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Automobilismo

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Piratas atrapalham logística e equipe brasileira vai disputar Rally Dakar com carro 'emprestado'

Rodrigo Varela, campeão sul-americano, teve de encontrar alternativas para disputar a prova após embarcação alterar sua rota no Mar Vermelho

4 jan 2024 - 11h42
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Campeão sul-americano de Rali Raid (novo nome da modalidade Rali Cross-Country, da qual faz parte o Dakar e o Sertões), o piloto Rodrigo Varela comemorava o Natal com a família quando chegou a notícia inesperada: o navio cargueiro que levava seu carro para a disputa do Dakar 2024, um UTV Can-Amhavia, havia fugido de piratas houthis que abordavam as embarcações no Mar Vermelho. Impedido de fazer aquela rota, o navio mudou o rumo para contornar todo o continente africano, o que alterou sua chegada em mais de 20 dias - inviabilizando a disputa da prova pelo piloto brasileiro.

Rodrigo Varela precisou encontrar alternativas para disputar o Rally Dakar.
Rodrigo Varela precisou encontrar alternativas para disputar o Rally Dakar.
Foto: Reprodução/ Instagram @varela_canam_monsterenergy / Estadão

Imediatamente, a família Varela - tradicional clã do esporte a motor brasileiro - iniciou os contatos para que o projeto da estreia de Rodrigo no Dakar não se encerrasse ali. Já com viagem programada para a Europa no dia 26 de dezembro, de onde seguiria para a Arábia Saudita, local do Dakar de 5 a 19 de janeiro, Rodrigo buscou um carro substituto, com a ajuda dos dois irmãos e de seu pai, Reinaldo Varela, campeão do Dakar e tricampeão mundial.

"Localizamos um Can-Am em Portugal, de um piloto que veio ao Brasil disputar o Sertões conosco. Mas precisamos fazer modificações e adaptações às pressas. Felizmente, deu certo e ele passou na vistoria do Dakar. Era o principal: vamos correr", conta Rodrigo, que será parceiro do navegador Ênio Bozzano. "Ainda não temos todas as peças que vamos precisar durante o Dakar, que é uma corrida longa e exige muita manutenção. Estamos contando com a ajuda das outras equipes."

O incidente não foi um fato isolado. Uma semana antes, o governo dos Estados Unidos anunciou uma coalisão internacional proteger os navios cargueiros de ataques de piratas no Mar Vermelho. No dia 31 de dezembro, helicópteros do porta-aviões USS Einsenhower e do destroyer USS Gravely combateram três embarcações, com a morte de dez tripulantes.

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Os houthis são uma das principais forças da guerra civil iniciada em 2012 no Iêmen, onde se opõem forças apoiadas pela Arábia Saudita e pelo Irã. Como nação árabe, outra bandeira que motiva a ação houthi na região é a oposição a Israel, devido à guerra contra o Hamas. O Mar Vermelho é caminho para o Canal de Suez, no Egito, por onde passam 15% do comércio mundial.

Equipe formada por brasileiros

O projeto dos Varela promoverá não apenas a estreia no Dakar de Rodrigo, filho mais velho do tricampeão mundial Reinaldo. Também é marcante o fato de que o time seja formado por técnicos brasileiros. Três mecânicos especializados serão chefiados por Reinaldo, com auxílio do filho mais novo, Bruno - que recentemente faturou o tricampeonato brasileiro de Rally Baja. Os dois estarão nos veículos de apoio na trilha. A iniciativa tem apoio das empresas Divino Fogão, Can-Am, Motul e Quadrijet.

O outro piloto da família, Gabriel, ficou no Brasil, de onde coordenou os esforços de localização e preparação do carro, além de ajudar na logística enquanto a família se deslocava para o Oriente Médio.

O Team Brazil, nome dado à equipe neste Dakar, se instalou na última terça-feira no primeiro dos 13 acampamentos previstos para a prova, em Al-Ula, local de um oásis ocupado há mais de cinco mil anos, no coração do deserto saudita. Na chegada, Rodrigo realizou a primeira tarefa de sua nova realidade na mais difícil corrida off-road do mundo: conseguir um gerador de energia, já que o equipamento estava no navio que fugiu dos piratas. "Vai ser assim até o final", disse Rodrigo. "Com o planejamento correto, que nós tínhamos até esse incidente, já é bem difícil disputar essa corrida. Mas o Dakar é isso: você tem que se superar todos os dias. Estamos aqui pra isso", finalizou Rodrigo Varela.

Além da estreia do campeão sul-americano, o Brasil conta em 2024 com sua mais forte representação no Dakar desde a estreia do país na prova, em 1988, com Klever Kolberg e André Azevedo. Com um recorde de 17 integrantes, a delegação nacional tem fortes candidatos à vitória nas categorias em que atua, como a Carros (com Lucas Moraes, por exemplo), protótipos UTVs T3 (Gustavo Gugelmin, navegador) e UTVs de fábrica preparados para competição (T4, com Varela/Bozzano e o piloto Cristiano Batista), além da Quadriciclos (com Marcelo Medeiros).

Rodrigo Varela precisou encontrar alternativas para disputar o Rally Dakar.
Rodrigo Varela precisou encontrar alternativas para disputar o Rally Dakar.
Foto: Reprodução/ Instagram @varela_canam_monsterenergy / Estadão
Estadão
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