"A torcida me manteve acreditando", diz Fonseca após vencer de virada e avançar em Roland-Garros
Após vencer de virada o croata Dino Prizmic nesta quarta-feira (27), pela segunda rodada de Roland-Garros, o carioca João Fonseca falou sobre como manteve o foco após um início de jogo difícil e sobre o sonho de enfrentar, pela primeira vez, o sérvio Novak Djokovic, na sexta-feira (29). O brasileiro disse respeitar o próximo adversário, a quem chamou de "uma lenda do esporte", e afirmou que pretende aproveitar a experiência. João também agradeceu o apoio da torcida.
Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros
Após 3 horas e 27 minutos de partida, João Fonseca venceu por 3 sets a 2, com parciais de 3/6, 4/6, 6/3, 6/1 e 6/2. O tenista de 19 anos iguala, assim, sua campanha de 2025, quando, aos 18, também chegou à terceira rodada do Grand Slam de saibro francês.
Em entrevista aos jornalistas após a partida, Fonseca afirmou que, apesar do início complicado, manteve a confiança e seguiu focado. "Eu pensava só no presente, em jogar melhor, ser mais sólido, quebrar o saque dele, colocar mais pressão, ser mais agressivo", declarou, antes de elogiar o adversário. "Acho que ele jogou muito bem nos dois primeiros sets. Eu não estava jogando bem e ele vencia. Estou feliz pela forma como me mantive positivo, com uma boa cabeça, e meu físico respondeu bem", acrescentou.
"Eu acho que o Prizmic e eu temos golpes fortes", disse ainda, destacando "uma nova geração que vem jogando bem e com muito potencial".
Fonseca afirmou que gosta de um jogo agressivo, mas reconheceu que, para vencer partidas como a desta quarta-feira, "é preciso maturidade".
Duelo com Djokovic
Questionado sobre o próximo confronto contra Novak Djokovic, o brasileiro afirmou que sempre sonhou em enfrentá-lo antes da aposentadoria do tenista sérvio. "Vai ser duro. Quero aproveitar essa experiência, mas chegar à terceira rodada já é um sonho. Eu o respeito, mas farei o máximo para vencer", disse.
O tenista também elogiou Djokovic, em quem diz se inspirar. "Ele e o Jannik Sinner são duas máquinas", comparou. "A história do Djokovic é incrível, e o Jannik vai ser um dos grandes, pela consistência e pela forma como lida com a pressão", afirmou. "Ambos me inspiram, assim como às novas gerações", completou. "Se eu quero continuar nesses torneios por mais dez anos, preciso me acostumar com a pressão."
Segundo Fonseca, o mais difícil é manter a criatividade e a agressividade mesmo após perder os primeiros sets e precisar buscar a virada. "Encontrar formas diferentes de vencer vai me tornando mais experiente. Esse é o verdadeiro aprendizado", avaliou. "Hoje perdi os dois primeiros sets, mas fiquei feliz com a forma como encarei esse momento difícil e me senti preparado para continuar jogando um bom tênis e desfrutando da partida", afirmou.
João também agradeceu à torcida brasileira presente em Roland-Garros. "A torcida brasileira fez um belo papel hoje e me ajudou a me manter firme e acreditando", disse. "Quando nem eu acreditava mais, eles continuaram me apoiando, ficaram comigo nos momentos difíceis. Foi um excelente trabalho em equipe", celebrou.
O brasileiro comentou ainda o desafio mental de jogos como o desta quarta-feira. "Mentalidade, no tênis, é tudo. Tenho aprendido cada vez mais que esse é um dos principais fatores para chegar ao topo", afirmou. "É o que diferencia os jogadores do top 50 dos do top 5: a capacidade de jogar melhor nos momentos importantes. Tudo vem da mentalidade. É uma das coisas mais difíceis no tênis, porque o resto você treina. O lado mental exige experiência", completou. "Conseguir lidar bem com a pressão vem da minha base, da minha família e também da respiração", concluiu.
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