'Arbitrária e inaceitável': Senegal contesta decisão da CAF de retirar seu título de campeão da Copa Africana
Depois do choque, o contra-ataque. A Federação Senegalesa de Futebol (FSF) anunciou que vai recorrer ao Tribunal da Fifa para tentar revertar a decisão da Confederação Africana de Futebol. A entidade resolveu retirar o título de campeão africano do Senegal em favor do Marrocos.
Com informações de Léa-Lisa Westerhoff, correspondente da RFI em Dakar, e agências
"A Federação Senegalesa de Futebol denuncia uma decisão arbitrária, sem precedentes e inaceitável, que gera descrédito sobre o futebol africano", reagiu a FSF em um comunicado divulgado na noite de terça-feira (17). "Para defender seus direitos e os interesses do futebol senegalês, a Federação iniciará, o mais rapidamente possível, um processo de apelação junto ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), em Lausanne", reitera a nota.
Dois meses depois da final da Copa Africana de Nações, em 18 de janeiro, vencida pelo Senegal, o júri de apelação da Confederação Africana de Futebol resolveu retirar o título do Senegal. A decisão se baseou nos artigos 82 e 84 do regulamento da competição, que preveem derrota e eliminação quando uma equipe abandona o campo antes do fim da partida.
Na final em Rabat, em janeiro, os jogadores senegaleses deixaram o gramado por cerca de quinze minutos, em protesto contra um gol anulado e um pênalti marcado para o Marrocos. Apesar disso, a partida foi retomada, o pênalti marroquino foi desperdiçado e o Senegal venceu na prorrogação.
Mas o Marrocos recorreu, e o júri anunciou na terça-feira a nova decisão: desclassificação do Senegal e vitória marroquina por 3 a 0. Em comunicado, a Federação Marroquina de Futebol afirmou que sua iniciativa "nunca teve a intenção de questionar o desempenho esportivo das equipes participantes desta competição, mas apenas de solicitar a aplicação do regulamento".
No entanto, para a Federação Senegalesa de Futebol, qualificar como "abandono" ou "interrupção definitiva" a "suspensão temporária" decidida pelo treinador na noite da final é abusivo e viola tanto a soberania do árbitro quanto as regras do jogo. Para a FSF, os artigos 82 e 84 do regulamento não são aplicáveis no caso da final da CAN.
A entidade argumenta que o jogo foi interrompido por 15 minutos antes de ser retomado. "O pênalti foi cobrado e o resultado foi confirmado ao término da prorrogação", diz a FSF carta enviada à CAF.
"O mundo irá nos ouvir"
No Senegal, a reação é de incredulidade e desgosto após a decisão da CAF. A Federação Senegalesa de Futebol se descreve "atônita" diante da decisão. "O mundo vai nos ouvir", garantiu o secretário‑geral da FSF, Abdoulaye Saydou.
Em Dakar, torcedores entrevistados pela RFI não escondem a revolta. "Sinceramente, estou triste, triste, triste pelo futebol africano. Por trapaça ou seja lá o que for, tiram a Copa do Senegal. Eu não concordo", diz.
"É inadmissível que hoje ganhemos uma final em campo e que duas ou três pessoas atrás de uma mesa decidam tirar de nós essa bela vitória", diz um outro cidadão. "É mais que loucura. O futebol não faz mais sentido hoje", reitera.
Um outro torcedor senegalês classifica o caso de escândalo. "Isso quer dizer que podemos ganhar a Copa e, três meses depois, alguém liga para dizer: 'Olha, vamos pegar a Copa de volta'. Com base em quê? Não dá para entender. Nós ganhamos a Copa!"