Zakaria Labyad coloca Ramadã em pauta no Corinthians e explica mudanças na rotina
Meia marroquino detalhou ajustes feitos por atletas profissionais que realizam jejum
Apresentado pelo Corinthians no início da semana, o meia Zakaria Labyad afirmou, durante coletiva de imprensa, que pratica o Ramadã, período sagrado para os praticantes do Islamismo. Neste período, e durante aproximadamente 30 dias, os seguidores da religião realizam jejum entre o nascer e o pôr do sol. Neste ano, acontece entre os dias 17 de fevereiro e 20 de março.
Segundo o jogador, o Ramadã faz parte da sua vida desde a infância e, por isso, já está acostumado com o período de jejum. Ele ainda detalhou as adaptações que costuma fazer em sua rotina durante o período.
"Eu joguei meu melhor jogo durante o Ramadã, então não afeta meu desempenho. Eu descanso bem. Quando o sol nasce, paro de comer. Quando ele se põe, começo a comer. No passado, tive dias maiores de jejum e nunca senti dificuldades com isso", afirmou o reforço corintiano.
Na mesma entrevista, Zakaria Labyad respondeu se o período religioso exigiria alguma adaptação nos trabalhos feitos pelo Corinthians. O jogador comparou sua passagem pelo futebol da China com aquilo que espera do futebol brasileiro.
"Não tem nenhuma adaptação diferente. Nos últimos dois anos, joguei na China com 44 ou 45 graus (temperatura). Claro, no começo, é mais difícil. Saí do clima frio da Europa para a China, não sabia que lá era tão quente. Não achei tão difícil aqui no Brasil, pois é quase o mesmo clima da China. Agora é um pouco mais difícil com o Ramadã, mas não me afeta nos treinos ou nos jogos. Sempre fiz o Ramadã na China e me sentia bem", explicou o meia.
Especialista explica impactos do Ramadã na rotina dos jogadores
Segundo Bruno Gilberto, especialista da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil) e fisioterapeuta do Al Wasl (Emirados Árabes), o principal cuidado está na forma como o atleta se alimenta e se hidrata após a quebra do jejum. Em países do Oriente Médio, é comum que os treinos durante o Ramadã aconteçam à noite, depois do pôr do sol, justamente para permitir que os jogadores estejam alimentados e hidratados.
De acordo com o especialista, não há mudança na carga de trabalho, mas nos horários. A rotina passa a ser noturna, enquanto o dia é reservado para descanso. Ele explica que os primeiros dias costumam ser mais difíceis, até o corpo se adaptar. Depois disso, principalmente para quem pratica o jejum desde a infância, a adaptação tende a ser natural.
Apesar da preocupação com possível queda de rendimento ou maior risco de lesão, o fisioterapeuta afirma que, na prática, o impacto costuma ser pequeno. Pode haver leve perda de energia ou massa muscular, mas nada significativo.
Vale destacar, ainda, que estudos realizados em centros de pesquisa do Oriente Médio também não indicam aumento relevante de lesões. Ou seja, para atletas como Labyad, o Ramadã representa mais uma reorganização temporária da rotina do que um obstáculo ao desempenho.
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