Fórmula E: Beth Paretta assume liderança da Citroën e reforça presença feminina no automobilismo
Dirigente acumula funções na equipe francesa, ampliando a participação de mulheres em posições de decisão dentro e fora das pistas
A presença feminina no automobilismo vai além da participação de mulheres como pilotos, engenheiras ou integrantes das equipes. Em um ambiente historicamente dominado por homens, ocupar posições de liderança também representa a possibilidade de participar diretamente das decisões que determinam os rumos de uma organização. É nesse cenário que Beth Paretta assume uma nova responsabilidade na Citroën Racing, equipe que disputa o Campeonato Mundial de Fórmula E.
A norte-americana, que chegou à estrutura em maio como diretora-geral, passa a acumular o cargo de chefe de equipe para a 13ª temporada da categoria. Com a mudança, Paretta será responsável tanto pelas operações comerciais e administrativas quanto pelo desempenho esportivo da organização, incluindo a supervisão de áreas como engenharia, desenvolvimento, finanças e comunicação.
A nomeação, entretanto, não representa sua primeira experiência à frente de uma equipe de competição. Paretta construiu parte de sua trajetória na IndyCar, onde fundou a Paretta Autosport, projeto criado para ampliar as oportunidades de mulheres em diferentes funções do automobilismo. A iniciativa ganhou destaque ao reunir profissionais femininas em áreas técnicas e operacionais tradicionalmente ocupadas por homens.
Sua chegada ao comando da Citroën reforça uma discussão que ultrapassa a representatividade numérica. Embora iniciativas voltadas à inclusão feminina tenham ganhado visibilidade nos últimos anos, a presença de mulheres em cargos de alta gestão continua sendo uma questão importante para o setor. Afinal, participar de uma modalidade não significa, necessariamente, ter influência sobre as decisões que a movimentam.
Nesse contexto, a trajetória de Paretta evidencia uma dimensão frequentemente menos explorada da desigualdade de gênero no esporte. O acesso às competições é apenas uma das etapas de um processo que também envolve oportunidades de crescimento profissional, reconhecimento e participação nas estruturas de poder.
Em entrevista divulgada pela Citroën Racing, a dirigente destacou que sua nova função exige uma compreensão ampla do funcionamento da equipe. Além das questões esportivas, a responsabilidade envolve coordenar diferentes departamentos e garantir que todos trabalhem em direção aos mesmos objetivos.
O desafio acontece em um momento de transformação tecnológica para a Fórmula E. Com a introdução dos novos monopostos GEN4, a categoria inicia uma fase marcada por veículos mais potentes e avançados, exigindo adaptações técnicas e estratégicas das equipes. Paretta terá a responsabilidade de conduzir a Citroën durante essa transição, buscando resultados competitivos e consolidando o projeto da fabricante no campeonato.
Mais do que ocupar um espaço historicamente masculino, sua atuação coloca uma mulher no centro das decisões esportivas e administrativas de uma equipe internacional. A importância dessa presença não elimina os obstáculos enfrentados por outras profissionais, tampouco significa que a desigualdade de gênero tenha sido superada.
A nomeação de Beth Paretta, portanto, representa mais do que uma mudança no organograma da Citroën Racing. Sua trajetória demonstra que a discussão sobre a presença feminina no automobilismo não deve se limitar a quantas mulheres conseguem entrar nesse ambiente, mas também a quais oportunidades encontram para crescer e, principalmente, liderar.
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