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Adoração dos espanhóis pela bola traz a glória da Copa do Mundo e une toda a nação

19 jul 2026 - 21h49
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A Espanha percorreu todo o ciclo ‌do futebol neste domingo, passando da elegância à dificuldade, da pureza à persistência, e ainda assim terminou exatamente onde queria estar — campeã da Copa do Mundo, com a bola nos pés e a confiança no sangue.

A vitória por 1 x 0 sobre a Argentina não foi um desvio radical de sua identidade, mas uma reafirmação lamacenta dela. A Espanha passou, sondou, protegeu e mimou a bola como se fosse um ⁠tesouro nacional, recusando-se a entrar em pânico enquanto a Argentina se fechava e o relógio avançava em direção ao ‌fim da prorrogação.

No fim, como convém a uma equipe construída com base na ideia de que nenhum jogador é maior do que o todo, o gol da vitória veio do banco. A jogada foi ‌criada e finalizada pelos reservas Nico Williams e Ferran Torres — a ‌terceira vez nas fases eliminatórias que um substituto desferiu o golpe decisivo para a Espanha.

Isso, mais ⁠do que qualquer diagrama tático sofisticado, diz muito sobre a equipe de Luis de la Fuente. Este não é um time de solistas que exigem os holofotes. É uma orquestra na qual até mesmo os que chegam mais tarde sabem a melodia de cor.

A Espanha terminou com mais de 65% de posse de bola, 12 chutes no alvo e mais do que o dobro de passes completados que a Argentina, que ‌produziu sua primeira finalização — para fora — perto do final da prorrogação.

Foi um domínio, mas não uma destruição. A ‌Espanha ainda teve que suar. Sua ⁠conhecida fraqueza, a ausência de ⁠um centroavante clássico, ficou exposta pelo número de chances que criou, mas não conseguiu converter.

No entanto, se a falta de ⁠um atacante implacável continua sendo seu calcanhar de Aquiles, ‌essa é praticamente a única falha exposta ‌de uma equipe que, fora isso, está envolta em segurança coletiva.

A Espanha arrebatou os prêmios individuais do torneio, com Pau Cubarsí eleito o Melhor Jovem Jogador, Unai Simón, o Melhor Goleiro, e Rodri, o Jogador Mais Valioso do torneio. Apenas a Chuteira de Ouro escapou, indo para o ⁠francês Kylian Mbappé.

GOLS DIVIDIDOS

Até mesmo isso pareceu apropriado. O triunfo da Espanha nunca se resumiu a um único artilheiro em grande fase. Seus 14 gols em oito partidas foram divididos entre oito jogadores, ecoando o sucesso na Eurocopa de 2024, quando marcou 16 vezes — um recorde do torneio — por meio de 10 atletas diferentes.

A vitória sobre a Argentina também ampliou sua sequência ‌invicta para 38 partidas, ultrapassando a Itália e ressaltando três anos de domínio no futebol internacional.

Foi também uma redenção pessoal para De la Fuente, que chegou a ser apelidado pela imprensa espanhola de Luis ⁠de la "Quem" após passar grande parte de sua carreira de técnico nas categorias de base da Federação Espanhola de Futebol.

Agora, ele transformou aquele aprendizado paciente no maior prêmio do futebol.

Esta Espanha é também um reflexo do próprio país, costurada a partir de diferentes regiões, sotaques e identidades.

Jogadores do País Basco, como Mikel Oyarzabal, Simón e Mikel Merino, dividem o palco com Borja Iglesias, da Galícia, Torres, de Valência, Rodri, de Madri, Fabián Ruiz e Gavi, da Andaluzia, e Pedri, das Ilhas Canárias. Cubarsí e Marc Cucurella são dois dos nove jogadores nascidos na Catalunha, enquanto Lamine Yamal e Williams representam o sucesso da imigração e uma Espanha mais nova.

A riqueza do país sempre residiu no fato de ser composto por nações menores, cada uma com sua própria história. Neste domingo, essas diferenças não desapareceram. Simplesmente deixaram de ser obstáculos.

O futebol conseguiu, pelo menos por uma noite, o que a política tantas vezes não consegue. Fez com que a Espanha se sentisse inteira.

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