Além do treino: disfunções silenciosas podem limitar desempenho de atletas
Cirurgiã-dentista Rossana Schiavo explicou como questões funcionais podem interferir em performance
A rotina de um atleta é marcada por disciplina, treinos intensos e foco constante na superação de limites. No entanto, especialistas alertam que o desempenho esportivo não depende apenas da carga de treinamento. Questões funcionais, muitas vezes negligenciadas, podem comprometer significativamente os resultados dentro e fora das competições.
De acordo com a cirurgiã-dentista Rossana Schiavo, três disfunções merecem atenção especial: respiração bucal, mastigação unilateral viciosa e a disfunção temporomandibular (DTM).
"Esses fatores interferem diretamente na biomecânica do corpo, na oxigenação e até na qualidade do sono, impactando o rendimento do atleta de forma global", explica.
A respiração bucal, por exemplo, é apontada como uma das principais vilãs. Considerada inadequada, ela desencadeia uma série de alterações no organismo. Para compensar a dificuldade na captação de ar, o corpo adota uma postura incorreta, com a projeção da cabeça e dos ombros para frente. Esse desalinhamento altera o eixo postural e sobrecarrega os membros inferiores, favorecendo o surgimento de problemas como fascite plantar, esporão e dores articulares.
Além disso, a postura alterada pode reduzir a expansão pulmonar e comprometer a eficiência respiratória.
"A troca gasosa fica prejudicada, e o organismo passa a trabalhar com menor oferta de oxigênio", destaca a especialista.
Esse cenário afeta diretamente sistemas essenciais, como o nervoso e o endócrino, altamente dependentes de oxigenação adequada.
Outro impacto relevante é observado na qualidade do sono. A menor oxigenação contribui para noites mal dormidas, com sono superficial e não reparador. Como consequência, o atleta acorda cansado, com sensação de fadiga constante e menor capacidade de recuperação física - fatores que comprometem o desempenho esportivo.
Para Rossana, um atleta que respira pela boca dificilmente atinge seu potencial máximo.
"Sem o equilíbrio da função respiratória, o rendimento fica aquém do que poderia ser alcançado", afirma.
Como alternativa terapêutica, a especialista cita o Método HBTC-RFA, que utiliza um dispositivo intrabucal com atuação neuromuscular para auxiliar no reequilíbrio das funções orais e respiratórias. Segundo ela, a abordagem pode contribuir para a melhora da oxigenação, do alinhamento postural, da qualidade do sono e de dores associadas.
O alerta reforça que, no esporte de alto rendimento, cada detalhe importa. Mais do que treinar, é fundamental olhar o corpo de forma integrada para alcançar performance máxima com saúde e longevidade.
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