Cirque du Soleil ou Parque dos Dinossauros?
Botafogo montou um picadeiro na saída de Franclim Carvalho. Social arbitrando no futebol é uma notícia devastadora para o futuro do clube
A GDA Luma assumiu a SAF do Botafogo, mas a transição expõe um cenário caótico. Após a goleada sofrida contra o Cienciano e a demissão tardia do técnico Franclim Carvalho, o clube social retomou influência política ao indicar nomes ultrapassados para a comissão. Paralelamente, o investidor Gabriel de Alba gera desconfiança ao ignorar a grave crise financeira e o plano de recuperação fiscal, limitando-se a discursos populistas e promessas vazias em seus primeiros passos no futebol brasileiro.
Conceituada no mundo da reestruturação financeira de ativos podres, a GDA Luma livrou o Cirque du Soleil da falência com injeção de capital. A companhia agora assume um investimento de alto risco no Botafogo. Enquanto Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, ainda não desembarcava no Rio de Janeiro para um primeiro contato, o clube já preparava o picadeiro. A palhaçaria começou na forma pela qual a SAF do Glorioso conduziu a saída do técnico Franclim Carvalho. Apesar de levar 6 a 1 do minúsculo Cienciano (PER), pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, o português, demitido, permaneceu mais cinco dias no Mais Tradicional. A torcida, com aquele nariz vermelho, feito de látex, aguardava a confirmação do desligamento do português e um pedido de desculpas pela jornada desastrosa em Cusco.
Não houve o mea-culpa por parte do Botafogo. No Espaço Lonier, Franclim, por sua vez, chegou a organizar um treino e passou informações sobre a partida de volta ao elenco. Horas depois, o profissional de Miranda do Corvo cairia, enfim, do comando técnico em um movimento que abriu as portas do Parque dos Dinossauros. O Glorioso anunciou Paulo Bonamigo (coordenador técnico), Ronaldo Torres (preparador físico) e Marcelo "Fera" Salles (auxiliar técnico). Todos, aliás, com passagem pelo Boavista de João Paulo Magalhães, atual presidente do quadro social do Botafogo e ex-gestor do clube de Bacaxá. Um trio que faria sentido há 20 anos e indicações longe de critérios técnicos. Não em 2026. De Alba, que não entende nada do esporte bretão, consentiu.
Perigo! Social dá as cartas
Bonamigo, diante da repercussão negativa da escolha e do desgaste com a massa alvinegra, teve o bom senso de não aceitar o cargo nesta onda retrô do Botafogo. O recado, contudo, estava nítido no universo em preto e branco. Inepto nas tomadas de decisões para o futebol e responsável por quebrar o Alvinegro no período pré-SAF, o social, agora com 51% das ações, arbitra na principal pasta até os trâmites societários devolvê-lo aos 10% e confirmar os 90% da GDA Luma. Péssima notícia, portanto, para os botafoguenses. Na ânsia por protagonismo, JP Magalhães, infelizmente, não teve a grandeza do recuo e de lembrar a razão pela qual o Mais Tradicional opera como empresa desde março de 2022.
Gabriel De Alba, ao menos, não é um holograma ou inteligência artificial. Os primeiros sinais da futura administração, porém, são ruins, não convencem, aludem a cartolas ultrapassados e soam como cortinas de fumaça. O empresário mexicano emulou John Textor, prometeu "bicho" diante do inexpressivo Cienciano, abusou de frases feitas que não condizem com a realidade de um clube em Recuperação Judicial e foi cercado por bajuladores. Em nenhum momento, o chefão mencionou recuperação fiscal, saneamento de caixa e equilíbrio financeiro. Ainda há o registro de um encontro com uma facção alvinegra sempre envolvida em episódios de violência. Definitivamente, o dono do circo não conhece o picadeiro onde pisa.
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