Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Logo do Corinthians

Corinthians

Favoritar Time
Publicidade

Primeiro ídolo alvinegro forjou figura mítica na bola e na cinta

19 out 2013 - 10h39
Compartilhar

Neco nem precisou esperar o fim da carreira para receber as merecidas homenagens. O primeiro grande ídolo do Corinthians, cuja estreia completa agora cem anos, ganhou um busto de bronze no Parque São Jorge ainda nos tempos de jogador, em 1929, sinal da figura mítica que criou em torno de si ao longo das primeiras décadas de vida do clube.

"Ele aliava raça e técnica. Não escolhia posição. Se você pegar a maior parte dos ídolos do Corinthians, vai encontrar jogadores técnicos, como o Sócrates, ou mais raçudos, como o Zé Maria. O Neco aliou as duas coisas", diz o historiador Celso Unzelte, que coloca Luizinho, gênio alvinegro nas décadas de 1940 e 1950, no mesmo patamar.

Foi no colégio Liceu Coração de Jesus, onde deveria ter aprendido a ser marceneiro, que Neco aprendeu a jogar futebol. Além de marcar época no clube em que hoje vive em forma de estátua, ele mostrou seu talento no Botafogo - um time varzeano do Bom Retiro que cedeu vários dos primeiros jogadores do Corinthians -, na seleção paulista e na Seleção Brasileira."Era um homem que ia buscar a bola na defesa e driblava um, dois, três... Miudinho, mas com uma coragem extraordinária", afirmou Del Debbio, seu antigo companheiro, em entrevista concedida à TV Cultura em 1974. Foi mais ou menos assim, com habilidade e valentia, que ele ajudou o Brasil a conquistar seu primeiro grande título, o Sul-Americano de 1919, que tinha valor comparável ao que teria pouco depois a Copa do Mundo.

Talento não bastaria. E o temperamento de Neco era tão explosivo quanto suas pernas, responsáveis por 235 gols em 296 jogos em preto e branco. Não foram poucas as confusões em que se envolveu, chegando a ser eliminado do futebol - e posteriormente perdoado - em mais de uma oportunidade. "Era um ídolo nervosinho", sorri Unzelte.

O mito foi alimentado em uma partida na qual o atacante foi ao chão e tirou a cinta que à época segurava o calção dos jogadores para ajeitá-la. Enquanto gesticulava agressivamente com o objeto na mão, ficou a impressão de que ameaçava o árbitro. Outra versão aponta o uso da cinta contra o goleiro palestrino Primo, mas o fato é que ela virou um símbolo.

Entre brigas com colegas, juízes e adversários, Neco recebeu algumas advertências por sua "conduta rebelde". Em 1927, quando agrediu o árbitro Antônio Câmara, acabou sendo eliminado do campeonato, retornando apenas em 1928 e voltando a caprichar. Naquele ano, ao mesmo tempo em que deu o título paulista ao Corinthians, escapou de um tiro.

‘TIRA A CINTA, NECO’

O Corinthians foi campeão em 1930, último ano como jogador de Neco, e só ergueu o troféu novamente em 1937, quando o craque voltou na direção do time. Com ele, retornou a mística de seu suposto objeto de intimidação favorito, aquele que, anos antes, arrancava gritos dos torcedores: "Tira a cinta, Neco!".

Durante a campanha, o ídolo voltou a se desentender com o velho desafeto Manoel Domingos Correa, o mesmo que havia chamado, em 1913, a ascendente equipe alvinegra de "time de carroceiros". De acordo com Neco, Correa, agora tesoureiro do clube, mexeu com ele diante dos jogadores e disse não acreditar no título.

O ex-jogador, então, prometeu conquistar o troféu e dar uma surra de cinta no dirigente. Pediu aos atletas que o ajudassem a cumprir o compromisso e foi atendido. Na festa, segundo relato de Neco, Correa se escondeu na tesouraria, mas acabou sendo encontrado pelo técnico, que agradeceu ao elenco: "Vocês cumpriram a sua parte, e eu cumpri a minha".

No jogo contra a Portuguesa, o primeiro no qual o time comemorou uma conquista no Parque São Jorge, os visitantes se revoltaram com o gol que colocou os donos da casa em vantagem de 2 a 1, apontando impedimento de Gambinha após o passe de Neco. O diretor Benedito Bueno chegou a invadir o campo em protesto, sendo atacado pelo craque corintiano. Bueno tentou puxar um revólver, mas foi contido, e a Portuguesa se retirou em protesto. Neco, sem adversário, marcou o terceiro gol, ergueu mais um troféu e ganhou mais uma punição.

Àquela altura, a carreira do atacante já estava no final. Eram frequentes as contusões, e sua função já era mais parecida com a de um técnico do que com a de um jogador. Mesmo quando mais uma de suas eliminações foi revogada - com campanha em seu favor de toda a imprensa -, o velho craque preferiu atuar no segundo quadro, rendendo elogios aos mais jovens.

"Ratinho está um colosso. E não tenho coragem nem vontade de desprestigiá-lo. Vou treinando. Se algum dia faltar algum defensor do Corinthians, serei forçado a jogar", afirmou ao jornal A Platéa. A necessidade apareceu em 1930, quando Neco contribuiu pela última vez, como jogador, para um título do clube.

A trajetória iniciada em 19 de outubro de 1913 se encerrou em 31 de agosto de 1930, no empate por 1 a 1 com o Internacional (SP). O busto de Neco já estava instalado no Parque São Jorge, e seu lugar, definitivamente marcado na história do clube que ajudou a construir.

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra