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"Impostor do Fla" promete mostrar documentos; confira todos os passos

Suposto contrato com o Botafogo, tentativa de golpe no Atlético-PR, farsa em assessor, Flamengo e Seleção: Terra mostra por onde passou Rodrigo

8 fev 2013
11h57
atualizado às 16h11
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Dono de história controversa e revelada pelo jornal Lance! na última quinta-feira, Rodrigo Veríssimo de Souza Melo, 26 anos, deu a versão dos fatos para o que considera uma grande injustiça. Ao Terra, o dono de um currículo extenso - e nebuloso - tentou explicar as supostas passagens por Flamengo, Palmeiras, Atlético-PR, Seleção Brasileira Sub-17, Feyenoord, da Holanda, Anderlecht, da Bélgica, Grêmio, Santos e Botafogo, entre outros. Como Rodrigo Souza, seu declarado nome de jogador.

<p>Suposta reportagem de um jornal de Bauru que Rodrigo apresentava</p>
Suposta reportagem de um jornal de Bauru que Rodrigo apresentava
Foto: Reprodução

Passagem pelo Flamengo e vendido por R$ 2 milhões?

A história veio à tona depois de divulgada nota oficial, via o próprio Rodrigo, de que havia deixado o Flamengo. Em contato com o Terra, entretanto, o clube negou a informação com veemência. Supervisor de futebol, Sérgio Helt declarou jamais ter conhecido Rodrigo. Não é o único caso em que ele é desmentido. Mas o atacante e lateral direito, segundo ele próprio, promete se defender.

"Tenho documentos que provam que sou atleta profissional. Sou federado na CBF, sou profissional, sim", afirmou Rodrigo em entrevista ao Terra. "Quanto ao Flamengo, me apresentei em julho para treinar separadamente. Sem vínculo contratual. Apenas treinei na entidade, sem ônus para eles", disse.

<p>Suposto contrato firmado entre Rodrigo e Botafogo</p>
Suposto contrato firmado entre Rodrigo e Botafogo
Foto: Reprodução

No site da CBF, o nome de Rodrigo não consta no Registro Geral de Atletas. Ele também não está inscrito na Federação de Futebol do Rio de Janeiro. Em um suposto documento emitido pela CBF, e que foi obtido pelo Terra, Rodrigo constaria como jogador do Botafogo no primeiro semestre de 2008. O salário seria de R$ 20 mil na ocasião. "Estamos próximos ao Carnaval, então não tenho como providenciar as provas. Depois, vou ter acesso a toda ela, que prova que sou um jogador de futebol", insistiu ele.

Rodrigo também espalhou a versão de que havia deixado o Flamengo depois de ser vendido a um grupo de investidores intitulado Paulo Costa da Costa e Filhos. Segundo ele, o suposto fundo - não localizado pelo Terra - teria pagado R$ 2 milhões por 40% dos direitos econômicos. Ele ainda diz em um e-mail privado: "optei por treinar separado para ser negociado a clubes que se enteressam (sic) pelo meu trabalho, foi acertado pra mim (sic) treinar na Gávea porque ainda detenho contrato com o Fla".

Campeão mundial com a Seleção Brasileira?

Em entrevista à CNT há aproximadamente um ano (veja vídeo), Rodrigo Souza também declarou ter sido campeão do Sul-Americano e do Mundial Sub-17, ambos em 2003, com a Seleção Brasileira. Não há, entretanto, qualquer jogador chamado Rodrigo inscrito na competição. Ao Terra, ele se mostra confuso, mas mantém a versão.

"Eu jamais disse que fui jogador da Seleção, mas eu fiz parte do grupo", disse Rodrigo. A reportagem questionou por quatro vezes: qual a participação no Mundial Sub-17 e qual a função no time do Brasil? Ele apenas respondeu quatro vezes: "fiz parte do grupo". Supervisor das divisões de base da Seleção em 2003, Bruno Costa afirma: "Nunca conheci esse jogador. Ele não fez parte do time, deve ser algum maluco". Bruno esteve no Mundial, disputado na Finlândia.

No Atlético-PR, se reúne com Petraglia e diz ser dono de um clube no Rio

Em meio às eleições do Atlético-PR no fim de 2011, Rodrigo Souza também se aproximou de pessoas ligadas ao então ex-presidente Mário Celso Petraglia, que se reelegeria. Frequentou eventos do grupo político e, em 4 de dezembro daquele ano, foi até a Arena da Baixada. No chamado Atletiba do Século, que rebaixaria os atleticanos à Série B, estava in loco como convidado. Chegou a conceder entrevistas à Rádio Transamérica de Curitiba e então depois para a Rede CNT.

