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Em ano sabático pós-Cruzeiro, Roth mira Europa e recusa times no Brasil

Celso Roth deixou o Cruzeiro em dezembro e desde então só assiste ao futebol de longe. Mas trabalha para, a qualquer momento, assumir uma equipe italiana. Confira a entrevista exclusiva concedida para o Terra

20 set 2013 - 15h57
(atualizado às 16h11)
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Celso Roth não trabalha desde o fim do último Campeonato Brasileiro
Celso Roth não trabalha desde o fim do último Campeonato Brasileiro
Foto: Edu Andrade / Gazeta Press

Entre a fazenda em Caxias do Sul e a residência em Porto Alegre, com doses homeopáticas diárias de futebol e viagem para o exterior atrás de contatos. Assim é o 2013 de Celso Roth, segunda temporada em 25 anos de carreira em que ele não dirige nenhuma equipe. Desde a 38ª rodada do último Campeonato Brasileiro com Cruzeiro x Atlético-MG, Roth recusou convites pouco sedutores por aqui e tentou fazer contatos na Europa, especialmente na Itália. 

Ele descarta a possibilidade de que pretende se livrar da fama de bombeiro. Ou seja, treinador que só é lembrado para assumir em crises. Na verdade, Celso tem outra teoria para alguns de seus últimos trabalhos, como o Cruzeiro de 2012: começou muito bem, criou expectativas mas não conseguiu ser campeão porque faltava qualidade ao grupo.

Roth admite que foi assim na Toca da Raposa e que a queda da equipe na tabela gerou atritos incuráveis entre a direção e ele. Em dezembro, o contrato não foi renovado e as partes tomaram rumos distintos: o treinador deu início a um longo período inativo. E a mesma diretoria reformulou o grupo, buscou Marcelo Oliveira e hoje o Cruzeiro é favorito ao título brasileiro.

Abaixo, um simpático Celso Roth fala de tudo um pouco: a busca pela Europa, o ano sabático, o Cruzeiro que ele deixou e até admite: depois de três passagens pelo Internacional e quatro pelo Grêmio, a dupla Gre-Nal ainda é um objetivo a médio prazo.

Confira a entrevista exclusiva de Celso Roth:

Terra - Como tem sido esse quase um ano fora do futebol? Você recebeu muitos convites?

Celso Roth - O ano está bom. Estou resolvendo algumas coisas não referentes ao futebol. Surgiram situações profissionais, mas achei que não valia a pena. Estou trabalhando muito o mercado externo, vamos ver. Claro que profissionalmente, não estar na ativa, não é bom. 

Terra - O futebol tem ocupado muito o seu tempo livre? 

Roth - Se eu vejo futebol? (gargalha). Claro que tenho ocupado com futebol! A gente analisa, vê os jogos. Estive por dois meses na Europa trabalhando esse mercado. O grande problema do treinador brasileiro é esse, que não participa, não conversa com as pessoas. Tem o problema da língua e não faz interação. 

Terra - Onde você esteve para essa interação? Visitou algum clube?

Roth - Estive na Itália, conversei com algumas pessoas. O mercado é assim, você tem que trabalhar. Ainda mais nesse momento de crise na Europa, a gente tem que se mostrar. Conversei com pessoas, sim, mas visitar clubes não é interessante.

NR.: Celso Roth teria conversado sobre a possibilidade de assumir o Torino. 

Terra - É um Campeonato Brasileiro marcado por muitas trocas. Você recebeu muitos convites? Por que não aceitou?

Roth - Vários, vários. Mas achei que o projeto não era interessante, no planejamento e no financeiro. É momento, planejamento, análise financeira que o treinador precisa fazer nesse momento (desempregado). É uma rotina muito agitada e você vive intensamente, às vezes é bom sair de cena. Olhar mesmo de fora para voltar mais revigorado, com mais energia. Há profissionais com nome no mercado que já voltam em seguida só pelo mercado. Isso é critério.

