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Basquete

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Liga de basquete da China enfrenta crise apesar da popularidade

23 jul 2009 - 21h22
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Com 1,3 bilhão de potenciais torcedores, a China é cada vez mais vista como a terra prometida das finanças, para os astros da NBA, por meio de contratos de publicidade, e a organização que comanda o basquete profissional norte-americano estabeleceu forte presença no país, com movimento anual avaliado em US$ 2 bilhões.

Mas a liga de basquete profissional chinesa, a Chinese Basketball Association (CBA), não está se saindo tão bem em meio ao boom do basquete profissional no país. Jogadores e agentes norte-americanos descrevem contratos desrespeitados, suspeitas de manipulação de resultados de jogos e ressentimento crescente quanto aos jogadores estrangeiros. Diversos jogadores estrangeiros deixaram a China por falta de pagamento de seus salários. No mês passado, a liga chinesa anunciou prejuízo de US$ 17 milhões em sua última temporada, encerrada em maio.

Os jogadores e técnicos da liga dizem que os problemas cresceram na temporada passada depois que ela relaxou as restrições salariais e ao tempo em quadra dos jogadores estrangeiros, como parte de um esforço para reforçar os atrativos do esporte junto ao número crescente de fãs chineses da NBA, e de atrair mais patrocínios lucrativos. A associação também esperava que o talento dos jogadores importados ajudasse a melhorar as perspectivas da seleção chinesa para a olimpíada de 2012.

Mas esses esforços tiveram resultados conflitantes. A audiência de TV disparou e jogadores estrangeiros se tornaram astros ¿ os 15 maiores cestinhas da temporada não são chineses, e jogadores como Bonzi Wells e Dontae Jones, cujas carreiras na NBA foram bem menos que estelares, marcavam facilmente mais de 40 pontos por jogo. Mas o domínio do talento estrangeiro também despertou frustrações.

"Os estrangeiros deveriam ser coadjuvantes, não protagonistas", disse Zhang Xiong, diretor de operações da CBA.

Li Xiaofeng, gerente de um restaurante e torcedor da CBA, diz que "não gosto dos estrangeiros. Ficam com as melhores oportunidades de encestar. E os nossos jogadores? Não têm a chance de mostrar seu talento e competência".

"A capacidade dos jogadores chineses é limitada pelas regras atuais", ele diz.

Alguns veículos da mídia estatal chinesa foram mais longe, e definiram os jogadores importados como um "tumor maligno".

Enquanto isso, o mais conhecido jogador chinês, Yao Ming, tornou-se astro da NBA. Este mês, ele comprou o Shanghai Sharks, o time que defendeu por cinco temporadas antes de se transferir aos Estados Unidos, e que vinha enfrentando dificuldades financeiras.

Jogadores chineses como Wang Yong, do Dongguan Leopards, apoiam a presença crescente de estrangeiros. "Os jogadores chineses e estrangeiros formam uma combinação harmoniosa", diz. "Aprendi muito com eles nesta temporada, e me considero um jogador melhor agora".

Os estrangeiros não apreciam as acusações de egoísmo, e dizem ter cumprido as ordens de seus técnicos.

"Os técnicos dizem que você é o principal arremessador", diz Corsley Edwards, um norte-americano que jogou pelo Yunnan Bulls na temporada passada.

O domínio internacional não é o único problema da liga formada por 18 equipes. Técnicos, jogadores de times visitantes e seus agentes suspeitam que os resultados de alguns jogos sejam arranjados.

Jogadores falam de preleções de vestiário nas quais foram instruídos a jogar mole. Em outras ocasiões, contam, os melhores jogadores ficaram de fora de partidas disputadas, ou tiveram seus contratos rescindidos assim que seus times chegaram aos playoffs.

Gabe Muoneke, um norte-americano que defendeu o Yunnan Bulls na temporada passada, disse ter sido informado por um colega de que uma partida contra o Sharks em novembro havia sido combinada.

"Ele disse que o agente de apostas dele tinha garantido que ganharíamos naquele dia, e que eu não me preocupasse", conta Muoneke.

Na época, os dois tinham as piores campanhas da CBA, com zero vitória. O Yunnan venceu por 107 a 97.

Segundo Muoneke, o incidente confirma velhas suspeitas dele e de outros estrangeiros: a manipulação de resultados é um problema na liga chinesa.

"É de conhecimento comum que há subornos a juízes", ele disse.

A liga chinesa também está enfrentando alegações por alguns de seus jogadores de que as equipes descumpriram obrigações contratuais e deixaram de pagar os salários combinados.

Muitos antigos jogadores da NBA foram atraídos à China pela promessa de salários anuais na casa dos seis dígitos em dólares, bem como refeições e alojamento grátis e visitas pagas para seus familiares. Já os jogadores locais, em contraste, têm salário médio da ordem de US$ 14 mil por temporada.

Diante de orçamentos inflados e de perspectivas desanimadoras de vitória no torneio, alguns proprietários de equipes locais optam por jogar a toalha e deixam seus jogadores estrangeiros sem pagamento, abandonados.

É uma história que atletas como Muoneke e Edwards conhecem bem. Edwards deixou o Yunnan Bulls devido a uma disputa contratual; ele defendeu a equipe por três meses, mas ao final desse período foi informado pelo diretor geral do time que seu salário deixaria de ser pago. A queixa que ele apresentou à CBA não resultou em qualquer providência prática, afirmou Edwards.

Alguns de seus colegas chineses também se viram submetidos a dificuldades semelhantes. Em maio, muito depois do final da temporada, eles enviaram uma carta à CBA na qual informavam a liga de que 70% de seus salários e de outras dívidas que os clubes tinham para com eles ainda não haviam sido pagos. A questão ainda não foi resolvida.

Tradução de Paulo Migliacci

Yao Ming, estrela do basquete chinês, tem time na liga do país
Yao Ming, estrela do basquete chinês, tem time na liga do país
Foto: Reuters
The New York Times
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