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Árbitro de decisão do Paulista 2018 vira 'estrela' no Campeonato Paraibano

Após polêmica, Marcelo Aparecido de Souza troca de federação e vira 'tutor' no Estadual

8 jan 2019 - 04h41
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O árbitro da polêmica final do Campeonato Paulista de 2018 trocou São Paulo pela Paraíba neste ano. Nove meses depois de trabalhar na decisão entre Palmeiras e Corinthians, Marcelo Aparecido de Souza estourou a idade limite de 45 anos para participar do quadro da Federação Paulista de Futebol (FPF) e é a principal aquisição do quadro de juízes do Campeonato Paraibano.

A final do Paulista de 2018 ficou marcada pela reclamação do Palmeiras sobre interferência externa. O clube sustenta que o árbitro anotou um pênalti de Ralf em Dudu e voltou atrás na decisão oito minutos depois ao ser avisado por alguém que estava fora do campo.

Na Paraíba, o árbitro vai se apresentar com o status de principal novidade do projeto de reformulação local. O Estado nordestino encara desde 2018 um escândalo deflagrado pela Operação Cartola, promovida pelo Ministério Público contra a corrupção e manipulação de resultados no campeonato local. Com dirigentes afastados e nove árbitros banidos, a Federação Paraibana precisou "importar" juízes de outras federações para recompor o quadro.

Segundo o diretor de arbitragem da Federação Paraibana, Arthur Alves Júnior, o árbitro paulista será o principal nome do Estado. "Queremos ter árbitros experientes, como o Marcelo. Ele vai ajudar os outros companheiros. A presença dele é importante. O campeonato será complicado", disse.

A maioria dos juízes locais é jovens e foi promovida dos trabalhos na segunda divisão paraibana. "Infelizmente alguns dos nossos árbitros não foram bem nas provas teóricas que aplicamos. Isso me deixou triste. Precisamos aprimorar nosso quadro e contar com quem está acostumado a trabalhar em decisões importantes", afirmou o diretor de arbitragem.

Assim como Souza, outros três nomes, ainda não definidos, vão migrar para a Paraíba para reforçar o quadro local. As transferências têm, inclusive, o aval da CBF. Nas competições organizadas pela entidade, como o Brasileiro, e na maioria dos Estaduais o árbitro pode apitar até os 50 anos.

Marcelo Aparecido de Souza estreou como árbitro na Paraíba em amistoso no último sábado
Marcelo Aparecido de Souza estreou como árbitro na Paraíba em amistoso no último sábado
Foto: Divulgação/Safesp / Estadão

O responsável pelo apito na final do Paulista de 2018 diz ter superado a polêmica com as reclamações do Palmeiras e se considerar como um tutor no novo Estado. "Quando você está em São Paulo, divide a responsabilidade com outros nomes experientes da Federação Paulista. Agora, sou um espelho para os mais novos. Vou levar para a Paraíba a minha experiência nos grandes jogos", disse ao Estado o árbitro, que continuará a participar do quadro da CBF.

Souza vai continuar a morar em São Paulo e só viajará à Paraíba na véspera das partidas. A estreia foi no fim de semana, no amistoso entre Botafogo e Serrano. Na ocasião, também participou de palestras com os novos colegas e fez testes físicos.

PARA LEMBRAR

Ao longo de cinco meses, o Palmeiras tentou anular a final do Campeonato Paulista. O clube argumentou que o árbitro Marcelo Aparecido de Souza havia sofrido interferência externa para voltar atrás após marcar um pênalti do corintiano Ralf em Dudu.

O clube levantou provas com vídeos, contratou uma empresa americana de inteligência e produziu um dossiê para tentar defender a tese. A primeira investida do Palmeiras foi no âmbito estadual, no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). Depois do revés, o departamento jurídico alviverde recorreu ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), no Rio.

Como o órgão entendeu que não era possível comprovar a interferência externa, o Palmeiras encerrou o assunto. A diretoria afirmou na ocasião que estava satisfeita por ter provocado o debate sobre melhorias na arbitragem.

Estadão
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