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Automobilismo

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Protestos pró-Palestina motivam reforço na segurança em etapa final da Volta a Espanha

Mais de 1,5 mil agentes serão mobilizados; manifestantes criticam presença da equipe Israel-Premier Tech na competição

11 set 2025 - 23h07
(atualizado em 12/9/2025 às 00h11)
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A reta final da Volta a Espanha terá forte esquema de segurança depois de uma série de protestos pró-Palestina marcarem o decorrer da competição. Mais de 400 guardas civis extras serão escalados para a penúltima etapa, no sábado, e outros 1.100 policiais reforçarão a decisão de domingo, que acontece em Madrid. Segundo as autoridades, o objetivo é compatibilizar a realização esportiva com o "legítimo direito de protestar".

As manifestações vêm ocorrendo desde o início da competição e têm como alvo direto a presença da equipe Israel-Premier Tech, cujo proprietário, o bilionário Sylvan Adams, mantém relações próximas com o governo de Israel. Ativistas alegam que a participação da equipe funciona como uma estratégia de "sportswashing", ou seja, uma tentativa de suavizar a imagem de Israel diante das denúncias de violações de direitos humanos.

Em resposta à onda de manifestações, a equipe decidiu retirar o nome "Israel" da camisa e passou a correr apenas com um monograma discreto no uniforme, segundo a Reuters.

Os protestos já impactaram o percurso em diferentes etapas. Na última quinta-feira, em Valladolid, a etapa de contrarrelógio foi encurtada de 27,2 km para 12,2 km após mobilizações na Praça da Universidade. Dois manifestantes chegaram a invadir a rota com bandeiras palestinas e foram detidos pela Polícia Nacional espanhola, de acordo com a CNN Portugal.

Outras etapas também foram modificadas. Na 16ª, o percurso foi reduzido em 8 km depois que um bloqueio interrompeu a estrada a apenas 3 km do fim. Na 15ª, o ciclista Javi Romo, da Movistar, caiu após se distrair com um manifestante que invadiu a pista na frente de sua bicicleta.

Na 10ª etapa, o italiano Simone Petili, da Intermarché-Wanty, foi ao chão em circunstâncias semelhantes, enquanto na quinta parte da prova a equipe Israel-Premier Tech precisou parar após colidir com uma barreira improvisada por manifestantes.

Apesar das interrupções, o diretor da Vuelta, Javier Guillén, assegurou que a competição não será suspensa. "Queremos expressar nosso mais forte repúdio ao que vivemos hoje. Felizmente a etapa foi concluída em termos de tempo e de vencedor, mas, obviamente, não terminou como havíamos planejado. O principal recado que quero deixar é que vamos continuar com a Vuelta", disse. O dirigente também classificou as manifestações como ilegais, com base no Código Penal e na Lei do Esporte, e reforçou que o ciclismo "é para unir e não para dividir".

As questões geopolíticas suscitadas no evento de ciclismo fizeram com que figuras políticas se manifestassem. José Manuel Albares, ministro das Relações Exteriores da Espanha, declarou apoiar a exclusão da equipe Israel-Premier Tech da prova, comparando a situação à retirada de times russos após a invasão da Ucrânia. Atletas de diferentes equipes chegaram a ameaçar abandonar a corrida caso a segurança não fosse reforçada.

Já o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu elogiou a permanência do Israel-Premier Tech na prova, afirmando em publicação nas redes sociais que o time "orgulha Israel" por não ceder "ao ódio e à intimidação".

O debate também alcançou o futebol espanhol. Borja Iglesias, jogador do Celta de Vigo, criticou a forma como a opinião pública reage às interrupções da prova. "O que me surpreende é que, às vezes, se dá mais importância à interrupção de um evento esportivo do que a um genocídio. Temos consciência da situação em que vivemos e acho que às vezes é necessário parar e exigir o que considero obrigatório: os direitos humanos, que respeito e que muitas vezes não são cumpridos", afirmou.

Estadão
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