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Votorantim começa o ano com quase R$ 20 bilhões no caixa. Onde o grupo vai investir esse dinheiro?

Em janeiro, o grupo se desfez da CBA, maior produtora de alumínio do País

2 abr 2026 - 10h10
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O Grupo Votorantim mantém a estratégia dos últimos cinco anos de transformação do portfólio de ativos, passando de um conglomerado industrial para uma companhia de investimentos diversificados. Novos negócios, como farmacêutica e infraestrutura, ganharam projeção, ao mesmo tempo em que a exposição em commodities vem sendo reduzida.

No fim de janeiro, a companhia firmou acordo de venda da produtora de alumínio CBA, maior fabricante do país, criada pelo grupo em 1955. Na linha de reduzir presença em países emergentes, no ano passado se desfez de ativos de cimento na Tunísia e Marrocos. O foco, além do Brasil, são países de moeda forte: Estados Unidos, Canadá e Espanha.

Controlado pela família Ermírio de Moraes, o grupo virou o ano com um caixa de gerar inveja a muita gente: valor consolidado de R$ 15 bilhões. E com alavancagem financeira baixa e lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, quase 500% superior ao de 2024. Cerca de 60% do ganho veio do negócio de cimento.

Esse caixa ainda será engordado nos próximos meses com mais R$ 4,7 bilhões da venda do controle da CBA, que deverá ser concluída entre o segundo e o terceiro trimestres do ano. O negócio foi fechado no final de janeiro com a multinacional chinesa Chalco e com a australiana Rio Tinto.

A grande pergunta que se faz é: em que e onde a Votorantim planeja alocar toda essa dinheirama, na casa de R$ 20 bilhões?

A direção da companhia diz não ter, neste momento, nenhuma grande aquisição na mira para recompor o portfólio do grupo. "Vamos fazer a alocação do caixa com muita disciplina", afirmou ao Estadão o CEO do grupo, João Schmidt, no cargo desde maio de 2020 e atuando na companhia desde 2014.

Ele afirma que há muitos investimentos em curso por parte dos atuais negócios. Por exemplo, o reforço da posição na área farmacêutica, com disposição de investir até R$ 1 bilhão no aumento de capital da Hypera Pharma. Estima-se no mercado que a atual participação acionária de 11% subiu para entre 13% e 14%, passando a ter maior influência no bloco dos acionistas controladores da companhia.

O aumento de capital, aprovado em R$ 1,5 bilhão na última terça-feira, 31, teve por objetivo fortalecer a estrutura de capital da Hypera. A empresa, que no ano passado teve receita líquida de R$ 7,7 bilhões e lucro de R$ 1,19 bilhão, carrega alavancagem financeira alta: 3,7 vezes na relação dívida líquida (R$ 7,66 bilhões) sobre o Ebitda (R$ 2,08 bilhões).

Outras frentes de investimentos são em cimento — há um programa de R$ 5 bilhões em curso na Votorantim Cimentos, apenas no Brasil. "Temos um balanço forte, liquidez e disciplina. Vamos ter oportunidades de alocar capital nos negócios", acrescentou o executivo.

Schmidt destaca que os R$ 15 bilhões da virada do ano são a maior posição de caixa da história do grupo, sendo R$ 7,7 bilhões na holding VSA, que não tem endividamento. "A estrutura de capital está sólida". A alavancagem financeira, que mede o perfil do endividamento, ficou em 1,01 vez. O grupo encerrou o ano com dívida líquida consolidada de R$ 11,7 bilhões.

A Altre (empresa do ramo imobiliário) busca novos ativos nos Estados Unidos em residencial multifamily, galpões logísticos e escritórios corporativos. Ao menos mais R$ 2 bilhões em equity e crédito estão previstos nessa expansão no mercado americano. Até o momento, a empresa, criada em 2021, já tem R$ 3 bilhões comprometidos no Brasil e EUA, incluindo a maior torre corporativa brasileira, em São Paulo.