NR.: Especula-se que Portuguesa e Náutico tenham feito convites a Roth

Terra - Você se cansou um pouco de assumir times em crise? Sente falta de começar um trabalho do início?

Roth - Essa conversa de pegar trabalho no início é fora da lógica. Como vai pegar no início se não existe planejamento? O planejamento é resultado! O futebol é impressionante, não me cansou e nem deve cansar. Se me cansar, tenho que parar para trabalhar. Mas é olhar e ver algo de interessante. Ver se tem chance de chegar a algum lugar, um dirigente com trabalho sério, independente de opiniões e resultados.

Roth atira contra diretoria: "Queria dirigir outro Cruzeiro":
Terra - Tem assistido a muitas partidas, como tem visto o Brasileiro?

Roth - Vejo os jogos pela televisão, analiso, faço meus comentários. O Cruzeiro está muito bem e claramente bem diferente do que recebi no Brasileiro do ano passado. Do time que eu trabalhava, tem o Fábio e só. Os demais saíram ou estão fora do time. Foi uma mudança radical que fez muito bem. Conversávamos com a direção do Cruzeiro e sinalizávamos nesse sentido.

Terra - Essa evolução do Cruzeiro te surpreende? Como era a conversa para reformulação?

Roth - Tem mérito da direção. Tínhamos conversado e o primeiro sinal disso foi definir quem sai. No ano passado, começamos a conversar sobre mudanças radicais no Cruzeiro. Quando entrei, três dias antes de o Brasileiro começar, sabíamos que era muito difícil. Em 2011, o Cruzeiro jogou o último jogo para não cair. 

Celso Roth entre os dirigentes do Cruzeiro: relação azedou durante o Brasileiro 2012
Celso Roth entre os dirigentes do Cruzeiro: relação azedou durante o Brasileiro 2012
Foto: Washington Alves / Vipcomm
Terra - Se já havia esse consenso sobre reformulação, por que você não permaneceu? Não tinha clima?

Roth - Situações que ocorreram. O grande detalhe de se trabalhar junto é manter o que se combina. Aconteceram algumas derrotas, desequilíbrios, e o combinado era um campeonato de transição. Sabíamos das dificuldades, mas não foi cumprido à risca. Houve declarações públicas por parte da direção, um desgaste. No fim acabou bem, mas houve consenso sobre não renovar.

Terra - Grêmio em 2008, no Atlético-MG de 2009 e no Cruzeiro em 2012. Todos foram trabalhos seus que no início foram previstos para meio de tabela, mas que você liderou e acabou um pouco mais abaixo no Brasileiro. É difícil criar uma expectativa grande e não cumprir?

Roth - O desgaste é exatamente esse! Você chega e muda a realidade do clube, coloca dentro de outra, e cria uma hiper expectativa. O futebol é passional, os dirigentes também. Chega num determinado limite e não vai. No funil, no final, onde se precisa de qualidade técnica, não tem. O Cruzeiro hoje tem alternativas no time e no banco, mas no ano passado não. O trabalho seguiu o mesmo, mas os adversários prestaram atenção. No Inter, eu disse que seríamos campeões e fomos. O grupo tinha alternativas.

NR.: O Grêmio de 2008 liderou por 17 rodadas e acabou vice-campeão. O Atlético-MG de 2009 liderou por oito rodadas e acabou em sétimo. O Cruzeiro de 2012 liderou por uma rodada, ficou mais três no G-4 e acabou em nono.

No Internacional, título da Libertadores acabou abafado por derrota para o Mazembe no Mundial de Clubes
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Foto: Getty Images
Terra - Hoje a dupla Gre-Nal está brigando entre os primeiros. Mas a médio prazo, você acha que pode voltar a um dos dois?

Roth - Vou responder muito claramente. Estão entre os tops da América do Sul e do mundo. São clubes interessantes, com estrutura, qualquer treinador gostaria de trabalhar. Para isso, obviamente, as portas devem estar abertas.

Fonte: Terra
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