Ex-diretor do Corinthians responsabiliza Stabile por contrato sob investigação
Em manifestação ao MP-SP, Fábio Soares nega envolvimento na escolha da Bear Security e relata conflitos com a atual gestão
Em documento enviado ao Ministério Público de São Paulo, o ex-diretor do Corinthians Fábio Soares negou envolvimento no contrato com a Bear Security e atribuiu a decisão ao presidente Osmar Stabile. A apuração investiga pagamentos de R$ 721 mil à empresa, que operava sem aval da Polícia Federal, gerando denúncia contra Stabile por apropriação indébita. O presidente alega que a contratação visava à segurança pessoal e institucional, enquanto a denúncia aguarda decisão judicial definitiva.
A investigação sobre os serviços de segurança contratados pelo Corinthians ganhou um novo capítulo com a manifestação do ex-diretor administrativo Fábio Soares Souza. Em documento encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, ele negou participação na escolha da Bear Security e afirmou que a decisão partiu do presidente Osmar Stabile. O depoimento amplia a disputa sobre quem deve responder pelos procedimentos que estão sob análise das autoridades.
Soares sustentou que não indicou a empresa, não negociou o contrato e desconhecia seus proprietários. De acordo com a sua versão, a prestadora já atuava junto ao presidente quando ele passou a tratar do assunto. O ex-dirigente também afirmou que os setores Jurídico, Financeiro e de Compliance participaram dos trâmites internos, mas atribuiu, dessa forma, a decisão original à presidência.
Contratação é a pauta entre Soares e presidente do Corinthians
Na manifestação, Soares contestou a tentativa de associar sua atuação administrativa à escolha da empresa. O ex-integrante argumentou que não controlava os deslocamentos particulares de Stabile nem as escalas dos profissionais de segurança. Por fim, afirmou que só soube dos casos pela imprensa. O ex-diretor também descreveu um ambiente de conflito nos bastidores do Corinthians. Ao relatar sua saída, mencionou desgaste pessoal e familiar e criticou a maneira a condução da gestão sobre as decisões administrativas.
A apuração do MP-SP envolve pagamentos feitos à Bear Security entre julho de 2025 e agosto de 2026. Em setembro, o promotor Cassio Conserino apresentou denúncia contra Stabile por suspeita de apropriação indébita, ao apontar R$ 721.194,66 em recursos do clube destinados à empresa. Além disso, a acusação também questiona a regularidade da prestadora, que, de acordo com o Ministério Público, não tinha autorização da Polícia Federal para atuar na área de segurança privada.
O presidente do Corinthians, em contrapartida, rejeitou a interpretação da promotoria e afirmou que a contratação foi motivada por riscos à sua integridade e à de familiares em razão do exercício da presidência. O clube também defendeu que o serviço atendia a uma necessidade institucional e que a contratação seguiu os procedimentos internos.
A denúncia ainda depende de análise judicial, e os pedidos de afastamento e bloqueio de bens apresentados pelo Ministério Público não equivalem a decisões definitivas da Justiça. Procurado pela ESPN, o clube não se manifestou sobre as declarações de Soares.
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