Da Guiné ao profissional do Atlético-MG: como Mamady Cissé conquistou espaço no Galo
Jovem saiu da Guiné para jogar no Atlético-MG, superou barreiras culturais e físicas e ganhou espaço no elenco profissional do Galo; confira
Natural da Guiné, o meio-campista Mamady Cissé superou desafios de idioma, cultura e ganho muscular para se firmar no Atlético-MG após chegar em 2025. Descoberto na Nigéria, o jovem iniciou na base e, devido à potência física e qualidade na construção de jogo, ascendeu ao elenco principal em 2026. Já com gol marcado pelo Brasileirão, ele é visto pela comissão técnica como uma grande promessa com potencial para se consolidar entre os titulares e render bons retornos esportivos e financeiros.
A mais de 5 mil quilômetros de sua terra natal, Mamady Cissé encontrou no Atlético-MG a oportunidade de transformar o sonho de jogar futebol profissional em realidade. Natural da Guiné, o meio-campista chegou ao Brasil em 2025, aos 18 anos, e precisou superar desafios que iam muito além das quatro linhas para conquistar espaço no clube mineiro.
Descoberto por observadores do Galo durante um torneio disputado na Nigéria, no fim de 2024, o jogador foi incorporado inicialmente à equipe sub-20. A adaptação envolveu uma nova cultura, mudanças na alimentação, aprendizado de outro idioma e um intenso processo de desenvolvimento físico. Mais de um ano depois, Cissé passou a integrar com frequência o elenco profissional e se tornou uma opção para a comissão técnica.
Adaptação longe da família e evolução física
A barreira linguística foi um dos primeiros obstáculos enfrentados pelo guineense em Belo Horizonte. Sem falar português, Cissé recebeu o auxílio do professor de francês e tradutor Benjamin Lelaidier, que o acompanhou durante seis meses e o ajudou tanto nos treinamentos quanto nas situações do cotidiano.
A assistência foi importante para tarefas simples, como pedir comida e abrir uma conta bancária. Fora do ambiente profissional, o Atlético-MG também buscou facilitar a integração do jogador, que estava longe da família. Companheiros de equipe contribuíram para sua adaptação com passeios pela cidade e convites para refeições em suas casas.
Mesmo sem dominar o idioma, Cissé conquistou a simpatia de funcionários e atletas da Cidade do Galo. O comportamento chamou a atenção de Leandro Zago, ex-técnico da equipe sub-20, que acompanhou de perto os primeiros passos do meio-campista no Brasil.
"Uma coisa que sempre chamou atenção dele é que, mesmo quando ele não falava a língua, era muito querido pelos meninos do CT e pelos funcionários, sempre foi muito simpático", contou Zago à ESPN.
O desenvolvimento físico também exigiu atenção especial. Ao chegar ao clube, Cissé precisou passar por um processo de fortalecimento muscular, com dieta controlada e exercícios específicos para prevenir lesões. Ao longo do trabalho, ganhou aproximadamente nove quilos de massa muscular.
Segundo o ex-treinador, o jogador começou com cargas reduzidas na musculação para aprender corretamente os movimentos. Como não havia passado pelas mesmas etapas de preparação física desde as categorias mais jovens que os companheiros brasileiros, precisou desenvolver essa base já aos 18 anos.
O talento que chamou a atenção do Atlético-MG
Apesar das dificuldades iniciais, as características técnicas e físicas de Cissé fizeram com que ele se destacasse rapidamente. A velocidade, a potência e a competitividade foram identificadas desde os primeiros treinamentos, assim como a capacidade de compreender as atividades propostas pela comissão técnica.
"Era um diamante bruto. Tinha muita coisa a melhorar, mas aquilo que você não achava no jogador naturalmente, ele tinha", avaliou Leandro Zago.
A definição da posição ideal, porém, exigiu um período de observação. Em vez de atuar pelas pontas ou ocupar uma função mais avançada, como costuma acontecer com alguns jovens jogadores africanos, Cissé demonstrou características de um meio-campista de construção, conhecido no futebol como camisa 8.
A evolução na base acelerou o caminho até o elenco principal. Em 2026, o guineense passou a receber oportunidades entre os profissionais e marcou seu primeiro gol pela equipe principal na vitória por 3 a 1 sobre o Mirassol, pelo Campeonato Brasileiro.
O meio-campista também esteve em campo na vitória atleticana por 1 a 0 sobre o Coritiba, no último sábado (17), pela 31ª rodada do Brasileirão. <Cite refs={["turn575037search2″,"turn575037search3"]}/>
Projeção de futuro no Galo
Para Leandro Zago, o potencial apresentado pelo jogador indica que ele ainda pode alcançar um espaço maior na equipe principal. O antigo treinador da base acredita que o amadurecimento será determinante para que Cissé consiga se estabelecer entre os titulares.
"Tenho certeza que esse menino vai ser titular do Galo em algum momento, é uma questão de amadurecimento. Ele tem o perfil e as características", afirmou.
Zago também vê a trajetória do guineense como um exemplo de sucesso no processo de desenvolvimento de jovens talentos. Na avaliação do treinador, o Atlético-MG poderá obter um retorno esportivo e financeiro importante com a evolução do meio-campista.
Após deixar a Guiné para iniciar a carreira no Brasil, Cissé construiu uma trajetória marcada pela adaptação, pelo desenvolvimento físico e pela evolução dentro de campo. Aos poucos, o jogador transforma o investimento feito pelo Atlético-MG em oportunidades no profissional e busca consolidar seu espaço no futebol brasileiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.