IMSA: Laudenbach critica condução da temporada de 2026 e questiona condições enfrentadas pela Porsche
Chefe da Porsche Motorsport afirma que a equipe teve dificuldades para disputar vitórias após os triunfos em Daytona e Sebring.
Thomas Laudenbach, chefe da Porsche Motorsport, demonstrou insatisfação com a maneira como determinados aspectos da temporada 2026 da IMSA foram conduzidos. Embora não possa comentar diretamente sobre o Balance of Performance (BoP), suas declarações indicam descontentamento com as condições impostas aos Porsche 963 da Porsche Penske Motorsport após as vitórias nas 24 Horas de Daytona e nas 12 Horas de Sebring, conquistadas por Felipe Nasr, Julien Andlauer e Laurin Heinrich.
Depois dos dois triunfos, os ajustes de BoP passaram a representar um obstáculo para os protótipos alemães. Em Long Beach e Detroit, os carros precisaram competir com peso mínimo de 1.100 kg, enquanto, durante boa parte do campeonato, enfrentaram a relação entre peso e potência menos favorável entre os modelos da classe GTP. Nesse cenário, a equipe de fábrica ficou sem vitórias gerais entre Long Beach e Indianápolis.
“Se eu tiver que resumir, estou extremamente feliz com o início da temporada, obviamente com Daytona e Sebring, sem dúvida”, afirmou Laudenbach ao Motorsport.com.
“Depois disso, ficou realmente difícil lutar por vitórias. Então, sim, não estou 100% satisfeito com o restante da temporada. Não estou dizendo que sempre fizemos um trabalho perfeito, mas acredito que as condições que nos foram dadas não foram as melhores.”
O dirigente também admitiu que não aprovou integralmente a forma como a situação foi administrada, embora tenha reconhecido a complexidade do trabalho das autoridades responsáveis pelo campeonato. “Estou satisfeito com tudo e com a maneira como as coisas foram conduzidas neste ano? Não! Mas sejamos justos, não é um trabalho fácil”, declarou.
Apesar das dificuldades enfrentadas na pista, Laudenbach pediu que a análise da temporada considere o desempenho mais amplo da Porsche desde sua entrada na categoria GTP. Para ele, a frustração com as circunstâncias de determinadas corridas não deve apagar as conquistas acumuladas nos últimos anos.
“Obviamente, quando você está nessa situação no circuito, tudo se torna emocional. Mas, se você der cinco passos para trás e olhar para os últimos três anos, fomos incrivelmente bem-sucedidos. Em 2024 e 2025, conquistamos todos os títulos possíveis. Este ano foi mais difícil, mas ainda tínhamos potencial para vencer a Endurance Cup nas três categorias. No geral, acho que podemos estar muito felizes e orgulhosos do que alcançamos.”
Laudenbach também ressaltou que a Porsche mantém diálogo frequente com a IMSA, mesmo diante das divergências sobre as condições técnicas.
“Temos uma relação próxima com a IMSA. Conversamos com eles regularmente e, às vezes, é preciso dizer: ‘Tudo bem, é assim que as coisas são’. Fazemos o melhor com aquilo que nos foi dado e depois olhamos para a frente. Essa é basicamente a situação em que estamos”, explicou.
A sequência de vitórias da Porsche no começo do campeonato colocou a IMSA diante do desafio de preservar o equilíbrio competitivo da classe GTP. Após dois anos de domínio da equipe alemã, uma terceira campanha consecutiva de superioridade poderia comprometer a disputa entre os fabricantes. Na FIA WEC, o Automobile Club de l’Ouest (ACO) enfrentou uma situação semelhante depois de três vitórias consecutivas da Ferrari nas 24 Horas de Le Mans, adotando um BoP mantido em sigilo. Na prática, o Ferrari 499P não teve condições de conquistar o quarto triunfo consecutivo na prova francesa.
Sem conseguir disputar vitórias gerais em boa parte da temporada e vendo Jack Aitken, da Cadillac, assegurar o título de pilotos da GTP ao largar na etapa decisiva de Road Atlanta, a Porsche Penske Motorsport concentrou seus esforços em aproveitar as últimas oportunidades do ano.
A equipe encerrou o campeonato com a vitória de Kévin Estre, Laurens Vanthoor e Matt Campbell na prova final, completando uma sequência de triunfos nos três grandes eventos de resistência da temporada: Daytona, Sebring e Petit Le Mans. Além disso, Laurin Heinrich garantiu o título da Endurance Cup ainda durante a corrida decisiva.
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