O presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu que a sua popularidade caiu em função do que ele chamou de "crise do real", numa referência à desvalorização da moeda no início do ano passado. "A população sentiu aquilo como uma espécie de traição. E não foi. Foi uma crise provocada por pressão externa e o governo não agüentou manter o real como ele era antes", disse FHC.Segundo ele, após a crise "o que aconteceu foi uma onda de pessimismo baseada, realmente, numa experiência vivida por outros países, porque, em muitos países, depois de uma desvalorização, houve recessão, a inflação subiu, houve aumento do desemprego e isso se generalizou. E o povo disse meu Deus do céu, este homem, em quem eu votei duas vezes para segurar a barra, não segurou, nos enganou, não disse antes que ia fazer isso".
Segundo ele, o ano de 1998 já não foi um ano de crescimento econômico e em 1999 o Brasil cresceu 1%, o que "foi melhor do que se imaginava, porque se imaginava que seria negativo, em 3% ou 4%, mas foi ruim, mesmo assim", disse FHC. O presidente destacou ainda que o desemprego também prejudica sua imagem perante o povo. "No meio disso tudo ainda havia a questão do desemprego. Então, há razões objetivas para que a população olhe com desconfiança e não aprove", afirmou.