Brisbane (Austrália) Terminou este domingo a quinta edição do Goodwill Games, após 12 dias de competição. Depois de fracassar em atrair a atenção mundial, o evento pode estar prestes a ser banido do calendário esportivo.
Os organizadores declararam os Jogos como um sucesso, por terem alcançado uma audiência maior que a esperada nos canais por assinatura dos Estados Unidos, mas em quase todos os outros lugares o que houve foi uma grande decepção.
Alguns dos grandes nomes do esporte mundial estiveram presentes, mas praticamente nenhum deles competiu dentro do seu potencial. Em alguns casos as competições chegaram à beira do ridículo.
Os melhores corredores de meia-distância do Quênia e Etiópia foram vaiados ao correr os 5000 metros num ritmo de tartaruga, cruzando a linha um minuto mais lentos do que o padrão internacional para meninos até 13 anos.
A competição de natação foi considerada uma piada de mau gosto. Uma das quatro equipes não tinha atletas suficientes e acabou sendo representada pelo próprio técnico, que vestiu o calção e nadou. A partir daí, algumas provas foram disputadas com apenas dois nadadores, da mesma equipe, na piscina.
A organização prometeu 50 mil dólares ao nadador que quebrasse um recorde mundial, mas logo ficou claro que isso não seria suficiente. O brasileiro Fernando Scherer saiu da piscina no meio de uma prova e nenhum competidor reclamou.
Quatro recordes mundiais foram quebrados no levantamento de peso e a russa Olimpíada Ivanova embolsou 120 mil dólares pelo recorde na caminhada, mas houve poucas atuações dignas de nota.
O ponto alto dos Jogos foi a despedida do astro do atletismo norte-americano Michael Johnson, mas não houve grandes confrontos ou surpresas, antes ou depois desta corrida histórica.
O ``Dream Team'' dos Estados Unidos venceu no basquete, os australianos na natação, os cubanos ficaram com a maioria das medalhas de boxe e os Chineses dominaram os saltos ornamentais.
As únicas controvérsias giraram em torno da aparição da russa Olga Yegorova, que já foi punida por dopping, e da retirada do embaixador oficial dos Jogos, o corredor Maurice Greene. Mas estes foram apenas pequenos incidentes.
No geral, as coisas estavam tão desinteressantes que a organização levou os representantes da imprensa para um passeio a uma cervejaria, uma vez que não havia nada sobre o que escrever.
Numa época em que até o nome soa desapropriado, poucos países demonstraram interesse nos Jogos. Mesmo na Austrália, geralmente fanática por esportes, o interesse era extremamente moderado. Talvez o problema seja uma overdose esportiva, depois da Olimpíada de Sydney, mas o fato é que o interesse era mínimo.
Os novos donos do evento, da AOL-Time Warner, não haviam revelado anteriormente qual seria a próxima cidade sede porque pretendiam avaliar o desempenho desta edição dos Jogos. Agora o suspense gira em torno de saber se haverá ou não uma próxima edição.
Mike Plant, presidente do Goodwill Games, tem esperanças de que eles sigam em frente. ``Há muita especulação, mas já se diz isso desde 1986 e ainda estamos aqui. Tivemos muito sucesso sob nosso ponto de vista''.
Ted Turner criou os Jogos no auge da Guerra Fria, nos anos 80, para criar uma competição entre russos e norte-americanos, após os seguidos boicotes olímpicos. A primeira edição aconteceu em Moscou, em 1986, a segunda em Seattle, em 1990.
Na época dos Jogos de Seattle, o bloco soviético já estava se desmantelando. Em 1994, em São Petersburgo, a Guerra Fria havia acabado.
Turner levou os Jogos de 1998 para Nova York e em 2001, optou por Brisbane, mas com seu império sendo engolido por uma série de fusões com a AOL-Time Warner, ele perdeu o controle do evento. Agora só o que se pode fazer é esperar para saber o futuro dos Jogos.