Botafogo corre risco de perder valor milionário com MP das Bets
Em recuperação judicial, SAF pode deixar de receber R$ 55 milhões em 2027
A MP das Bets ameaça o contrato de patrocínio máster do Botafogo com a VBet, colocando em risco R$ 55 milhões previstos para 2027. O valor representa 37% da arrecadação publicitária do clube, que vive situação delicada por estar em recuperação judicial desde maio de 2026. Diante do impacto no fluxo de caixa e no plano de reestruturação de suas dívidas, o time pediu ingresso no STF como amicus curiae para participar de audiência pública convocada para debater os efeitos econômicos da medida.
O Botafogo tenta evitar que a proibição das casas de apostas provoque um novo problema em suas contas. A Medida Provisória 1.394/2026, conhecida como MP das Bets, ameaça a continuidade do contrato com a VBet, patrocinadora máster que representa R$ 55 milhões anuais em receita fixa para a SAF alvinegra.
A Agência RTI Esporte apurou que o principal risco está concentrado em 2027, quando o clube poderá deixar de receber esse valor caso não consiga manter o acordo ou encontrar um substituto para ocupar o espaço máster da camisa.
A preocupação tem peso adicional porque o Botafogo está em recuperação judicial desde maio de 2026. Nesse cenário, a perda de uma receita comercial dessa dimensão pode dificultar o planejamento financeiro e a organização dos pagamentos previstos na reestruturação das dívidas.
Por isso, o presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para participar como amicus curiae da ação que questiona a medida provisória. A SAF argumenta que a retirada dos patrocínios de casas de apostas afeta diretamente o fluxo de caixa e pode comprometer o cumprimento de obrigações financeiras.
Patrocínio da VBet coloca R$ 55 milhões em risco
O contrato com a VBet foi firmado em janeiro de 2025, com validade até dezembro de 2027. O acordo prevê R$ 55 milhões por temporada em valores fixos, podendo chegar a R$ 70 milhões com o cumprimento de metas.
A receita alvinegra prevista para 2026 já foi antecipada, de acordo com informações publicadas sobre o contrato. Assim, o risco financeiro mais imediato está na parcela de 2027, estimada em R$ 55 milhões fixos.
O valor corresponde a aproximadamente 37% dos R$ 148 milhões que o Botafogo registrou em receitas publicitárias em 2025. A comparação dimensiona a importância do acordo para a arrecadação comercial da SAF.
A eventual interrupção não significa que o clube já tenha perdido esse dinheiro. O impacto dependerá dos desdobramentos jurídicos, da situação do contrato e da capacidade de encontrar outra empresa disposta a investir quantia semelhante.
Ainda assim, substituir um patrocínio desse porte representa um desafio. Além de buscar uma nova marca para o espaço máster, o Botafogo precisaria negociar em um cenário de incerteza regulatória e com a necessidade de preservar receitas para sustentar seu planejamento.
Botafogo leva preocupação financeira ao STF
A audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux está marcada para 3 de novembro, às 10h, no STF. O encontro reunirá representantes do governo federal, entidades do setor de apostas e clubes de futebol para discutir os efeitos econômicos da medida.
Além do Botafogo, foram convocados Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, além da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A MP, publicada em 25 de setembro de 2026, restringiu a operação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.
A medida provocou reação de clubes e representantes do mercado, que contestam seus efeitos sobre contratos firmados anteriormente. A audiência não representa uma decisão favorável aos clubes nem garante a retomada dos patrocínios. O objetivo é reunir informações para subsidiar a análise das ações em tramitação.
Para o Botafogo, a discussão tem consequência concreta: a possibilidade de perder R$ 55 milhões em receita fixa no próximo ano. Em recuperação judicial, a SAF precisará acompanhar o desfecho jurídico e avaliar alternativas comerciais para evitar que a incerteza sobre o patrocínio amplie a pressão sobre o caixa.
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