F1: Verstappen, Russell e Norris criticam ondulações de Austin e relatam impactos físicos
Pilotos omentaram as condições do Circuito das Américas, que recebeu novos reparos antes do GP dos Estados Unidos de 2026
As ondulações do Circuito das Américas (COTA), em Austin, voltaram ao centro das discussões na Fórmula 1. Durante o dia de mídia do GP dos Estados Unidos de 2026, Max Verstappen e Lando Norris criticaram as condições do asfalto e alertaram para os impactos físicos provocados pelas irregularidades. George Russell também reconheceu o problema, embora tenha destacado que as características das pistas fazem parte dos desafios do automobilismo.
A preocupação ganhou força mesmo após novos reparos realizados antes da etapa deste ano. Para Verstappen, as intervenções pontuais não resolvem a origem do problema, enquanto Norris relatou o desconforto causado pelos solavancos durante a pilotagem.
O piloto da Red Bull classificou as ondulações como inaceitáveis e afirmou que a situação está fora de controle. Apesar de considerar o traçado de Austin um dos melhores da temporada, o holandês acredita que o circuito precisa de uma intervenção mais profunda para corrigir as irregularidades.
Verstappen explicou que o problema está relacionado também ao terreno sob o asfalto. Segundo ele, nivelar trechos isolados funciona como uma solução temporária, já que a movimentação do solo pode provocar novas deformações.
O tetracampeão revelou ainda que exames realizados em sua coluna indicaram que a região inferior não está em boas condições. Ele relacionou a preocupação aos impactos acumulados ao longo dos últimos anos, especialmente com os carros da geração anterior.
Em 2025, Verstappen já havia enfrentado impactos verticais superiores a 9G em Austin, segundo seu próprio relato. A comparação ajuda a dimensionar a intensidade dos solavancos, que podem submeter o corpo dos pilotos a cargas elevadas em determinados pontos da pista.
Para o holandês, manter essas condições sem uma solução duradoura pode ampliar os efeitos físicos ao longo das temporadas.
Lando Norris, da McLaren, concordou com as críticas e chamou atenção para o desconforto provocado pelas irregularidades. O britânico afirmou que, em pistas muito acidentadas, precisa tomar medicamentos para dor de cabeça antes de entrar no carro.
Segundo o piloto, os movimentos bruscos fazem sua cabeça bater contra o apoio de cabeça do cockpit. Norris também observou que o circuito não atenderia às tolerâncias exigidas atualmente para a construção de uma nova pista.
O britânico ponderou, porém, que Austin é um circuito antigo e que os pilotos já levaram a questão aos responsáveis em outras ocasiões. Para ele, existe um limite para o que os competidores podem fazer além de continuar cobrando melhorias.
George Russell, da Mercedes, apresentou uma visão um pouco diferente. Embora reconheça as irregularidades de Austin, o britânico considera que as ondulações fazem parte dos desafios encontrados no automobilismo.
Sua preocupação também envolve a conservação dos circuitos ao longo do calendário. Russell defendeu que as pistas recebam recapeamento com maior frequência para manter condições mais uniformes e evitar que o desgaste do asfalto se transforme em um problema adicional.
O piloto explicou que os carros atuais rodam muito próximos do solo, o que aumenta a influência das irregularidades sobre o comportamento do veículo. Além disso, os pneus de aro 18 polegadas têm uma lateral mais baixa do que os utilizados anteriormente, reduzindo o efeito de amortecimento proporcionado pelo próprio pneu.
Nesse cenário, as equipes precisam encontrar um acerto de suspensão que permita absorver os impactos sem comprometer a estabilidade e o desempenho aerodinâmico.
O problema do Circuito das Américas não é recente. Construído em uma região com solo argiloso sujeito a movimentações conforme as condições de umidade, o traçado enfrenta deformações que podem reaparecer mesmo depois de intervenções no pavimento.
Antes do GP dos Estados Unidos de 2026, foram realizados novos trabalhos em pontos específicos. O trecho entre as curvas 9 e 11 recebeu recapeamento, enquanto as ondulações nas aproximações das curvas 12 e 19 foram suavizadas.
As medidas buscam melhorar a superfície, mas não garantem que todas as irregularidades tenham sido eliminadas. A movimentação do terreno continua sendo um desafio para a manutenção do circuito.
As primeiras sessões de pista serão importantes para que as equipes avaliem o comportamento dos carros nas áreas reparadas e nos demais trechos acidentados. A superfície influencia as escolhas de suspensão, a altura do carro e a estabilidade durante as frenagens e curvas.
A discussão também vai além do desempenho. Os relatos de Verstappen e Norris colocam em evidência o desconforto físico dos pilotos e a necessidade de avaliar até que ponto as condições do asfalto são aceitáveis.
Até o momento, as críticas dos competidores não significam que haverá mudanças no traçado durante o fim de semana. O debate, no entanto, reforça uma questão antiga em Austin: como preservar as características de um circuito reconhecido por seu desenho desafiador sem deixar de lado as condições da superfície e o bem-estar dos pilotos.
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