duma, às 12h34min58s, e pelo Inaê Soto40, às 13h25min02s.

A organização havia transferido a chegada para a região da Ilha Rasa, fora da Baía de Guanabara, para reduzir os efeitos das calmarias e correntes da entrada da baía. Mesmo assim, a mudança das condições meteorológicas prolongou a travessia.

A expectativa divulgada no início da tarde de sábado era de que os demais barcos ainda em disputa concluíssem a prova até a madrugada de domingo (25).

O Campeonato Brasileiro de Oceano reúne 48 inscritos. Após a Santos-Rio, as regatas do 57º Circuito Rio serão disputadas de 30 de outubro a 2 de novembro, com organização da ABVO, do Iate Clube de Santos e do Iate Clube do Rio de Janeiro.

Esporte News Mundo
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