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'Espero que eu possa inspirar outras garotas a sonhar', diz Damiris

Exemplo de superação, ala de 26 anos comemora bom momento na carreira e a recuperação da seleção feminina

7 out 2019
15h11
atualizado às 20h08
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Cada vez que entra em quadra Damiris lembra da dificuldade que enfrentou para transformar o sonho em realidade. De origem humilde, o trajeto de duas horas de trem de Ferraz de Vasconcelos, onde nasceu, até Santo André, então com 13 anos, para treinar no instituto da ex-jogadora Janeth, era apenas um dos obstáculos diários. Aos 26 anos, a ala acumula cinco temporadas na WNBA - atua pelo Minnesota Lynx -, já defendeu o Brasil em dois Jogos Olímpicos - Londres-2012 e Rio-2016 - e virou referência na seleção brasileira que, sob o comando do técnico José Neto, está recuperando o espaço que perdeu no cenário do basquete mundial.

Após o bom desempenho na Copa América, em Porto Rico, quando registrou médias de 17,3 pontos, 6,8 rebotes e 2,5 assistências e foi eleita para o quinteto ideal do torneio em que o Brasil conquistou o bronze no fim de setembro, e antes de embarcar para defender o Busan BNK Sum em mais uma experiência na Coreia do Sul, Damiris concedeu entrevista ao Estado.

Damiris teve um desempenho espetacular na Copa América
Damiris teve um desempenho espetacular na Copa América
Foto: Fiba/Divulgação / Estadão

Segundo ela, todo o esforço foi recompensado e espera que outras meninas possam se inspirar em sua história. A ala garante também que estará presente no Pré-Olímpico das Américas, que acontece em novembro, na Argentina, e concede duas vagas para o pré-olímpico mundial, e elogia o início do trabalho de Neto.

Aos 26 anos, você atua na maior liga do mundo, é o destaque da seleção e já disputou duas Olimpíadas... Também foi tricampeã da Liga de Basquete Feminino. Todo o esforço lá no começo, indo de trem de Ferraz de Vasconcelos até Santo André para treinar, muitas vezes sem um tênis adequado, valeu a pena?

Valeu muito. Não foi nada fácil, era uma menina quando iniciei no basquete, mas meus tios, minhas irmãs e a Janeth nunca deixam eu desistir. Sempre me mostravam onde eu poderia chegar.

Você se vê como um símbolo de superação, de sucesso, capaz de alimentar o sonho de jovens carentes?

Minha história não é muito diferente de milhares de outras meninas pelo Brasil. Meninas cheias de sonho e de origem humilde, sem muitas perspectivas. Espero que, de alguma forma, eu possa inspirar, motivar e empoderar outras garotas a continuar a buscarem seus sonhos.

A Janeth ainda te dá conselhos?

Ela é uma mãezona para mim, uma pessoa muito presente em minha vida. Ela está sempre me orientando e compartilhando de sua experiência.

Falando agora da seleção, você ficou fora na conquista do Pan de Lima, neste ano, e voltou à seleção na Copa América. Foi possível observar alguma mudança significativa com o José Neto?

Sim, o Neto está trazendo uma nova filosofia de trabalho e todas estão comprometidas na busca de resultados positivos. A equipe está unida e muito focada. Estou gostando, estou bastante otimista com o trabalho do Neto.

O momento da seleção feminina anterior à chegada dele necessitava de uma ruptura, um fato novo para recuperar o espaço que havia perdido?

Penso que precisávamos de um trabalho mais consistente, um tempo maior de preparação, um trabalho a médio prazo. Espero que possamos ter isso com ele.

Como avalia o desempenho na Copa América, com bons jogos contra Canadá e EUA e atropelando outros rivais, como Argentina e Porto Rico, que estavam superando o Brasil recentemente?

O time está feliz, unido e principalmente comprometido com o resultado. Sabemos que não existe mais equipe fraca e, por isso, estamos todas trabalhando duro para atingir o mais alto lugar no pódio.

Individualmente você teve um desempenho espetacular, ficou satisfeita?

Eu estou muito feliz por ter ajudado o time e, como consequência, ter sido eleita no quinteto ideal. Antes de estar com o grupo, joguei dois campeonatos fortes, tanto o da Coreia do Sul quanto da WNBA e me sentia preparada para contribuir com a equipe.

O próximo desafio será no Pré-Olímpico das Américas em novembro. Você está indo jogar na Coreia novamente. Estará presente para defender o Brasil?

Com certeza. Já deixei acordado com o time da Coreia a minha participação neste momento tão importante para o basquete feminino.

A seleção está no grupo com EUA, Argentina e Colômbia. É possível superar argentinas e colombianas para garantir vaga no Pré-Olímpico Mundial?

São equipes forte e certamente estão se preparando também. Mas acredito em nossa equipe e sei que é possível. Vamos trabalhar forte para atingir o objetivo principal, que é garantir uma vaga.

Caso se classifique, o Brasil rivais ainda mais fortes no pré-olímpico Mundial. A sua terceira olimpíada ainda é uma realidade distante?

Não é distante, não (Risos). Acredito que estaremos lá. Vamos trabalhar para conquistar esta vaga.

Acredita que o basquete feminino foi deixado de lado por muito tempo, principalmente na gestão anterior da CBB, e agora está voltando ao devido lugar?

Acredito que estamos no caminho certo. Há muito o que melhorar, mas estamos no caminho certo. Sou a favor de uma gestão igualitária, onde o principal objetivo é o crescimento do basquete brasileiro como um todo.

Como avalia sua temporada na WNBA pelo Minnesota Lynx, indo aos playoffs?

Estou muito feliz no Lynx. A equipe está renovada e promete uma ótima próxima temporada.

Como vê o atual cenário do basquete jogado no Brasil?

Acredito que estamos em uma evolução e o trabalho que vem sendo realizado em tão pouco tempo já apresentou resultado. Estamos positivamente em uma crescente.

Estadão
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