Protestos pró-Palestina motivam reforço na segurança em etapa final da Volta a Espanha
Mais de 1,5 mil agentes serão mobilizados; manifestantes criticam presença da equipe Israel-Premier Tech na competição
A reta final da Volta a Espanha terá forte esquema de segurança depois de uma série de protestos pró-Palestina marcarem o decorrer da competição. Mais de 400 guardas civis extras serão escalados para a penúltima etapa, no sábado, e outros 1.100 policiais reforçarão a decisão de domingo, que acontece em Madrid. Segundo as autoridades, o objetivo é compatibilizar a realização esportiva com o "legítimo direito de protestar".
As manifestações vêm ocorrendo desde o início da competição e têm como alvo direto a presença da equipe Israel-Premier Tech, cujo proprietário, o bilionário Sylvan Adams, mantém relações próximas com o governo de Israel. Ativistas alegam que a participação da equipe funciona como uma estratégia de "sportswashing", ou seja, uma tentativa de suavizar a imagem de Israel diante das denúncias de violações de direitos humanos.
Em resposta à onda de manifestações, a equipe decidiu retirar o nome "Israel" da camisa e passou a correr apenas com um monograma discreto no uniforme, segundo a Reuters.
Os protestos já impactaram o percurso em diferentes etapas. Na última quinta-feira, em Valladolid, a etapa de contrarrelógio foi encurtada de 27,2 km para 12,2 km após mobilizações na Praça da Universidade. Dois manifestantes chegaram a invadir a rota com bandeiras palestinas e foram detidos pela Polícia Nacional espanhola, de acordo com a CNN Portugal.
Outras etapas também foram modificadas. Na 16ª, o percurso foi reduzido em 8 km depois que um bloqueio interrompeu a estrada a apenas 3 km do fim. Na 15ª, o ciclista Javi Romo, da Movistar, caiu após se distrair com um manifestante que invadiu a pista na frente de sua bicicleta.
Na 10ª etapa, o italiano Simone Petili, da Intermarché-Wanty, foi ao chão em circunstâncias semelhantes, enquanto na quinta parte da prova a equipe Israel-Premier Tech precisou parar após colidir com uma barreira improvisada por manifestantes.
ÚLTIMA HORA | Un manifestante propalestino tira al ciclista español Javi Romo, del Movistar, en plena etapa de la Vuelta a España https://t.co/sVqvRg3dld pic.twitter.com/sZQYSGBMNm
— Pablo Haro Urquízar (@pabloharour) September 7, 2025
Apesar das interrupções, o diretor da Vuelta, Javier Guillén, assegurou que a competição não será suspensa. "Queremos expressar nosso mais forte repúdio ao que vivemos hoje. Felizmente a etapa foi concluída em termos de tempo e de vencedor, mas, obviamente, não terminou como havíamos planejado. O principal recado que quero deixar é que vamos continuar com a Vuelta", disse. O dirigente também classificou as manifestações como ilegais, com base no Código Penal e na Lei do Esporte, e reforçou que o ciclismo "é para unir e não para dividir".
As questões geopolíticas suscitadas no evento de ciclismo fizeram com que figuras políticas se manifestassem. José Manuel Albares, ministro das Relações Exteriores da Espanha, declarou apoiar a exclusão da equipe Israel-Premier Tech da prova, comparando a situação à retirada de times russos após a invasão da Ucrânia. Atletas de diferentes equipes chegaram a ameaçar abandonar a corrida caso a segurança não fosse reforçada.
Já o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu elogiou a permanência do Israel-Premier Tech na prova, afirmando em publicação nas redes sociais que o time "orgulha Israel" por não ceder "ao ódio e à intimidação".
Prime Minister Benjamin Netanyahu:
Great job to Sylvan and Israel's cycling team for not giving in to hate and intimidation. You make Israel proud! ????
— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) September 5, 2025
O debate também alcançou o futebol espanhol. Borja Iglesias, jogador do Celta de Vigo, criticou a forma como a opinião pública reage às interrupções da prova. "O que me surpreende é que, às vezes, se dá mais importância à interrupção de um evento esportivo do que a um genocídio. Temos consciência da situação em que vivemos e acho que às vezes é necessário parar e exigir o que considero obrigatório: os direitos humanos, que respeito e que muitas vezes não são cumpridos", afirmou.
Protestos massivos contra o Holocausto Palestino e a participação de equipe israelense forçam "Volta à Espanha" a suspender trecho, encerrar prova 3km antes da linha de chegada e etapa de Bilbao termina sem vencedor oficial. pic.twitter.com/CHDeRfdeRs
— FEPAL - Federação Árabe Palestina do Brasil (@FepalB) September 4, 2025
Nuevo intento de cortar la carrera de La Vuelta en Valladolid, reprimido violentamente por policías uniformados y de paisano. Asistentes en el recorrido de la carrera denuncian que los agentes han roto móviles y detenido a más personas. pic.twitter.com/lvHOlflB4i
— JMG (@manmophet) September 11, 2025
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.