"Ele me ofereceu para ser laranja de um clube no Rio de Janeiro", contou João Guilherme Mercer, apoiador da campanha de Petraglia. "Eu sou corretor de imóveis. Olho para jogador e vejo uma oportunidade. No mesmo dia que me conheceu, o Rodrigo disse que tinha um clube no subúrbio do Rio, com um empresário, e que eu iria faturar de R$ 5 a R$ 10 mil para emprestar minha parte legal", disse, com o temor de quem poderia ter sido vítima de algum golpe.

<p>Rodrigo apresentou estas imagens ao Atlético-PR para tentar provar seu histórico como jogador</p>
Rodrigo apresentou estas imagens ao Atlético-PR para tentar provar seu histórico como jogador
Foto: Reprodução

João conta que apresentou Curitiba a Rodrigo Souza, que chegou a fazer um pedido. Precisava ir até São Paulo, mas havia perdido a carteira. "Coloquei ele dentro do ônibus, comprei a passagem. Mas na semana seguinte ele volta e me devolve o valor. Ele tirou um calhamaço de dinheiro do bolso que é coisa de patrão! É coisa de louco. Ele não cometeu crime comigo, tirando essa falsidade ideológica", acrescentou João Guilherme, que descreve Rodrigo.

"Ele tem um 1,55 m, 1,60 m. É franzino, é menor que o Gabiru (Adriano, ídolo atleticano). Ele se reuniu, se sentou com o Petraglia, mas ele não deu muita bola. Cara, ele não gagueja, ele olha na lata e joga a banca. Ele usa o perfume que os boleiros usam, a mesma mochilinha. Disse que tinha apartamento alugado na Baixada. Fala muito no Fred (Fluminense), que é amigo dele. Ele anda com dois Iphones, tem fotos com jogadores. Acho que ele quer mais jantar de graça e aparecer na televisão".

Rodrigo engana assessor de imprensa, mas tem farsa descoberta

A surreal história de Rodrigo seria descoberta quando ele buscou um assessor de imprensa que pudesse dar mais realismo as versões. No clube União dos Operários, zona norte paulista, foi apresentado a Antônio Boaventura, com quem fechou acordo para ser representado. "Ele me mandou alguns documentos e pelo que vi estava dentro da normalidade. Mas fechei com o pé atrás", disse Antônio ao Terra.

"Eu fiz duas notas e enviei, mas ele me fez uma cobrança. 'Preciso divulgar meu nome na mídia'. Eu disse: você ainda nem me pagou", explicou o assessor - o acordo era de R$ 18 mil por um ano de contrato. "Ele me enviou fotos meio comprometedoras em treinos do Flamengo com camisa da Batavo, que é patrocinador antigo. Pedi informações à CBF e Ferj, mas não me deram respaldo", afirmou Antônio. Certo de que era vítima de uma farsa, o assessor alertou o Diário Lance, que descobriu o conto de Rodrigo.

"Alguns clubes me procuram por meu trabalho", insiste Rodrigo

Rodrigo, ao Terra, é confuso ao explicar a situação: "contratei ele (assessor) para trabalhar. Tenho estrutura jurídica e assessoria, tenho um contrato assinado e isso é fato. Vou providenciar toda a documentação que prova que sou jogador", insistiu.

"Não vou te dizer quando estive no Atlético-PR. Vou emitir uma cópia do contrato porque contra fatos não há argumentos. Estou absorvendo tudo, mas quem fala alguma coisa tem que responder por elas. Vou provar que sou atleta profissional. Não saio à noite, não bebo e alguns clubes me procuram pelo meu trabalho. Vou provar que eu, Rodrigo Souza, sou jogador de futebol".

 
Saiba quais foras as 17 camisas que Rodrigo afirma já ter vestido
Flamengo - 2012
Atlético-PR - 2012
Al Shabab-ARA - 2009/11
Vasco - 2009
Rio Preto-SP - 2009
Palmeiras - 2008/09
Almería-ESP - 2008
Botafogo - 2008
São Carlos-SP - 2008
Betim-MG - 2007
Anderlecht-BEL - 2006
Atlético-PR - 2005
Santos - 2005
Feyenoord-HOL - 2004
Grêmio - 2003
América-MG - 2003
Seleção Sub-17 - 2003

 

Fonte: Terra
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