F1: quem é Ryo Hirakawa, o japonês que conquistou uma chance inesperada na Haas
Bicampeão do WEC e vencedor de Le Mans, piloto de 32 anos substitui Ocon no GP do México e realiza o sonho de estrear na Fórmula 1
A oportunidade que Ryo Hirakawa esperou por anos surgiu de maneira inesperada. Aos 32 anos, o japonês fará sua estreia em um Grande Prêmio de Fórmula 1 pela Haas, substituindo Esteban Ocon no restante do fim de semana do GP do México. Uma chance que chega após uma carreira construída longe do caminho mais tradicional até a categoria, marcada por títulos no automobilismo japonês e conquistas importantes no endurance.
Embora já conheça os bastidores da Fórmula 1 e tenha participado de sessões oficiais de treinos livres, Hirakawa ainda não havia disputado uma classificação ou largado em uma corrida da categoria. No México, terá a oportunidade de dar esse passo e transformar anos de trabalho como piloto de testes e reserva em sua primeira participação em um Grande Prêmio.
Natural de Hiroshima, o japonês iniciou sua trajetória no kart em 2007. No ano seguinte, conquistou o Campeonato Japonês Júnior e começou a construir uma carreira que avançaria rapidamente pelas principais categorias de seu país. Em 2010, venceu a Super FJ de Okayama e, dois anos depois, conquistou o título da Fórmula 3 Japonesa.
A partir de 2013, passou a competir na Super Fórmula, uma das principais categorias de monopostos do Japão. Ao longo de nove temporadas, somou quatro vitórias e quatro pole positions, tendo o vice-campeonato de 2020 como melhor resultado. Também se destacou no Super GT, onde conquistou o título da classe GT500 em 2017, ao lado de Nick Cassidy.
Foi, porém, no endurance que Hirakawa alcançou reconhecimento internacional. Depois de competir na European Le Mans Series e estrear nas 24 Horas de Le Mans em 2016, o piloto passou a integrar a equipe principal da Toyota Gazoo Racing no Campeonato Mundial de Endurance (WEC), em 2022.
Ao lado de Sébastien Buemi e Brendon Hartley, no Toyota GR010 Hybrid número 8, venceu as 24 Horas de Le Mans e conquistou o título mundial de pilotos do WEC naquela temporada. Em 2023, a tripulação voltou a conquistar o campeonato, garantindo o bicampeonato consecutivo.
As conquistas consolidaram Hirakawa entre os principais nomes do endurance. Sua formação esportiva seguiu um caminho diferente daquele percorrido por muitos pilotos que chegam à Fórmula 1 depois de uma sequência nas categorias de base europeias. Em vez de concentrar sua carreira nos monopostos, o japonês acumulou experiência em provas de longa duração, nas quais estratégia, consistência, gerenciamento de pneus e trabalho em equipe têm papel decisivo.
A aproximação com a Fórmula 1 ganhou força em 2024, quando Hirakawa foi anunciado como piloto reserva da McLaren. Além do trabalho no simulador e das atividades de desenvolvimento, teve sua primeira participação em um treino livre oficial no GP de Abu Dhabi daquele ano.
Em 2025, iniciou uma nova etapa ao integrar o grupo de pilotos de testes e reserva da Alpine. Pela equipe francesa, participou do TL1 do GP do Japão, em Suzuka, diante do público de seu país. A passagem, contudo, foi curta: em abril, transferiu-se para a Haas, onde assumiu a função de piloto reserva, conciliando as atividades na Fórmula 1 com seu compromisso com a Toyota no WEC.
Hirakawa permaneceu na estrutura da equipe norte-americana em 2026 e voltou a participar de sessões oficiais. Uma delas foi justamente o TL1 do GP do México, quando conduziu o VF-26 e terminou na 15ª posição.
A possibilidade de disputar seu primeiro Grande Prêmio, entretanto, surgiu em circunstâncias incomuns. Na manhã de sábado, 31 de outubro, a Haas anunciou que Hirakawa substituiria Esteban Ocon pelo restante do fim de semana. A decisão chamou a atenção do paddock, já que o francês havia participado normalmente do segundo treino livre, na sexta-feira.
O chefe da equipe, Ayao Komatsu, confirmou que a ausência de Ocon não estava relacionada a problemas de saúde, mas evitou explicar os motivos da mudança. Sem entrar em detalhes sobre a decisão, a Haas colocou Hirakawa diante de um desafio imediato: assumir o carro a partir do TL3 e se preparar para a classificação com tempo limitado.
O cenário exigia adaptação rápida. Além de conhecer melhor o VF-26 e os procedimentos da equipe, o japonês precisava encontrar ritmo em um dos circuitos mais particulares do calendário. Situado a mais de 2.200 metros de altitude, o Autódromo Hermanos Rodríguez apresenta condições específicas que tornam o acerto dos carros e o gerenciamento dos pneus especialmente desafiadores.
Na classificação, Hirakawa registrou o 19º tempo, com 1min18s958, e não conseguiu avançar ao Q2. O piloto apontou o tráfego durante sua última tentativa como um dos fatores que prejudicaram sua volta rápida. Posteriormente, com a desclassificação de Liam Lawson, subiu para a 18ª posição no grid de largada.
Apesar do resultado na classificação, o desempenho do japonês foi bem recebido pela equipe. Komatsu destacou sua evolução ao longo do TL3 e a capacidade de manter a calma mesmo diante de uma preparação tão curta. O dirigente também ressaltou que Hirakawa chegou perto de avançar à segunda fase da classificação.
Para o piloto, a oportunidade representa a realização de um objetivo perseguido durante boa parte da carreira. Após a sessão, ele destacou que sempre esteve preparado para cumprir suas responsabilidades como reserva, mas não escondeu a emoção de finalmente ter a chance de disputar um Grande Prêmio.
“Sonhei com isso e hoje esse sonho se tornou realidade”, declarou.
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