João Schmidt, CEO da Votorantim S/A: 'Vamos fazer a alocação do caixa com muita disciplina'
João Schmidt, CEO da Votorantim S/A: 'Vamos fazer a alocação do caixa com muita disciplina'
Foto: Votorantim/Divulgação / Estadão

A Citrosuco, de suco de laranja, por sua vez, ganhou um sócio, o fundo PSP Investments (Public Sector Pension Investment Board), um dos maiores investidores institucionais do Canadá, que vai aportar na empresa um "valor significativo", segundo Schmidt. Vai dividir a gestão da empresa com os atuais sócios — Votorantim e família Fischer. O fechamento da operação se dará em breve, definindo a fatia do PSP.

O fundo tem experiência nas áreas de agricultura e florestas, e foco no longo prazo. O objetivo é reforçar capital para expansão e diversificação. A Votorantim tem um histórico de parceria com fundos canadenses: o CPPIB Investments é sócio na Auren Energia e o La Caisse (ex-CDPQ), no negócio de cimento nos EUA e Canadá.

A companhia também está pronta para um provável aumento de participação no capital da Motiva (ex-CCR) por ocasião da venda dos 14,86% de ações da Mover Participações (ex-Camargo Corrêa) que estão sendo negociados pelo Bradesco BBI. Os atuais sócios do bloco de controle, incluindo Itaúsa e Soares Penido, têm direito de preferência sobre o ativo.

O portfólio de ativos da Votorantim vem ficando diferente ao longo dos anos. Desde 2018, a companhia saiu de aço (só resta uma fábrica na Argentina), celulose, de outros ativos no exterior e agora deixou a área de alumínio. Nesse período agregou mercado imobiliário, infraestrutura, energia, farmacêutica e 23S (setores de alto crescimento, com o fundo Temasek, de Singapura).

Resultados

Consolidando cinco empresas controladas — Votorantim Cimentos (VC), Nexa Resources, Altre, Acerbrag e Reservas Votorantim —, o grupo divulga o balanço de 2025 nesta quinta-feira, 2, reportando uma receita líquida consolidada de R$ 47,6 bilhões.

A CBA, vendida em janeiro, já não compôs as demonstrações financeiras: em decorrência da transação, as operações do segmento de alumínio foram classificadas, em 2025, como ativos mantidos para venda e operações descontinuadas, deixando de ser consolidadas nos resultados do grupo. A empresa atingiu receita de R$ 8,8 bilhões e lucro de R$ 230 milhões, revertendo prejuízo.

Bobinas produzidas na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA): vendida para Chalco e Rio Tinto em janeiro, empresa já não aparece no balanço de 2025
Bobinas produzidas na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA): vendida para Chalco e Rio Tinto em janeiro, empresa já não aparece no balanço de 2025
Foto: CBA/Divulgação / Estadão

Por serem companhias investidas, os resultados da Auren Energia, Motiva (Ex-CCR), Banco BV, Citrosuco, Hypera e 23S Capital foram registrados por equivalência patrimonial. A contribuição ao balanço da Votorantim foi de R$ 1,4 bilhão no ano passado.

Segundo os dados do balanço, a receita da Votorantim cresceu 9%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subiu 10%, para R$ 11,5 bilhões, na comparação com 2024. O resultado é atribuído ao "forte desempenho operacional e crescimento das empresas do portfólio" do grupo.

Por exemplo: VC, no cimento, e Nexa (zinco, chumbo, cobre e prata) se beneficiaram da alta de preços e de volume vendidos. Sem os números da CBA, a cimenteira respondeu por 62% da receita consolidada e do lucro líquido do grupo, enquanto a Nexa (com US$ 3 bilhões de receita, ou R$ 15,6 bilhões) por aproximadamente 32% — a Votorantim tem 65% das ações da Nexa, que saiu de prejuízo para lucro de R$ 223 milhões.

O Banco BV, informa o grupo, teve o segundo ano de desempenho recorde com lucro líquido de R$ 1,9 bilhão. Por outro lado, a Auren Energia fechou o ano com prejuízo de R$ 558 milhões e alavancagem de 4,8 vezes na relação dívida líquida sobre Ebitda. A empresa vem de uma aquisição de R$ 16 bilhões, da AES, o que a tornou a terceira maior geradora de energia do País.

Estadão
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