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Drama da família de Kevin tem mudança de caráter e pavor de fogos

Em entrevista exclusiva ao Terra, Limbert Beltrán, pai de Kevin, fala sobre a dor dos filhos e a impunidade um ano após morte em partida do Corinthians

19 fev 2014 - 16h11
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Acompanhado da mulher, Carola, Limbert Beltrán observa o túmulo de Kevin Espada
Acompanhado da mulher, Carola, Limbert Beltrán observa o túmulo de Kevin Espada
Foto: Gazeta Press
Um ano se passou desde a morte de Kevin, mas o sofrimento da família Beltrán Espada é diário. Quem conta ao Terra, em entrevista exclusiva, é o pai Limbert. Uma situação em especial causa muita dor: se ouvem os sons de fogos de artifício em alguma festa de Cochabamba, o desespero toma conta e a lembrança do mais velho dos quatro irmãos retorna. Kevin morreu em 20 de fevereiro de 2013, vítima de rojão disparado por torcedores do Corinthians em Oruro, na Bolívia.

Enquanto tentam reerguer a família, Limbert e a mulher, Carola, precisam curar a saudade que os irmãos têm de Kevin, que tinha 14 anos. A pequena Alexandra, 9 anos, e o caçula Matías, 3 anos, também demandam cuidados, mas quem mais sofre é Jhohan, 10 anos. Desde a perda do primogênito, se tornou um garoto calado, que não expõe os sentimentos e tem medo de dormir com a luz apagada. 

Limbert Beltrán parece ciente da necessidade que tem em não deixar a memória do filho e de cobrar as autoridades por justiça. Por isso, também, o professor atende a reportagem por telefone com atenção por mais de 40 minutos. A entrevista revela um homem consternado com a ação de políticos, diplomatas e juízes em torno da morte de Kevin. Descrente com a possibilidade de ver alguém condenado, mesmo que as autoridades bolivianas sigam em investigações. 

Na quinta-feira, aniversário de um ano da morte em Oruro, o Terra ainda irá publicar a segunda parte da entrevista com o pai de Kevin. Entre as suas lamentações também está a falta de apoio que recebeu do Corinthians, da Conmebol, da CBF e da Federação Boliviana.

Confira a entrevista exclusiva com Limbert Beltrán, pai de Kevin Espada:

Terra - A dor da perda de Kevin jamais vai passar. Mas como sua família tem levado a vida nos últimos meses?

Limbert Beltrán - Para nós, como família, a dor não passou. Todavia, estamos com as sequelas de meu filhinho. Nos custa recuperar, estamos em processo de reconstrução familiar. Temos outros filhos, e temos que dar o carinho a eles. Depois que os 12 torcedores foram liberados, de certa forma, se permitiu que encontremos o rumo na nossa vida.

Terra - Como os irmãos em especial lidam com a ausência do mais velho?

Limbert -

Como disse a você, nossa família tenta se reencontrar. Nosso carinho hoje está para os irmãos de Kevin. Eles são muito pequenos, sentiram bastante a perda do irmão. Tenho problemas com Jhojan (agora o mais velho, com 10 anos), que mudou seu caráter. Ele está mais calado, não nos conta os sentimentos que têm. 

Terra - Os irmãos sofrem diariamente pela perda de Kevin?

Limbert - 

Você deve saber que a Bolívia é um país folclórico, sempre tem muitas atividades assim em meu país. Utilizam muitos petardos nessas festas. Lamentavelmente, escutamos esses petardos nessas festas e os meus filhos mudam sua atitude. Suas palavras mudam. Automaticamente mudam sua atitude. Tudo isso nos custa muito. Mas seguimos adiante. 

Terra - O fato de não serem identificados responsáveis aumenta a tristeza? Não há ninguém preso pela morte de seu filho. 

Limbert -

Sim. Aqui nós insistimos na detenção dos 12 e de que deveriam colaborar pela identificação para que os responsáveis pudessem pagar. Havia ao menos dois comprometidos com a manipulação e o ingresso dos rojões ao estádio (tinham vestígios de pólvora nas mãos) e queríamos encontrar o autor. É de conhecimento público que o menino (que assumiu a autoria do disparo) está no Brasil. 

Terra - Sobre a indicação de um menor como autor do disparo, como o senhor viu?

Limbert -

Colocaram uma salvaguarda sobre ele, o anonimato de sua imagem. Lamentavelmente, a justiça boliviana foi pressionada politicamente. Vocês sabem, amigo jornalista, das comissões que chegaram aqui para pressionar a justiça boliviana. Obviamente que a justiça aqui não foi a mais correta no manejo do caso. Foi tudo confabulado. Não há responsáveis, está tudo impune. 

Festa em aeroporto marcou desembarque dos torcedores corintianos libertados em agosto
Festa em aeroporto marcou desembarque dos torcedores corintianos libertados em agosto
Foto: Beto Martins / Futura Press
Terra - Você ainda tem esperança na justiça?

Limbert - 

Quem são os responsáveis? Os responsáveis organizaram a partida e deveriam tomar as medidas de segurança. Os responsáveis são os dirigentes que atraíram isso. Em vez de afrontar as ações dos torcedores, eles propiciaram que saíssem rapidamente do meu país. A justiça não foi correta em nenhum dos lados. Nós exigimos a justiça. 

Terra - Houve facilidades para que os torcedores fossem libertados?

Limbert - 

Os responsáveis são da embaixada e do consulado brasileiro, pela pressão e alegando a inocência dos detidos. Não respeitaram a investigação, isso é público, e aqueles que manejam a parte legal não foram independentes. Fui inocente, ingênuo, por minha ignorância legal, de confiar na boa vontade e na honestidade dos advogados. 

Terra - O senhor teve problemas com advogados que participaram do caso?

Limbert -

Não estavam protegendo os interesses da família em buscar justiça e só buscavam outros interesses. Encontramos outro advogado. Não estava comprometido com a causa, mas nos ajudou, mesmo que não como desejávamos. Essas pessoas (torcedores) seriam soltas por questões políticas e por ações escusas dos operadores da justiça na Bolívia.

Terra - Qual é sua posição hoje? Ainda há alguma tentativa por justiça?

Limbert - 

Isso determinou que nós, como família, desistimos. Cremos que insistir por outra via terá o mesmo resultado. O ministério da Justiça prometeu que ia seguir o processo no Brasil, mas o resultado é que arquivou o processo e não está mais investigando. O resultado é que arquivaram o caso, o menino autor nunca foi detido. Está andando pelas ruas aí no Brasil. 

Terra - Desde a liberdade em Oruro, alguns desses torcedores se envolveram em novas confusões e um até está preso por ter praticado assalto e atirado contra policiais. O que pensa disso?

Limbert -

Nós entendemos que nossa causa era justa e que não estávamos equivocados. Tinham vários inocentes, mas outros culpados. Como você me conta, um está detido hoje. Eles não vão ao estádio para torcer, vão para fazer vandalismo, e os responsáveis, os dirigentes da partida, não deram a cara. Digo isso com muita bronca e muita tristeza. 

Mário Gobbi volta a negar envolvimento com organizadas:

Fonte: Terra
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