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A influência da Copa do Mundo na saúde mental

15 jul 2026 - 14h55
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Para psicóloga, experiências coletivas vividas durante o torneio vão além da emoção e fortalecem o senso de pertencimento, fator essencial para o equilíbrio emocional.Depois de um gol, pessoas se abraçam mesmo tendo acabado de se conhecer. Camisas mudam de dono e, de repente, todos estão torcendo pelo mesmo time. Em uma Copa do Mundo de Futebol, isso parece quase normal.

Para Katie Wood, psicóloga clínica da Universidade Swinburne, em Melbourne, esses não são apenas momentos emocionantes entre torcedores, mas verdadeiras ferramentas para a saúde mental.

"O maior fator de proteção para a nossa saúde mental é a sensação de conexão: a conexão conosco mesmos, com outras pessoas, com a nossa comunidade e com a nossa cultura", explica Wood em entrevista à DW. E o esporte, na visão dela, toca exatamente nesse ponto: ele aproxima as pessoas.

Essa forma de conexão não surge apenas na família ou entre amigos. Ela também pode aparecer quando alguém se sente, ainda que por um instante, parte de algo maior. Uma Copa do Mundo costuma criar esse sentimento de maneira surpreendentemente rápida, até mesmo entre pessoas que nunca se viram antes.

Americanos participam de festa de torcedores argelinos

Como isso acontece na prática pode ser visto repetidamente nesta Copa do Mundo: torcedores de diferentes países comemoram juntos, trocam camisas ou passam a apoiar lado a lado a mesma seleção.

Em Lawrence, no estado americano do Kansas, o centro da cidade virou um grande espaço de transmissão pública durante a partida entre Argélia e Áustria. Como a seleção argelina havia escolhido a cidade como base durante o torneio, centenas de moradores apareceram usando camisas da Argélia, com as cores nacionais pintadas no rosto e bandeiras nas mãos.

Em outros lugares também ficou claro como o futebol pode construir pontes rapidamente. Após as oitavas de final entre Suíça e Colômbia, em Vancouver, no Canadá, dois torcedores trocaram suas camisas como lembrança da noite que compartilharam. Em Seattle, por sua vez, um torcedor da Bélgica consolou um fã americano decepcionado após a eliminação dos Estados Unidos.

Um visitante em São Francisco contou à DW um momento que ficou marcado em sua memória: "Um homem viu minha camisa. Ele não me conhecia. Veio até mim, me abraçou e disse apenas: 'Isto é a Copa do Mundo'." A camisa que o americano usava era a de Zinedine Zidane na Copa do Mundo de 1998.

Pertencer é uma necessidade básica

É justamente nisso que Katie Wood vê a força especial de um torneio como a Copa do Mundo. Pessoas que provavelmente nunca se encontrariam na vida cotidiana compartilham, por algum tempo, os mesmos sentimentos.

"Você pode vir dos contextos mais diferentes. Mas, no momento em que apoia a mesma equipe, surge uma experiência coletiva com um objetivo em comum."

Vídeos de brasileiros vivendo momentos parecidos nos EUA também se espalharam, mesmo após a derrota da seleção para a Noruega. Também de cidadãos da Índia, de Bangladesh ou do Líbano carregando a bandeira do Brasil. Em todo o mundo, apoios à seleção de Cabo Verde ganharam as redes sociais.

Esse objetivo atende a uma necessidade básica que muitos subestimam: pertencer. Não importa se alguém é torcedor há décadas ou está acompanhando uma partida pela primeira vez. O mais importante é aquilo que se vive em conjunto: a expectativa antes do apito inicial, a comemoração após um gol ou a frustração compartilhada depois de uma derrota.

"Ninguém sabe o que cada um de nós enfrenta no dia a dia", disse um visitante de uma fan zone à DW. "Por isso, momentos como esses são tão especiais."

E mesmo quem não tem uma seleção favorita pode se deixar levar pelo clima. "Estou simplesmente feliz", disse um visitante na Filadélfia à DW. "Nem tenho um time, mas passei a adorar assistir aos jogos."

Copa do Mundo como fuga da rotina

Wood destaca ainda outro aspecto: uma Copa do Mundo pode ajudar as pessoas a se distanciarem da rotina por algum tempo.

"Quando tantas coisas estão acontecendo no mundo, procuramos maneiras de escapar do cotidiano por um momento", explica. "E viver a Copa do Mundo com tudo o que a envolve, ao lado de outras pessoas, é uma forma muito saudável de fazer isso."

Claro que, em um torneio como a Copa do Mundo, o futebol costuma estar no centro das atenções. Mas, para muitos torcedores, as lembranças mais marcantes surgem justamente fora das quatro linhas.

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