O ex-velocista canadense Ben Johnson retornou ao Estádio Olímpico de Seul nesta terça-feira, aniversário de 25 anos da final dos 100 m rasos dos Jogos Olímpicos de Seul (1988). Ele venceu a prova com o tempo de 9s79, que seria recorde mundial, mas teve o resultado cassado pelo uso de doping.
Johnson voltou à capital da Coreia do Sul em uma simbólica campanha contra o uso de substâncias proibidas no esporte. Às 13h30 locais, mesmo horário da final olímpica, ele pisou na linha de largada da pista de atletismo da capital do país asiático.
"Para o 25º aniversário do melhor e do pior momento da minha vida, estou ajudando na mudança. Usei substâncias sem medir o impacto que isso teria. Sabia que isso não era certo, mas os outros atletas se dopavam e achei que precisava tentar. Isso arruinou minha carreira e minha vida", disse Ben Johnson.
Por conta do resultado do teste antidoping, divulgado dias após a final olímpica, a marca de Ben Johnson foi anulada. Assim, Carl Lewis, originalmente segundo colocado dos 100 m rasos, ficou com a medalha de ouro, deixando a prata com o britânico Linford Christie e o bronze com o americano Calvin Smith.
Posteriormente, ficou provado o uso de substâncias proibidas por Christie e outros três atletas que disputaram a final olímpica em 1988, apesar da manutenção dos resultados, o que fez a prova ficar conhecida como "a corrida mais suja da história".
O canadense Ben Johnson, ex-recordista mundial dos 100 m, visitou nesta terça-feira o Estádio Olímpico de Seul, palco de sua vitória na final da prova na Olimpíada de 1988; apesar de ter vencido a prova com a marca de 9s79, perdeu o título três dias depois diante de denúncias do uso de doping
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Afastado das competições desde a década de 90, Johnson hoje integra a campanha Escolha a Pista Certa, que luta contra o doping no esporte mundial
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Johnson compareceu ao Estádio Olímpico de Seul exatos 25 anos depois da final dos 100 m rasos trazendo consigo uma petição; na final da época, o velocista afirmou que poderia ter corrido até mais rápido se não tivesse levantado a mão no fim da prova
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Poucos dias após a corrida, porém, as amostras de urina de Ben Johnson apontaram o uso de estanozolol, um esteroide anabolizando derivado da testosterona; o canadense acabou desclassificado
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Johnson admitiu posteriormente ter batido o recorde da prova no Mundial de Roma de 1987 também sob influência de esteroides; na ocasião, o canadense marcou 9s83, marca que foi igualmente cassada pela IAAF
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Na época, o técnico Charlie Francis alegou que outros atletas faziam uso de substâncias proibidas e que seria impossível competir contra eles sem doping; posteriormente, ficou provado que outros finalistas dos 100 m da Olimpíada de 1988 também competiram dopados em algum momento da carreira
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O ouro da final de 1988 ficou com Carl Lewis, à frente de Linford Christie; os dois se envolveram em escândalos de doping na carreira, assim como Dennis Mitchell (quarto colocado) e Desai Williams (sexto)
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O Brasil contou com um finalista nos 100 m da Olimpíada de 1988: Robson Caetano, que foi o quinto colocado (na contagem corrigida) com o tempo de 10s11
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O envolvimento de quatro finalistas (Johnson, Christie, Mitchell e Williams) em casos de doping fez a prova dos 100 m em Seul ficar conhecida como "a corrida mais suja da história"
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Às 13h30 locais, mesmo horário da final olímpica, ele pisou na linha de largada da pista de atletismo da capital do país asiático
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Bem Johnson ainda deixou a marca de seu pé direito como recordação no Estádio Olímpico de Seul
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Carl Lewis acabou vencendo a final olímpica dos 100 m com 9s92; o melhor tempo dentre os atletas que não se envolveram com doping foi o de Calvin Smith, bronze com 9s99
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Para o 25º aniversário do melhor e do pior momento da minha vida, estou ajudando na mudança. Usei substâncias sem medir o impacto que isso teria. Sabia que isso não era certo, mas os outros atletas se dopavam e achei que precisava tentar. Isso arruinou minha carreira e minha vida, disse Johnson nesta terça-feira